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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Abril 28, 2016

Fernando Zocca

 

Senadores do PT estão sendo iludidos na votação dos requerimentos feitos na comissão especial do impeachment. No requerimento 23 da senadora Gleisi Hoffmann quando o presidente o coloca em votação dizendo que “os que o aprovam permaneçam como se encontram” e permanecendo a maioria sentada, a conclusão seria de que o requerimento foi aprovado. No entanto, o presidente da comissão, ouvindo uma assessora, declarou-o rejeitado.

Esse fato ocorreu com dois ou três requerimentos da bancada petista.

O pedido de impeachment é formulado por integrantes do PSDB, a comissão especial que julga o trâmite do processo é composta por integrantes também do PSDB.

Não se atentou para a incidência da suspeição que é a figura jurídica que impede o juiz de julgar uma causa por ter interesse no seu desfecho.

As fontes do direito são a lei, a doutrina, a jurisprudência e quando não previsível o fato em questão aplica-se a analogia.

Em não havendo disposição legal sobre a suspeição dos componentes das comissões especiais deve-se aplicar as normas norteadoras da suspeição aos juízes componentes do poder judiciário.

Abril 24, 2016

Fernando Zocca

 

 

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A Internet tem essa característica de proporcionar oportunidade para a manifestação e expressão do pensamento nunca antes havida em toda a história da humanidade.

Imagina como era na Idade Média. O sujeito falava de um púlpito e pronto, em não havendo como responder, tudo o que fora dito ali era tido como verdadeiro.

O sujeito no século XVI ou XVII expressava sua opinião por meio dum folheto ou jornal e, em não tendo forma nenhuma de contestação, pimba, lá estava a “verdade verdadeira” dos fatos contra quem quer que fosse.

Na década de 1930 o cidadão falava nos programas de rádio e não havendo como o contribuinte demonstrar a sua versão, pronto, ali estavam os fatos que se tornavam, com o passar do tempo, incontestes.

Em 1974/1975 o nobilíssimo edil, mesmo eleito com 500 votos, ou menos, discursando na tribuna da câmara municipal, faria ter contra os prováveis desafetos opiniões dificilmente contraditadas.

E você sabe: a opinião pública é uma onda tão poderosa que tanto pode dignificar incluindo as pessoas como demonizá-las excluindo-as. A opinião pública tanto põe como  tira gente do poder.

Mas, essas dinâmicas todas, das opiniões que não são contestadas, não diferem daquela em que o sujeito ao ouvir uma fofoca, um mexerico, acredita prontamente, independente de ouvir a versão daquele contra quem falam mal.

Os discursos da oposição tornam-se equivocadíssimos quando se baseiam nas opiniões próprias distantes da realidade dos fatos.

Quando a fundamentação toda do raciocínio oposicionista funda-se no “ouvir dizer”, na suspeita, na fofoca, no mexerico dos enxeridos, certamente gerará manifestações não condizentes com a verdade.

Um acontecimento não tem somente um lado relatado por aqueles que o vivenciam. Há outras versões e, quando falam muito sobre um mesmo assunto, batem numa mesma tecla, fazendo o tal de “cavalo de batalha”, pode ter a certeza de que não existe tanta pureza assim nos relatos.

Pois não existe, nos processos judiciais, o conluio, a combinação de duas, três ou mais pessoas, para manterem certas versões que mais interessariam à parte defendida?

Numa classe de alunos há aqueles que aprendem melhor os ensinamentos do mestre, da mesma forma que não deixa de haver os que não conseguem entender as explicações de jeito nenhum.

E não é porque a realidade da turma retardatária seja causadora de muito incômodo que os melhores mestres deixarão de avançar na matéria. E muito menos o bom professor ralhará, ou chamará a atenção, dos que se destacam tirando as melhores notas.

Entretanto ainda existe, meu amigo, você pode acreditar, mentes tão brilhantes que em vez de promoverem os atrasadinhos, investigarem as causas dos tamanhos empacamentos, das lerdezas, resolvem punir os alunos que aprendem mais facilmente os ensinamentos.

Ou seja, o professor que assim age não estaria, mas não estaria mesmo, apto a promover o progresso dos seus alunos, da sua escola, da sua cidade, do seu estado, e muito menos do seu país.

Ora o mestre que, ao contrário de privilegiar os que aprendem a matéria, os pune, regozijando-se com os revoltados, sinaliza que, ou não tem a capacidade suficiente para ensinar os retardadinhos, demonstrando medo deles, ou os que aprendem fácil, fazem surgir nele, um ciúme inconfessável passível de censura.

Quando Jesus e a Igreja Católica dão preferência aos mais pobres, humildes, mansos de coração, não a dão aos revoltados, aos cruéis, aos odientos, caluniadores, difamadores, pedófilos, que destroem as casas do quarteirão, matam os cães da vizinhança, depredam as árvores, ameaçam e constrangem crianças e velhos.

Aos que praticam essas barbaridades todas, caberia o arrependimento, a mudança de comportamento, “o morrer para o pecado”, a metanoia, e o compromisso com Jesus Cristo.

Demonstram compaixão aos que transgridem as leis aqueles que lhes mostram os erros, os equívocos, admoestando-os, chamando-lhes a atenção para que deixem de trilhar os maus caminhos, os maus costumes.

 

 

Abril 20, 2016

Fernando Zocca

 

 

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O Serviço Municipal de Água e Esgoto (SEMAE) que durante mais de uma década foi dirigido pelo presidente do PSDB em Piracicaba, passou a apresentar, depois de um certo tempo, disfunção importante que resultou em protestos veementes na Câmara Municipal e processos no judiciário.

A hipótese da intenção do sucateamento da entidade, com objetivo de privatizá-la, foi praticamente confirmada diante da ineficiência dos serviços prestados à população, bem como pela total desorganização interna.

A exacerbação nos preços cobrados pelo fornecimento da água potável foi o gatilho desencadeador da revolta de grande parte da população. Com aumentos de 100% a 150% nas contas mensais milhares de consumidores viram-se inadimplentes. Um fato inusitado inaugurou-se nestes tempos de administração esquisita: o parcelamento do pagamento das contas do consumo da água.

A câmara municipal, apoio incontestável da política tucana em Piracicaba, ao negar-se a aprovar moções de repúdio, instauração da comissão parlamentar de inquérito, para frear as decisões equivocadas da administração, legislava sem no entanto o perceber, contra os interesses dos eleitores.

A ausência do senso crítico no partido favoreceu a falsa ideia de que a adesão às orientações da presidência era mais importante, para a manutenção da coesão partidária, do que a satisfação dos clamores do povo.

Há quem veja resíduos do nazismo/fascismo nas ações do presidente afastado do SEMAE. Diante da certeza do seu erro administrativo, lançou ele, contra a população, as suas injustiças, da mesma forma que Hitler, diante da derrota iminente, valeu-se do que chamava a solução final.

O certo é que o ministério público investiga as ocorrências. Os vários aumentos sucessivos dos preços dos serviços prestados pela entidade podem ser revogados.

Essa forma especial de ver e resolver os problemas levou muitos proprietários de piscinas de quintal a deixarem de lado aqueles folguedos do fim de semana. O usufruir das águas pode ser muito mais oneroso do que a carne, o carvão, a cerveja e a música dos tais ruidosos embalos festivos.

Com bom senso, equilíbrio, sensatez, é claro, os cálculos da contabilidade podem ser mais exatamente elaborados.

Superfaturar os preços não cai bem para quem está há tanto tempo exercendo a função de dirigir os negócios da cidade.

Imagine que outro dia ouvi um cidadão dizendo: “sorte tinha o Beethoven que, por ser surdo, livrou-se de ouvir o que não gostaria”.

Mas melhor mesmo do que uma simples piscina de água do SEMAE seria aquela repleta de dinheiro, igual a do Tio Patinhas.

Já imaginou o camarada chegando à tardezinha do serviço estafante do escritório chato e botando aquela sunga maneira joga-se de costas na piscina cheinha de dólares e moedas?

Até o sobrinho do Patinhas, o Pato Donald, namorado da Margarida, se sentiria tentado na aventura.

O bom de uma piscina dessas, de grana, é que não precisa de tratamento frequente com cloro. Ela não teria o inconveniente de, no caso de abandono, ser viveiro dos mosquitos causadores da Zika e da Dengue. As dos clubes sociais que se transformam em condomínios luxuosos também.

 

Abril 18, 2016

Fernando Zocca

 

 

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Fiquei muito triste com o resultado da votação do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma.

Tem gente decepcionada e também muitos revoltados. Existem simpatizantes dos “golpistas” que aproveitando o clima, soltam suas descomposturas nos derrotados.

E o que é que se vai fazer? Há situações que não dependem só da nossa vontade. O poeta, e o artista, para criarem suas expressões, manifestações de arte, além de dom, precisam da inspiração. O trabalhador, para trabalhar, precisa do serviço de quem o tem.

Em 1744 nasceu em Mohrungen, na Prússia, o filósofo Johann Gottfried Herder e sobre a poesia, a inspiração, disse ele: “Se as folhas da árvore fazem descer sobre o pobre solitário sua frescura sussurrante, se o zéfiro geme refrescando-lhe as faces, ele tem muito interesse em conhecer esses seres benéficos e sentir-se-á inclinado a nomeá-los (…). A árvore chamar-se-á sussurrante; o zéfiro o fremente; o riacho, o murmurador”.

A busca dos mitos, fábulas, narrativas, poemas faz parte, segundo Giambattista Vico (1668-1744) da investigação filosófica.

Vico dizia que todos os povos passam por três estágios ou idades: a primeira é a dos deuses, a segunda é a de heróis, e a terceira é a idade dos homens, onde impera a razão. 

Herder foi vítima de um engano. Ele acreditava encontrar em Ossian – um poeta celta antigo - o exemplo do gênio de um povo, mas Ossian nunca existiu.

O ex-presidente Lula não é D. Pedro II e nem Dilma a princesa Isabel, mas recebem a mesma consideração dada a eles pelos republicanos.

A indústria cultural (Theodor Wiesengrund-Adorno, 1903-1969) que polariza a opinião pública, que emprega milhares de pessoas, movimenta bilhões e bilhões de dólares, é a que mais pode encontrar crime onde não existe.

Abril 10, 2016

Fernando Zocca

 

 

Já disse por meio de inúmeros artigos publicados nos meus blogs, ao longo de tanto tempo de Internet, que advoguei em Piracicaba por mais de uma vintena de anos.

Minha atuação restringia-se, a princípio, nas lides criminais, mas não sem agir nas causas trabalhistas e cíveis.

Numa comarca onde o número de profissionais supera, em muito, a existência dos litígios potencialmente rentáveis ao exercício da advocacia, o atrelamento dos profissionais do direito aos programas do tipo Assistência Judiciária Gratuita, patrocinados pelo governo do estado é, sem sombra de dúvidas, essencial para a sobrevivência.

Desta forma o gerenciamento da distribuição das causas entre os advogados inscritos ficava sujeita ao controle e manipulação feitas por quem exerce o tráfico de influência na cidade.

E, em Piracicaba, não existe, até o presente momento, ninguém mais danoso e controlador do que alguns componentes do PSDB.

Então não era raro observar certas ironias, pegadinhas e trotes com características semelhantes aos usados nas acolhidas dos calouros da Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz (ESALQ).

Com alguns exemplos simples você pode avaliar o grau de interferência, escárnio e mandonismo que se dava nesta comarca.

O advogado recebia no seu escritório uma causa em que deveria defender seu cliente duma cobrança de taxas condominiais. Elencando os motivos ensejadores da tal situação, juntada dos documentos e argumentação fundada na lei, doutrina e jurisprudência, o causídico tocava o processo com relativa facilidade para o desespero geral, incontido e irrestrito da parte contrária, até que, de repente, assim sem mais nem porque, lhe surgia no escritório um outro cliente com a causa de pedir semelhante ao do credor das taxas condominiais.

Ou seja, por necessidade financeira, lá ia o doutor desdizer, num processo posterior, o que dissera num anterior.

Em outras palavras o controle situacional jurídico da comarca punha o profissional contra si próprio quando seus argumentos, num caso, eram contraditados por ele mesmo noutro, na troca das posições.

Era a dinâmica mais usada e que se observa agora no campo político da cidade. Ou seja, as características condenáveis do partido dominante tais como as construções suntuosas dos prédios públicos, em detrimento da atenção à população mais pobre, são agora assimiladas e emuladas pelo bispado da diocese que desejaria construir um palácio episcopal em condomínio de luxo.

Então o cidadão que “metia o pau” na política ostentatória tucana agora, se pertencer à entidade ligada à Igreja deve condenar também os das suas próprias fileiras. Ou calar-se.

Isso é bem próprio dessa política mesquinha do PSDB há tantos e tantos anos enquistado no poder.

Mas, voltando à vaca fria, a produção acelerada de bacharéis em direito feita pelas “fábricas sem chaminés” causam alguns efeitos colaterais tais como a congestão crônica do judiciário e o aviltamento dos honorários advocatícios.

Da primeira resulta a ineficiência da instituição com enormes chances de prejuízos concretos a quem se aventura a submeter-lhe suas questões. Dessa situação decorre o ditado: “Mais vale um péssimo acordo, do que uma ótima demanda”.

O segundo efeito colateral da produção indiscriminada dos profissionais bacharéis em direito é o aviltamento dos honorários. Ora, de nada adianta a estipulação de uma tabela de  honorários, se quem se dispõe a trabalhar por menos, assim o faz em detrimento da classe toda.

É sabido que depois de formado o advogado pode ganhar mensalmente valores bem menores do que as mensalidades que pagou durante os quatro anos do seu curso.

Percebemos o desequilíbrio das classes numa sociedade quando os serviços por elas prestados não atingem satisfatoriamente os seus objetivos.

Na categoria dos advogados em que há um contingente hiperplásico, o entupimento dos cartórios, por milhares de processos, impede a satisfação das pretensões jurídicas.

Por outro lado na categoria hipoplásica e encarquilhada dos médicos, por carência de profissionais, os serviços por ela prestados estão longe, bem longe, de serem os suficientes. Tanto é assim que o governo federal precisou criar o tal programa Mais Médicos.

Essas situações todas são decorrentes das decisões políticas. Aqui em Piracicaba, apesar de autorizada pelo governo federal, a faculdade de medicina, não pode funcionar por contrariar os interesses dos setores políticos conservadores.

As entidades de classe tipo Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Federal de Engenharia, Conselho Federal de Medicina, Conselho Federal de Psicologia, têm por função defender os interesses dos que nelas estão inscritos. São interesses dos associados o trabalho e a remuneração. Ora não pode defender bem seus associados a entidade que, vencida nos plenários legislativos, permite a subtração das atribuições a ela sempre garantidas.

Desta forma o preceito constitucional “O advogado é indispensável à administração da justiça” é “anulado” quando a lei admite a efetivação de separações, divórcios, inventários e partilhas, nos cartórios, sem a presença do advogado.

A eficiência corporativa nota-se quando uma atribuição da classe é mantida apesar das tentativas legislativas contrárias. Assim, quando a classe médica se vê ameaçada por um projeto que pretende lhe retirar o privilégio de receitar medicamentos mesmo os de comércio comum nas farmácias, impede-lhe a aprovação.

Da mesma forma, a entidade agasalhadora da classe médica, mostra sua eficácia quando um projeto oriundo da categoria dos psicólogos postula o direito de diagnosticar doenças tais como a esquizofrenia e é vergonhosamente derrotado.

A Ordem dos Advogados do Brasil deveria estar mais cuidando dos direitos, interesses dos seus associados, do que procurando exposição na mídia nacional com tais tolos pedidos de impeachment da presidência da república.

É o que, há muito tempo, venho dizendo.   

 

Abril 05, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Pretender derrubar um governo por ser ele apoiado por alguém que supostamente transgrediu tabu, seria o mesmo que propor a queda da monarquia inglesa por ter ela a simpatia do filósofo David Hume (1711-1776), ou do governo português, respeitado por José Saramago (1922-2010).

Seria muito injusto, e desproporcional, condenar as preferências dos tais autores, só por terem eles escrito muito sobre a Bíblia.

Esse tipo de retaliação indireta assemelha-se à atitude do político que, desejando punir alguém supostamente transgressor das normas de conduta, penaliza a população toda com os aumentos dos preços das contas da água.

A intenção de punir os outros, por supostos erros de alguns, difere da tentativa de punição direta como no caso de Salman Rushdie (1947) que, por escrever os Versos Satânicos, foi condenado à morte pelos muçulmanos.

Em todos esses casos observam-se as ações fundadas no ódio, desejo de vingança e séria incapacidade, das cabeças duras, para a racionalização.

Dessa dinâmica de “punir o filho por erro do pai” - os inocentes pagam pelos pecadores - faz parte a arregimentação das forças, por exemplo, de um governo, a serem orientadas a se voltarem contra o próprio governo.

Na prática, hoje em dia, vemos o agir do Judas Iscariotes ou do Joaquim Silvério dos Reis no comportamento do deputado federal Eduardo Cunha que, por não obter o apoio necessário dos seus aliados, voltou-se contra suas próprias estruturas, favorecendo legislação contrária à integridade financeira do estado.

Quando numa avenida, com o trânsito intenso de veículos, o motorista pretendendo sair do fluxo, para entrar na garagem da sua casa e, ao contrário de sinalizar a parada, parar, e manobrar, ele abruptamente, invade a calçada sem se importar com os pedestres que estão passando, sinaliza que mais teme os danos que seu carro possa sofrer do que os possíveis prejuízos causáveis à saúde dos transeuntes.

Da mesma forma é o pensamento do sujeito que para se livrar dos prováveis castigos cometidos por seus crimes procura prejudicar a quem lhe serve de aliado. Ou seja, o cara por estar de bronca com o presidente do clube, marca um gol contra, justamente na partida da decisão do campeonato.

São os inseguros, os ratos, os primeiros a cair fora da situação quando ela não se mostra tão favorável.

Faz parte da personalidade desse tipo o agredir o entorno, aos próximos, quando dentro do ambiente em que vive, ou mesmo em si próprio, há muito desconforto suficientemente insuportável e insolúvel.

É mais fácil arrumar um culpado por todos os dissabores vivenciados no momento do que buscar, e encontrar, a solução para os problemas.

Quando Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu O Príncipe (1532) ele mostrou como eram os bastidores da política do seu tempo. Entretanto o texto veio na forma de “ensinamento” ao político de como ele deveria agir para obter o poder, livrar-se dos adversários e manter-se no comando.

Não podemos negar que o entendimento do politico comum de hoje, é de que o constatado na obra do escritor seria o correto a ser seguido como receita infalível para a obtenção e a manutenção do poder.

Daí, o que a gente vê no dia a dia é esse lamentável suceder dos escândalos e injustiças que abalam as estruturas do estado.

O amar ao teu próximo como a ti mesmo, ensinado por Jesus significa que quando os doidos de um quarteirão atacam os vizinhos, matam os cachorros, destroem as árvores e as casas desocupadas é desse mesmo jeito que eles gostam de si.

Não é a indiferença da sociedade para com os transgressores que os salvará. O que os livrará das profundezas do inferno é a “reforma interna”, a metanoia, é o “morrer para o pecado”, o transformar-se, é o aprender a conviver em paz, louvando o sagrado.

 

Abril 03, 2016

Fernando Zocca

Neste verão passado, chuvas torrenciais, muita água e vento, durante as tempestades, derrubaram dezenas de árvores na capital paulista.
Houveram muitos prejuízos materiais, feridos e até mortos. A imprevisibilidade e a negligência podem estar no rol das causas dos tantos males sofridos pelos cidadãos.
Quando a gente vê uma árvore muito grande, bem alta, já envelhecida, com o tronco muita vez circundado por parasitas, pode imaginar que suas raízes já não são as mesmas. Então quando surgem as ventanias elas simplesmente não aguentam vindo ao solo causando a destruição.
Aqui em Piracicaba existem centenas de árvores muito altas, cujas copas espalhando-se pela vizinhança do tronco, acumulam muita água das chuvas tornando o peso praticamente insuportável para as raízes já não tão saudáveis.
Muitas e muitas pessoas diante de um problemão desses liga para o 156 da prefeitura comunicando a possibilidade dos estragos que a situação pode causar.
Mas nem sempre os moradores são atendidos. A posse dos protocolos e mais protocolos, da entidade pública, solicitada a resolver os problemas, não vale nada.
O sujeito perde mais tempo indo atrás das pessoas responsáveis pela solução destes imbróglios do que ganha esperança de resolvê-los.
E quando a canseira é bem maior do que o medo de que a queda da árvore possa danar os automóveis, os telhados, os muros e as casas dos moradores, então não resta nada mais do que rezar pedindo a Deus o livramento das chateações tamanhas.
Apesar de existirem normas reguladoras desse assunto donde emanam enunciados de que quem promover o corte ou a poda da árvore, existente na rua, pode ser apenado com multas pesadas, ainda, mesmo assim, tem quem destrua a planta existente defronte a sua casa.
E como geralmente quem faz isso é muito “esperto”, aos possíveis questionamentos das autoridades, sempre poderá responder que “ela estava podre e morreu”.
Uma técnica observada, com muita frequencia, na ação fatal contra as árvores, é a do anelamento que consiste em tirar a casca do tronco, na altura da raiz.
Passadas algumas semanas depois deste ato vandálico, o vegetal começa a secar. Da mesma forma que o cão, envenenado por uma vizinha maluca, morre aos pouquinhos, sem chance de sobreviver, a árvore inicia também, sem poder se nutrir e respirar, um processo mórbido deixando cair as folhas; seus galhos logo secam inapelavelmente.
Então, da mesma forma que o dono do cão neurótico, louco, que ataca as pessoas nas ruas, ao ser questionado, afirma não ser o proprietário dele, o matador das árvores nega veementemente não ter sido ele o autor da tão condenável atitude.
O mal que habita pessoas assim é o mesmo que leva o deputado federal a receber propina depositando a fortuna no exterior.
Ou seja, não haveria um mínimo de consideração para com as coisas, inclusive as públicas. A perversidade é mais intensa do que o medo das possíveis punições que os tais meliantes possam receber.
Perceba que a alegação do desconhecimento da proibição da prática do ato destruidor da árvore pode, muita vez, encorajar a mentalidade insana a diariamente buscar a degeneração do vegetal plantado na calçada, bem na frente da sua própria casa.
Os “cabeças de burro” de um quarteirão valorizam mais os zumbidos bizorrais que podem produzir suas gargantas do que a estética e a limpeza do lugar onde vivem.
É uma pena que, ainda hoje, os ensinamentos escolares sejam insuficientes para formar personalidades capazes de valorizar mais o todo, o ambiente em que vivem, do que seus direitos de serem loucos irresponsáveis, agressores impunes, daqueles a quem antipatizam.
Mas apesar disso tudo, meu amigo, a gente ainda tem esperança de ver o sujeito que mata as árvores, o cão do vizinho, o padrasto maligno que abusa sexualmente dos enteados, a doidona que sendo portadora de afecção pulmonar, usa teimosamente o tabaco, descontando depois o sofrimento obtido, no inusitado bater violento da porta do barraco, o deputado ladrão esperto, a gente ainda tem, repetimos, a esperança de vê-los receberem o retorno, as consequencias, que merecem.
Colhe-se o que se planta.

 

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