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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Novembro 29, 2021

Fernando Zocca

 

 

Uma lei que possibilite a substituição do cartão de gratuidade, emitido pelas empresas de ônibus, pela cédula de identidade do usuário, facilitaria a vida tanto dos cidadãos quando da parte burocrática desse meio importante de transporte.

Atualmente a pessoa com mais de 60 anos, para conseguir o cartão de gratuidade, precisa comprovar o local da residência que pode ser feito com um documento da CPFL ou do SEMAE.

É necessário também que o interessado apresente o seu documento de identidade em que conste ter a idade necessária para usufruir do benefício garantido por lei.

Se ele comparece ao guichê da empresa sem saber quais documentos precisa trazer para a obtenção desse incentivo, deverá voltar depois, com a papelada satisfatória das exigências legais.

Veja quanto tempo, pense bem, nos desconfortos dos deslocamentos, no tempo gasto, e na escolha dos papéis – recibos de pagamento das contas de água e luz - necessários.

Se você depois de algumas idas e vindas conseguiu tudo isso e, no setor da empresa, que lhe concederá ou renovará o seu cartãozinho, após 10 ou 15 minutos na fila, pra retirar a senha – veja bem – tanto tempo só pra conseguir a senha, e quando chega a sua vez, é informado, sem mais nem menos, que não lhe darão a senha porque o “sistema” está sem sistema, você faz o quê?

Bom, você antes mesmo de vociferar contra o desaforo, a maldade, a má intenção, a perseguição política e religiosa, pensa no metrô de São Paulo, onde os idosos, com direito a gratuidade, usam somente a carteira de identidade para a passagem pelas catracas.

- É, mas como você fará que a sua cédula de identidade seja reconhecida como sendo daquele cidadão com direito ao benefício? – perguntaria seu colega interessadíssimo nesse importante assunto envolvente de milhares e milhares de cidadãos.

A passagem gratuita seria concedida ao cidadão que provasse ter a idade mínima, exigida para a concessão do benefício, verificada por fiscal da empresa que, ao lado da catraca, com o seu cartão pessoal, liberaria o dispositivo, depois de observar o documento apresentado pelo consumidor.

Menos burocracia, menos desconfortos e estresses, tornariam esses momentos, da necessidade do uso dos transportes públicos, mais saudáveis para esse grande segmento dos eleitores.

Vamos lá?

Mãos à obra senhores edis?

 

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Novembro 26, 2021

Fernando Zocca

 

 

Diante dos incêndios da Catedral de Notre Dame em Paris, do museu da língua portuguesa em São Paulo, do museu nacional no Rio de Janeiro, dos milhares e milhares de acres das florestas do mundo todo, dos milhares de ônibus, dos empreendimentos e propriedades da população, seria obvia demonstração do desligamento da vivência da vida diária, ou se não, da absoluta falta de bom senso e responsabilidade, pedir diária e publicamente, durante os cultos religiosos a Deus, que incendeie, que mande seu fogo divino, assim sem mais nem por que.

Deus não é destruição, não é maldade, e seria insano se, quando contrariados, pedíssemos a Deus que castigasse esse ou aquele fulano, por sua incúria ou loucura nata. Deus é bom.

Carecemos do conhecimento dos textos sagrados, mas como saber das regras morais, dos ensinamentos religiosos, se o analfabetismo funcional é um quisto entranhado na percepção impedindo-nos de discernir sobre até mesmo as comunicações mais simples, corriqueiras, dessas publicadas diariamente nos sites jornalísticos?

Quando alguém não atende aos apelos para que se comporte conforme os bons costumes, ao bom senso e às leis, sem dúvida nenhuma é afetado por afecções ou conformações congênitas indutoras das desordens, devendo então serem conduzidas aos especialistas médicos.

O Brasil é um país seriamente retardado, subdesenvolvido, que vê a classe política enriquecer impunemente com os resultados das falcatruas, dos jeitinhos, enquanto os miseráveis, cada vez mais miseráveis, chafurdam na lama dos vícios, do alcoolismo, da violência domestica e da miríade de crimes presenciados diariamente.

Pessoas que têm sob sua responsabilidade o trato com fiéis paroquianos, crianças e adolescentes, precisam ser comprovadamente bem preparadas, instruídas, educadas, sob pena de fazerem acrescentar, rapidamente, vários outros tantos escândalos à imensa coleção já existente.

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Novembro 16, 2021

Fernando Zocca

 

Falando ainda sobre a mais recente viagem, de ônibus, a S. Paulo, tendo como vizinha de poltrona uma professora simpaticíssima, a certa altura ela disse:

- Ainda bem que obtivemos a capacidade de entender que não são os alunos mais comportados da classe os que devem receber direcionamento punitivo sobre suas atitudes.

“A crise torna-se muito séria e grave quando creditando o comportamento desordeiro a supostas ações dos mais sociáveis, busca-se reprimir os que seguem os ensinamentos.

“Não estaria a tal orientação pedagógica completamente equivocada quando, numa classe, condena os bons alunos por se saírem bem, enquanto busca proteger todos aqueles  promotores das desordens?

“Se os que se comportam mal não forem capazes de se adaptar aos bons modos devem ser, com o devido respeito, institucionalizados ou removidos da classe; não os bons, ordeiros e seguidores dos ensinamentos sociáveis serem levados a agir como os desordeiros.

“Ainda bem que conseguimos distinguir quem é quem nesse fuzuê onde é bem comum atribuir as maldades aos bons meninos e as bondades aos hipócritas canalhas.

“Quando aprendemos a diferenciar alho de bugalho, joio do trigo estaremos conduzindo a classe toda ao progresso educativo, retirando-a do atraso, do obsoletismo secular, perturbador, atravancador da felicidade das pessoas de bom senso.

“Não se conhece a árvore pelos seus frutos? Pode a má vegetação dar coisa útil?

“Ao conduzir o rebanho bom às alegrias dos verdejantes pastos e os endemoniados, psicóticos, nocivos, insolentes, perturbadores, abusadores, aos lugares onde possam exercer a sua crueldade, estaremos promovendo a justiça, favorecendo a humanização e o progresso – a atualização – da vegetação de alguns trechos da urbe. Não é mesmo filhinho?”

- Claro que sim linda professorinha! – respondi quando o ônibus aportou na rodoviária.

 

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Novembro 08, 2021

Fernando Zocca


Numa dessas sextas-feiras, antes da grave lesão sofrida na perna esquerda, resolvi ir à São Paulo de ônibus.

Parei a moto no local apropriado da rodoviária, defronte ao ponto de táxi; caminhando com muita leveza, (eu corria 6.400m três vezes por semana no parque do Bairro Santa Cecília, por isso estava magrinho, esperto), fui ao guichê adquirir a passagem.

Com o bilhete na mão, pensando em onde deixar a minha viatura, encontrei uma pessoa conhecida que morava ali perto (que sorte, hein?); depois de combinarmos, deixei a moto na casa dela.

Achei que poderia, com o tempo que me restava até o embarque, tomar um café ali no balcão da lanchonete. Então guardando o papelzinho e o troco no bolso fui caminhando distraidamente.

Pessoas iam e vinham e de repente, sem querer, eu juro, esbarrei numa pessoa alta, cabeluda, rosto bem barbeado que com o meu encontrão derrubou algo (que parecia ser um livro bem grosso) no chão.

Ao parar e me desculpar qual não foi a minha surpresa ao ser recebido com uma enxurrada de palavras tipo discurso de político irado pedindo que os oponentes o respeitassem.

Em altos brados, que chamaram a atenção das pessoas do entorno, a pessoa (olha, já disse, muitas vezes e aqui quero repetir que não ou homofóbico), esgoelando e desmunhecando muito, ela exigia ser tratada com mais acatamento ou sei lá o quê. Eu fiquei bestificado.

Sem entender por que um ato simples, corriqueiro, gerou uma reação tão violenta, desbancante, destratante e humilhante, comecei a olhar ao redor para ver a reação das pessoas que estavam por perto.

Um moço com o rosto avermelhado, tirando os óculos embaçados, mostrando-se constrangido, olhou-me e disse em voz baixa:

- Não liga não. Releve. Esse ai é sensível. Todo mundo sabe que passa a maior parte do dia nervoso, insatisfeito, querendo mudar o mundo de forma ríspida e arrogante.

- O senhor me respeite do jeito que eu respeito o senhor – disse ainda com muita fúria o moço sensível.

Então eu continuei:

- Você me perdoe, não foi por gosto, ou má intenção. É que não vi mesmo o seu bout*, sua fesses** abauladas.

- Você não... Advogado! Sou advogado e exijo respeito! Quero que você me respeite – continuou a criatura num acesso de chilique.

Surpreso com a reação inesperada do moço sensível, eu não sabia o que fazer. Então um dos sujeitos que estavam atrás de nós, esperando o andar da fila disse em voz sussurrada no meu ouvido:

- Manda tomar no c.

Outro presente, que também testemunhou a cena de histeria, respondeu:

- Ih... Não adianta. Eu já mandei, mas ele não vai.

Bom para resumir a história, perdendo a vontade de tomar o café, saí da fila, indo direto para a plataforma de embarque onde o ônibus já estava com o motor ligado e o motorista, na porta conferindo as passagens, esperava (ainda bem, os retardatários).


Este é um texto ficcional. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.

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* Bout. Palavra francesa que em português significa bunda.

** Fesses. Palavra francesa que significa nádegas.

 

Outubro 26, 2021

Fernando Zocca

 

Não estaria o governo federal a fazer gentileza com o chapéu alheio?

Sim, estaria sim.

Quando a administração retira o líquido e certo (que não é mais dele – governo federal) de alguém (credores dos precatórios) para satisfazer outros (bolsa Brasil), estaria descobrindo uns santos para cobrir outros e isso tudo com a intenção de reeleger-se.

Aí você meu amigo advogado diz “olha, cabe uma ação popular contra esse ato lesivo e, digamos, ilegítimo da administração”.

Sim, mas vá pensando no tempo que isso tudo durará. Não vale a pena.

Então a amiga advogada diria “se os valores estão contabilizados um arresto das rendas garantiria os credores”.

Na verdade, meu amigo, difícil mesmo é garantir que os vencedores dessas pendengas jurídicas levem os louros da vitória e que não sejam considerados investidores involuntários da campanha de reeleição do Sr. Jair Bolsonaro.

Afinal existiria ação mais benevolente e humanitária do que proporcionar um auxílio mensal de R$400 aos necessitados?

É claro que não. Mas vem cá: não poderia fazer isso com dinheiro de outras contas?

Acompanhe comigo o raciocínio: se o governo federal já foi condenado a pagar os créditos reclamados então os valores todos não são mais dele. E se não pertencem ao erário público qualquer uso que não seja a destinação aos seus donos deve ser considerado crime.

Ou não?

Estaria politicamente correto o ato administrativo que faria o que bem quisesse com o que lhe pertence, mas... Vamos e venhamos as decisões judiciais não teriam o poder de transferir a propriedade – o domínio - desse dinheiro dos cofres públicos aos credores?

Em outras palavras o dono do lençol descobriria os santos que quisesse e cobriria outros tantos, a seu bel prazer. Mas se o lençol já não for mais da pessoa, qualquer mexida seria ilegítima.

Para Santo Agostinho justiça é Dar a Cada Um O Que É Seu. Estaria o governo do senhor Jair Bolsonaro fazendo justiça quando, tirando de alguém para dar a outrem, pretende reeleger-se?

Se fazer justiça é respeitar o direito e abster-se de qualquer ação que perturbe o equilíbrio social, então essas ações governamentais são extremamente injustas.

A paz é fruto da justiça. Se a pessoa não entende isso, com o devido respeito, pode pegar o seu boné e ir embora.

 

 

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Outubro 23, 2021

Fernando Zocca

Perceba um fato irônico, se não, trágico provocado por esse nosso mito também conhecido como governo federal e sua equipe econômica: os ilustres tiveram a inusitada ideia de transformar todos os credores dos precatórios da administração federal em sócios investidores na campanha da reeleição da estimada lenda urbana.

Dessa forma querido leitor, se você teria algo a receber do governo de Brasília via judiciário saiba que se tornou investidor involuntário da campanha dessa lenda política brasileira.

Sim meu amigo, minha amiga e preclara senhora dona de casa: quando o executivo federal desvia os pagamentos dos credores dos precatórios, aplicando-os no “Auxílio Brasil” está provocando, no mínimo, um conflito entre classes e arregimentando simpatias para suas políticas populistas.

Imagine o alvoroço, o banzé-de-cuia, a felicidade e o aumento da predisposição para dizer o sim que o “quatrocentão” eliciará no pessoal carente, eleitor geralmente na dúvida, sobre a benignidade das políticas do comandante em chefe no plantão atual.

Existe uma CPI tentando punir os erros involuntários ou voluntários dessa direção politica contestadíssima em todo território nacional.

Se julgado improcedente, pela camara dos deputados e senado federal, o relatório feito pela CPI, o presidente da república poderá contar com a sorte que não tiveram João Goulart, Fernando Collor de Mello e Dilma Rousself.

Dentre os três acima citados Fernando Collor, depois da renuncia, foi eleito senador e viceja na política até os dias atuais. Dilma pode ser eleita, pois não teve seus direitos políticos cassados.  

Caberia competência ao judiciário, para, por meio de ação legal, proposta por representantes dos credores, fazer a mudança da direção desse assombro político?

A credibilidade do judiciário não está lá essas coisas, entretanto a lesividade e a ilegitimidade do ato presidencial instituidor dessa decisão é mais que notória.

Em outras palavras o executivo descobre uns santos para cobrir outros.  

Será que o descumprimento de decisão judicial não configuraria desobediência? Haveria ainda a necessidade da execução de fazer coisa certa, ou uma ação popular realimentaria a esperança dos prejudicados?

De que valeram tanto tempo de tramitação objetivando o recebimento dos direitos assegurados nas leis se, no momento da entrega da coisa, o dito cujo não acede, desviando para outras contas o dindim salvador?

Essa situação me faz lembrar um fato ocorrido há muitos e muitos anos passados: uma pessoa miserabilizada, perdida numa cidade imensa e desconhecida, ao receber, de um sujeito aparentemente honesto, os valores da passagem do transporte para a sua cidade de origem, creria que a recusa desse benfeitor, em receber de volta o dinheiro empregado, basearia suas atitudes posteriores na convicção de que em troca, desse seu gesto, obteria a até mesmo o poder de influenciar as decisões no âmbito do executivo federal?

Nessa linha de raciocínio: Se a ajuda a um indigente serviu para o alavancamento de uma candidatura a presidência da republica o que não faria o auxílio a milhares de pessoas necessitadas?

A reeleição é claro.

 

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Outubro 11, 2021

Fernando Zocca

 

 

No cafofo de Donizete Pimenta e Dani Arruela, logo ao anoitecer, daquele domingão de outubro, foram chegando devagarinho, sem muita estrepolia, Célio Justinho, e sua concubina Luisa Fernanda, pra mais uma folie a deux, arraigada na patota há muito e muito tempo.

Luiza Fernanda, a gerente bancária tão antiga quanto as caravelas de Pedro II, considerando-se a criatura mais influente que o Faustão, durante o seu programa domingueiro, portando enorme quantidade de Pen Drives contentores de centenas de gravações musicais, desembarcou do seu Ford preto defronte a casa do Donizete pensando em alegrar aquele pessoal todo, há algumas horas reunido.

- Hoje, em que pese o fato de não termos nesta humilde residência, uma piscina supimpa, e nem uma churrasqueira profissional, nós faremos a reunião festiva com a finalidade de lembrarmos o saudoso Hein Hiquedemorais que, por gostar tanto dos churrascos de maminhas, chuletas, coxão mole, duro e palheta, foi parar naquele nosocômio, onde por algum tempo, submeteu-se às técnicas de desobstrução intestinal – disse solenemente Célio Justinho às pessoas que o assistiam desembarcar da viatura.

- Olha os fecalomas do vovô Hein Hiquedemorais eram tão sólidos que o pessoal da enfermagem pensou até em usar um novo equipamento recém inventado que se assemelhava a britadeira; era portátil e facilmente manuseável – comentou Luisa Fernanda completando as informações do maridão Célio Justinho.

- Gente, deixemos de lado os teretetes, os entretantos e principiemos logo tudo, pra que antes das duas da manhã, “a gente possamos” terminar essa bagaça – opinou Delsinho Espiroqueta ao coçar a virilha pensando no seu antigo, sincero e verdadeiro amor o delgado, magérrimo, feio e ranzinza Zé Laburka, o “turco” nascido na área de charque de Tupinambicas das Linhas.

- Lá na charqueada, meu amigo, se “agente fizéssemos” esse tipo de coisa, a vizinhança nos escorraçaria às pauladas – falou com voz grossa a vovó Bin Slave Latem quando encostava o seu Galaxie 69 defronte a casa do Donizete Pimenta. Ela desceu batendo três vezes a porta do calhambeque - Mas como estamos num trecho do bairro em que todo mundo fala e ninguém ouve, aproveitemos - finalizou a anciã.

- Ei vó, eu não sabia que a senhora viria – exclamou admirada Luisa Fernanda.

- Ah, neguinha, pra quem foi chefe de gabinete por anos e anos a fio daquele caquético energúmeno, uma foliazinha a deux a mais não faz mal.

- Vovozinha, é verdade que o Jarbas, o quase rei, aquele que ficou mais tempo na função de prefeito, que Pedro I na de imperador, deixou a vida política? – questionou Dani Arruela manipulando as latas vazias de cerveja, tirando-as duma caixa de papelão, colocando-as num saco plástico.    

- Ih, filhinha, nem me fale mais nessa criatura. A pessoa pintou e bordou, sacaneou a cidade toda com as fraudes nas licitações e agora, por meio dos seus quadrilheiros, quer aprovar uma lei federal que dificulta a condenação dos crimes contra a administração pública. Pode isso eleitor?

A ex-chefe de gabinete continuou:

- Gente deixemos de lado essa papagaiada toda e iniciemos logo a nossa sessão em homenagem ao grande e inesquecível Hein Hiquedemorais o velhote que, por causa dos estercoromas, precisou duma temporada na clinica de repouso.  

 - Só uma coisinha rápida: vovó tendo a senhora mais experiência que os engenheiros da NASA, responda agora aqui pra mim: essa sua viatura, foi mesmo adquirida do doutor Carneiro, o alienista que, na oitava década de vida, simulou a própria morte, alegando aos mais íntimos que desejava testemunhar, de longe, e no anonimato, os desenrolares das quizilas da cidade mais famosa do estado de São Tupinambos? – interrogou Zé Laburka.

- Sim essa minha condução foi mesmo comprada do professor doutor Carneiro meses antes da esposa dele anunciar a sua morte.

- Ai que chato, não? – comentou Donizete pensando no almoço que faria no dia seguinte.

- Gente... Gente... Vamos começar a função, já são dez horas – convocou Luisa Fernanda batendo palminhas como fazia seu amigo Gelino Ambrulhano, o professor-diretor de escola ao convocar, cheio de vigor, no pátio do recreio, os alunos para o início das aulas.

Então em homenagem ao Hein Hiquedemorais, aquele que tinha o intestino “preguiçoso”, o fandango foi até as duas horas da manhã, insento de queixas e reclamações.

 

* Folie a deux: Folie à deux, é um conjunto de sinais e sintomas de transtornos delirantes, duma sujeita psicótica, caracterizado pelo contágio dos tais delírios, a um ou mais sujeitos, com quem ela tem relacionamentos pessoais íntimos.

 

Setembro 12, 2021

Fernando Zocca

 

Terenzio Galesi.jpg

 

O edifício Terencio Galesi (foto), situado à Rua Prudente de Morais, 642/646, no princípio foi usado como armazém. Era atividade econômica muito comum, antes do advento dos supermercados.

Esse tipo de comércio tinha como semelhantes muitos outros, tanto na região central como nos bairros mais afastados da urbe.

Um desses estabelecimentos que marcou a infância de muita gente, hoje na terceira idade (quase todos gagá, por sinal), situava-se à Rua Governador Pedro de Toledo, esquina com a Ipiranga. Era o Armazém do Mário Moral.

Nesse imóvel antes funcionou um açougue, mas com a morte do titular, o prédio foi alugado e instalou-se um armazém, como o havido no edifício Terencio Galesi.

Logo depois que o armazém deixou de funcionar lá na Prudente de Morais, naquele edifício, instalou-se o jornal O Diário que era propriedade do senhor Cecílio Elias Neto.

Alguns dos herdeiros donos do prédio onde funcionou o Armazém do Sr. Mario Moral eram os De Lello, dentre eles o meu primo, hoje falecido, Arthemio De Lello que foi radialista na Rádio Difusora PRD6 e comerciante. Ele vendia queijos, salsichas, salames e mortadelas nas feiras livres, indo de uma a outra transportando toda sua mercadoria numa Kombi.

Tanto os De Lello quando os Elias tinham ascendentes comuns; então quem dissesse que Cecílio Elias Netto e Arthemio De Lello eram meio aparentados, primos distantes, não podia estar muito equivocado.

Dizem as más línguas, os beiços pequenos que, até hoje, depois de tanto tempo da falência de O Diário, ainda existem ex-funcionários com créditos trabalhistas a receber. Em sentido contrário afirmam outros que esses ex-trabalhadores, estando nas condições semelhantes às dos credores do governo federal que lhes deve as contas dos precatórios, não receberão nunca.  Never more.

Bom, pra resumir a novela, a exemplo do acontecido entre palestinos e judeus em 1948, (quando sob a tutela dos Estados Unidos e da ONU), Israel instalou-se no território palestino, meu pai, em 1954 (eu tinha 03 anos de idade), acomodou-se num dos imóveis que, juntamente com aquele em que fora açougue, passando depois a Armazém, fazia parte dos bens deixados pelo antigo proprietário.

Os descontentamentos e as frustrações entre os demais herdeiros, que também tinham direitos sobre as propriedades deixadas por meu avô, não foram muito diferentes dos sentidos pelos descendentes dos palestinos que viveram a ocupação de 1948 pelos israelenses.

E tome quizila, pendenga, diz-que-diz, ciladas, embustes e o escambau objetivando descontar nos filhos, menores de idade, do “judeu” invasor as frustrações que os daninhos não conseguiam dissolver ou sublimar por seus próprios méritos.

Com infância e adolescência completamente turbadas pelas interferências, muitas daquelas crianças se adultizaram iguais aos canarinhos nascidos e criados nas gaiolas que, diante da portinhola aberta da prisão, não sabem o que fazer.

Hoje em dia o Edifício Terencio Galesi pertence ao empresário Nelson Carrano Torres que ocupa também a área toda onde antes era o Clube de Regatas de Piracicaba, na esquina da Rua Morais Barros com a Avenida Beira Rio.

Dos estatutos do Clube de Regatas de Piracicaba constava que os seus imóveis pertenciam aos sócios sendo, desta forma inalienáveis. Mas, porém, entretanto, uma presidência dribladora conseguiu transformar o que era de propriedade coletiva em simples imóvel do tal empreendedor de sucesso.  

Setembro 08, 2021

Fernando Zocca

 

O que fez Donald Trump nos Estados Unidos, quando incitou a população a atacar o congresso nacional, quer Bolsonaro fazer aqui no Brasil instigando os ataques ao STF.

São atitudes de quem se vê sem razão e argumentos suficientes para contestar as razões dos ministros do STF.

Esse comportamento do Bolsonaro reflete a máxima de que a violência é o argumento de quem não tem mais com o que argumentar.

Em outras palavras essas atitudes tanto do então presidente norte-americano quando as atuais do Sr. Bolsonaro assemelham-se ao daquele jogador de xadrez, que, na iminência da derrota, espanca o tabuleiro jogando as peças todas no chão.

A história política brasileira está repleta de casos similares. Não é preciso dizer muito para lembrar-mos de 1930 quando Getúlio Vargas, tendo perdido as eleições para Julio Prestes, simplesmente arregimentou tropas favoráveis (de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul), vindo ao Rio de Janeiro, depondo Washington Luis (que estava no fim do mandato) e, por meio da “manu militari”, força das armas, impediu a posse do recém eleito (Júlio Prestes), assumindo, logo depois, ele mesmo o cargo de ditador do Brasil.

Devemos lembrar que o cenário mundial na década de 1930 era bem diferente do atual. Estavam em ascensão, naquele momento na Europa o fascismo, o nazismo e no Japão a política que levou a formar o então conhecido “Eixo”.

Com Franco na Espanha, Salazar em Portugal, Benito Mussolini na Itália, Adolf Hitler na Alemanha e Hiroito no Japão, desenvolver-se-iam políticas anticomunistas que resultaram, como todos sabemos, na Segunda Guerra mundial e todas as suas consequências.

Certamente existem no imaginário dos saudosistas do regime militar, das políticas de Getúlio Vargas, as lembranças da criação da Carteira de Trabalho e Previdência Social, das  Consolidação das Leis do Trabalho e outros institutos que o ajudaram a manter-se no poder por 15 anos.

Na pauta também a rejeição ferrenha contra as políticas representadas pela esquerda brasileira.

Com a evolução da tecnologia, mudanças nas relações do trabalho (empregador/empregado) – capitalista- trabalhador, o surgimento do trabalho em casa, muito daquela antiga legislação já não faz mais sentido hoje em dia.

Em decorrência da tomada abrupta do poder em 1930 houve em 1932, uma espécie de revanche, em que os paulistas, buscando o retorno dos investimentos na campanha de Julio Prestes, propuseram a revolução sob o pretexto da necessidade duma constituição.

Os acontecimentos dos momentos presentes, mais a fortíssima rejeição contra a esquerda (provocada pelos alardes da imprensa dos supostos delitos administrativos, nunca provados) colocam a nação brasileira na situação semelhante a do passado.

Se os governos estrangeiros apoiariam as ações de Vargas em 1930, hoje já não se pode dizer o mesmo.

Entretanto uma conflagração entre partidários nacionais, aliados ou não, com forças internacionais, não deixaria de causar estragos imensos, danos materiais e atrasos no já tão atrasado desenvolvimento, tanto do povo quanto das instituições brasileiras.

Agosto 29, 2021

Fernando Zocca

 

CAOLHO

O letrado na terra dos analfabetos, não é rei como o caolho na terra de cegos. O letrado, na terra dos analfabetos, pode ser assassinado.

 

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Na terra dos analfabetos, o letrado não seria como aquele caolho (que tem um só olho), na terra de cego, considerado rei; o letrado, na terra dos analfabetos, pode ser assassinado.

As suspeitas levantadas contra o indigitado suscitariam perguntas como: “Donde viria tanta sustância intelectual?” ou “Esse não é aquele doido filho do amalucado e da dona retardada?” ou ainda: “Esse aí não é de Tupinambicas das Linhas, a noiva da colina? Pode sair coisa boa de lá?”

No transcurso dos teretetes, isto é, durante as falas caligrafadas expostas nos murais internéticos não deixariam de surgir outras indagações tais como: “Quem te deu autorização para fazer isso? Qual faculdade, hã-hã-hã?” “Qual autoridade política te concedeu esse direito?”

Respondendo a essas questões com a pergunta: quem, ó insolentes autoridades orgulhosas, equivocadamente fixas, nos cargos eletivos transitórios, vos autorizou a ter como unicamente vossas, as riquezas acumuladas por todos, para o uso de todos? Quem? Hã?

Não respondendo a esta dúvida, nós também, os que expõem suas caligrafias na Internet não responderemos às devassas vossas, malignos questionadores indignados.

Os progressos tecnológicos – resultados das pesquisas científicas -  estão presentes no dia-a-dia de todos, quer queiramos ou não.

Quando ouvimos falar na inteligência artificial (robôs e máquinas atingiriam, nos testes, os coeficientes de inteligência acima dos de muitos políticos autoritários), milhares de pessoas ainda não duvidam da integridade psíquica e emocional das “flanelinhas espirituais”.

Hoje transações financeiras, pagamentos e recebimentos de dinheiro, antes feitas por meio de cédulas de papel ou cheques, muitas vezes, depois de horas de espera nas filas dos bancos, são atualmente, as ditas transações, efetuadas por cartões, senhas e “maquininhas”, sem contato físico com o papel moeda.

O progresso não pára.

E agora testemunhamos o surgimento do tal cartão por aproximação.

Mas, meu amigo existe ainda muito problema antigo sem solução aparente, como por exemplo, o daquele padrasto (injurioso, doidinho de tudo) que, durante as visitas sigilosas, às ocultas, altas horas da noite, ao quarto do enteado mocinho, já treinado na assunção dos papéis femininos, ensinados por outro tiozão mais velho, boiola de longa data:

- É só ele se aproximar de mim, vendo-me pelado, que já expele aquela nojeira toda. Pode isso, pessoa?

 

 

 

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