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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Maio 30, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Ficamos felizes quando ganhamos presentes bons, úteis; mais alegres ainda se, ao recebermos os agrados, somos crianças.

Cremos que em qualquer idade, tanto na infância quanto na velhice, os presentes podem significar o grau de importância atribuída ao presenteado, por aqueles presenteadores.

Quando ainda pequenos o quanto não nos pode agradar os brinquedos recebidos de um conhecido, mesmo sabendo que eles não são novos?

A troca da posse, a mudança do domínio sobre os objetos infantis, ou mesmo das coisas desejáveis pelo adulto presenteado, indica a diminuição de certo valor do rol dos bens de quem presenteia, em troca da satisfação e prazer do favorecido.

O objeto presente, ou a coisa com que se presenteia, precisa ser próprio do presenteador; se assim não for haveria a caracterização daquela prática condenável de “fazer gentileza com chapéu alheio.”

Mas o objeto presente, isto é, a coisa com que se agrada a alguém, não é a mesma (embora até possa ser) do que o estar presente, por exemplo, numa sala de aulas ou sessão camarária.

Nem sempre presentear significa o desejo sincero de alegrar ou felicitar o presenteado; tanto é assim que o tal “presente de grego” não é salutar aos considerados amigos.

E aos que consideram que “ninguém dá ponto sem nó”, a função do presente seria a da obtenção da satisfação posterior.

Então, desta forma, não seria nada esquisito que, numa determinada época do ano, alguém presenteando seus concidadãos com um pé de sapato, do tênis caro, ou mesmo com a metade duma nota de dinheiro, prometesse doar a outra parte, logo depois de eleito.

Revestidos de retribuições são os presentes que se obtém na forma de vitórias nas licitações públicas de determinadas cidades, estados ou país.

Já imaginaram o que seria de certos candidatos sem as empreiteiras que lhes financiassem as campanhas?

Nem sempre a troca de presentes está restrita às datas importantes, como por exemplo, no Natal. Neste sentido o entendimento de presentear deve ser o de troca de favores; ou seja: “Você me dá a grana pra financiar a campanha e eu te dou o direito (por passes de mágica nas licitações), de fazer as obras públicas com os superfaturamentos rendosos, é claro”.

Mas presentes bons mesmo são aqueles que suprem necessidades, carências, precisões.

De nada serviria a alguém receber algo que já tivesse. Então, camisas para os descamisados, sapatos para os pés descalços, casas para os desabrigados, empregos para os desempregados, e amores para os mal amados, não seriam presentes desnecessários.

Se o berimbau e o piano têm cordas ou fios não são as crianças que o sabem. Melhor presente seria informar sobre o desconforto que as traquinagens infantis causariam aos adultos do que levá-las ao cometimento dos atos condenáveis pela família e a sociedade.

Mas político não é professor, compreende? Se para este o objetivo é conduzir seus alunos aos bons caminhos e ideais, para aquele a preferência seria a de salvar-se da penúria, mesmo que com isso causasse o arruinamento das instituições da sua cidade, do seu estado ou país.

Infeliz o político que ao enganar, mentir, subtrair para si, ou para alguém, as coisas públicas, pensa que faz igual aos jogadores de futebol, que com aqueles seus dribles fabulosos, enganam os adversários, levando o seu time à vitória.

 

Maio 22, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Mônica Lewinsky.jpeg

 

Que auxílio mais significativo, os fabricantes norte-americanos de veículos, poderiam receber do seu governo?

É claro que não haveria incentivo maior, para a produção de carros e caminhonetes grandes, como a redução dos preços dos combustíveis.

Então, se as vendas andavam raras, com essa “forcinha” governamental, baixando os preços da gasolina, e os outros derivados do petróleo, a indústria e o comércio dos veículos, conhecidos por consumirem muito combustível, estão agora sob bons ventos.

Não há como negar que a proximidade das eleições inspiraria esse e muitos mais outros atos oficiais componentes do enorme pacote de bondades ofertados pelos ocupantes da Casa Branca.

Nesses tempos são mais fortes os motivadores da queima despreocupada dos derivados do petróleo – retirados do subsolo e incinerados na atmosfera – do que a minimização do desconforto dos ambientalistas queixosos da contaminação do ar, da água e da terra.

A corrida presidencial para ocupar a Casa Branca chega a um momento em que os Democratas, há já um bom tempo na presidência, ainda não decidiram quem será o seu candidato real: se Hillary Clinton ou Bernie Sanders.

Os Republicanos, que no Brasil se equivaleriam ao PSDB, despontam com Donald Trump, um bilionário obcecado em defender os valores, as instituições, o povo norte-americano, com a construção de muros na fronteira do México e com a proibição da entrada dos muçulmanos no país.

Hillary é esposa do ex-presidente Bill Clinton que participou de um episódio escandalizante da instituição, quando manteve relação amorosa com a estagiaria Mônica Lewinski (foto), num dos salões da Casa Branca.

A estagiária escreveu até um livro contando a história. Diziam as más-línguas que logo depois dos fatos tornarem-se do conhecimento da opinião pública, ela não podia ver alguém chupando sorvete, pirulito, ou tocando flauta doce, que adoecia.

Mas Hillary é a primeira mulher com grandes possibilidades de exercer o cargo de presidente dos Estados Unidos. Essa tendência das mulheres ocuparem os mais importantes postos de comando é mundial. No Chile, Argentina, Alemanha e Brasil as mulheres superando os limites, foram eleitas, governam e governaram sem maiores problemas.

Quando o machismo cruel deixa de influir de forma tão sufocante parece que a fluidez de tudo fica mais favorável.

Mas é certo também que a incompreensão, a falta de paciência e a queda para as atitudes precipitadas podem, utilizando dois pesos e duas medidas, abreviar de forma bem injusta, o mandato de quem o obteve legitimamente.

São raros os golpes destituidores de presidentes e chefes do executivo nas nações mais antigas. Há quanto tempo não se fala nisso na Itália, França, Alemanha, Espanha, Portugal e outros?

Talvez o mais constante uso dos meios racionais de resolver os problemas – em detrimento dos impulsivos - seja o componente indispensável das causas da paz aparente nestes países.

Afinal, conversar vale mais do que agredir com “voadoras” o suposto adverso. Dialogar custaria menos do que os bofetões e safanões em quem não poderia concordar com o que não lhe agradasse.

Não devemos fazer aos outros o que não desejaríamos que fizessem conosco. É bom, salutar até, que façamos a alguém tudo o que gostaríamos que nos fizessem.

Desta forma muitos conflitos se resolveriam; haveria sossego e muitos mais bons momentos durante essa caminhada até o destino final.

Maio 17, 2016

Fernando Zocca

 

 

Atos de Império.jpg

 

O recém-empossado golpista Henrique Meireles disse numa recente entrevista pela TV a frase que deixou muita gente confusa: “vamos devagar que eu tenho pressa”.

Alguém entendeu isso?

O que teria inspirado a tal autoridade a manifestar-se desta forma controversa? Talvez ele pensasse numa violenta corrida de automóveis em que ele, estando numa das últimas posições, clamasse aos competidores da frente que o deixassem passar.

Quem sabe?

Não concordo com aqueles que afirmam ser o preclaro professor golpista um sério candidato às medicações psiquiátricas destinadas aos portadores da demência senil.

A gente vê claramente que esse processo de impeachment não passa de uma retaliação vingativa movida, muito menos por questões técnicas, do que pelas de ordem moral.

É como se os patrões da empresa, percebendo que seus trabalhadores discutiam na hora do almoço, assuntos relacionados à religião, por exemplo, e estando alguns deles crendo em ensinamentos diversos daqueles dos senhores professores doutores proprietários, resolvessem demitir todos os discordantes.

Isso é bastante absurdo como seria também se, em decorrência de uns pontapés numa imagem de santa, num programa de televisão, desferidos por um pastor crente, houvesse alguém muitíssimo zeloso encontrado motivos de sobra para requerer o impeachment de um político protestante.

Você percebe o quanto o orgulho, a vaidade, a empáfia e o autoritarismo, das mentes políticas arcaicas, prejudicam o bem-estar da população, quando teimosamente, vereadores negam-se a assinar moções de repúdio ao presidente da entidade municipal que, a olhos vistos, comete impunemente, erros grosseiros na fixação dos valores a serem cobrados pelo consumo da água.

Da mesma forma os vereadores da bancada governista agem em benefício próprio, e dos seus mandatos, em prejuízo da população eleitora, quando se negam a assinar o pedido de abertura de CPI objetivadora do esclarecimento das causas, das justificativas de tantos erros na fixação dos preços da água consumida no município.

O chamado “não dar o braço a torcer” que nada mais é do que a manifestação do orgulho, do ciúme, e da inveja, também transparece, fica evidentíssimo, quando o governo municipal vacila em instalar a faculdade de medicina, autorizada pelo governo federal, ou receia entregar mais de 1.000 apartamentos do programa minha casa minha vida.

Essa espécie de “sabotagem política” visa, antes de tudo, obscurecer a eficiência do partido adverso, ao mesmo tempo em que obnubila a própria incapacidade operacional.

Quem paga o atraso, o subdesenvolvimento, com variadíssimos sofrimentos pessoais é a população eleitora.

Ao presidente golpista Michel Temer e a todo seu stafe descabe legitimidade. Não foram eleitos pelo voto direto e, por mais que façam, tenham a mídia ao seu lado, nunca terão a aprovação dos 54 milhões de votos.

Não deixa de existir gente crente de que os motores da guerra fria, dos anos posteriores ao término da II Guerra Mundial, estão ainda em pleno funcionamento no Brasil e na América Latina.

São dois pesos e duas medidas. As ações consideradas irregulares, pela oposição, supostamente cometidas em desacordo com a lei, sempre obtiveram ressonância nos governos antecessores.

Assim, quando Fernando Henrique Cardoso ocupava a presidência, lançou ele mão dos recursos utilizados por Dilma recentemente; nem por isso houve acusações de irregularidades, e não foram por estes motivos, requeridos contra seu mandato, pedidos de impeachment.

Em que pese a existência das sérias suspeitas de irregularidades nas licitações para a construção das estações de trens e metrôs de São Paulo e Brasília, pelos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos eles utilizaram as mesmas técnicas administrativas motivos do pedido de impeachment contra Dilma Rousself.

São injustiças cometidas em nome da ideologia política. É como se o empresariado dissesse: “Olha, nós queremos políticas menos populares; que não destaquem tanto assim o povo pobre. Isso não nos serve. Somos nós empresários que pagamos os impostos e queremos vê-los aplicados nas ações que possam resultar em, pelo menos, nos bons conceitos das agências avaliadoras internacionais”.

Hoje pela manhã depois da corrida matinal lá no parque do Piracicamirim (foto) ouvi uma frase interessante que retrata bem o momento político que vivemos: “Teorizo que, sem temer, na minha casa não moro”.

Concluí que isso não poderia ter vindo de mente que não estivesse acostumadíssima com a submissão e subserviência imposta, durante 21 anos, pelas agressões do regime militar.

Maio 13, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Quem não ouviu parte dos discursos “justificativos” da patacoada levada a cabo no senado federal no dia 11?

Muitos dos que presenciaram os lero-leros concluíram que eram os sujos falando dos mal lavados.

Até o Titanic foi evocado. Disseram que não foi preciso encontrar o iceberg para que o governo afundasse. Que criatividade, hein?

A certeza de que os homens mais corruptos do mundo votaram num processo de destituição de cargo não é só de alguns.

Imagine: até a convicção de que “para que a minoria não esmagasse a maioria” reforçou o voto contrário à instituição presidência da república.

Entretanto, meu amigo, havemos de concordar com o fato de que os crimes resultantes na diminuição do patrimônio público, com o consequente aumento dos bens do politico parlamentar, são muito mais graves do que as meras palavras soltas no ar por meio dum microfone ou impressas no papel. Compreende?

Aqueles xingamentos podemos esquecer, ou fazer o mesmo que o xingador, ofendendo alguém. Mas a ofensa, causada pela situação material, posição social, advindas com o dinheiro obtido criminosamente, por meio duma licitação viciada, só pode ser reparada com a devolução do numerário.

Olha, para mim, essa tal de crise não passa de uma tremenda onda ficcional semelhante as que recheiam as novelas, as peças teatrais e os filmes.

Ninguém aventou a hipótese de que a amnésia, muito própria dos cérebros senis, pode ter sido o fator decisivo na elaboração das teses embasadoras dessa doideira chamada impeachment?

Não é incomum certos velhinhos (por força do Alzheimer) crerem que tal fulano, ou sicrano, ficou com esse ou aquele dinheiro, mas que depois de algum tempo, reconhecem (ainda bem, graças a Deus) que não era nada daquilo que afirmavam.

Quem crê que Michel Temer fará um governo melhor do que o deposto, crê antes de tudo, que só as notícias positivas serão divulgadas pela mídia.

Como pode um país funcionar corretamente quando parte da sua elite age como os alunos mimados do colégio particular, sensíveis às notas de avaliação?

Veja o quão inusitada é a situação em que as avaliações das “agências” internacionais teriam tanto valor na convicção de que a economia nacional vai deste ou daquele modo.

Os embustes de Michel Temer não resistirão ao tempo da mesma forma que não resistiram as farsas licitatórias de um certo prefeito que, para se perpetuar no cargo, usava no material de campanha, a figura de um respeitável preto velho.

No mais podemos notar que houve um aprimoramento na forma de usurpar o poder. Se antes, com Getúlio Vargas (1930), e com os generais (1964), a entrada no palácio se dava por arrombamentos com as mãos armadas, hoje em dia, a sutileza e a delicadeza, propiciam os mesmos frutos sem gerar tanta agitação.

Mas não é melhor, mais tranquila, a aquisição da miríade de sinecuras com os artifícios do Artigo 171 do Código Penal do que pelos calores do 157?

Olha politico amigo: não é a sua veemência, incompreensão, impaciência, inconformismo, ódio, desejo de vingança, de destruição, da esperança em reeleger-se, que farão as pessoas ignorarem que são as atitudes criminosas cometidas por você as verdadeiras responsáveis pelas misérias no Brasil.

Não está difícil de entender, né?

São desnecessários desenhos, gráficos ou ilustrações para esclarecer que as roubalheiras mais prejudiciais ocorrem sempre no âmbito da administração pública. Quando uns doidinhos roubam uma herança prejudicam no máximo cinco ou seis familiares. Mas quando o político mete a mão no que não é dele, sendo os produtos dos crimes propriedades do país, prejudica milhões e milhões de pessoas. São fatos inegáveis, incontestáveis.

Na verdade, caro amigo, esse impeachment para o povo não muda nada. O que ele verá, como sempre foi, é a troca dos comensais na mesa do restaurante ou das moscas no monturo.

 

Maio 11, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Passamos quatro anos acompanhando os trabalhos do legislativo municipal e não assistimos discursos, debates, ou intervenções de alguns vereadores.

Não porque não os presenciamos quando se deram, mas sim por não terem se manifestado os tais titulares dos mandatos.

A ausência na tribuna marcou mais a representação, com características omissivas, de certos setores da sociedade, do que os evidenciou pela participação ativa.

A tal passividade destacadíssima não deixou de evocar os bancos dos grupos escolares onde a professorinha, com a régua na mão, esbravejava os enunciados da tabuada grafados com giz na lousa: 2 x 2 = 4.

Na câmara dos deputados federais a estadia na suplência pode ter sido o fator determinante do eclipse daquele vetusto representante caipiracicabano. Talvez por isso (quem sabe?) o xingadíssimo Waldir Maranhão pode brilhar como brilhou.

Voltando ao plano municipal, vimos que a ausência da convicção positiva favoreceu certas atitudes administrativas altamente danosas aos bolsos dos contribuintes, como por exemplo, a exorbitância dos preços da água cobrados pelo SEMAE.

Se na assembléia estadual a presidência da entidade lutou contra a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), cujo objeto é investigar o desvio do numerário da merenda escolar, no legislativo municipal piracicabano a postura de aluno do curso primário, impediu por certo tempo, o esclarecimento das irregularidades no Serviço Municipal de Água e Esgoto.

Foi preciso recorrer ao judiciário a fim que a autarquia municipal contasse por quais motivos aumentou de forma tão louca os preços da água. Mesmo assim os valores cobrados continuam os mesmos.

O mandato que se destaca por apresentar o seu titular nas ações de busca dos buracos nas vias demonstra ser, só por isso, muito oneroso para a sociedade, visto que tal função pode muito bem ser exercida pelos fiscais da prefeitura.

Se alguns eleitos caracterizaram a sua permanência no legislativo por completa ausência opinativa, outros, entretanto, destacaram-se ao ocuparem por mais tempo a tribuna com seus projetos, questionamentos e cobranças a quem de direito.

No judiciário a tendenciosidade fortalecida pelo prejulgamento levou os julgadores ao uso dos “dois pesos e duas medidas”; tanto é assim que atualmente os integrantes do executivo federal são mais condenáveis, e condenados, pelas práticas das mesmas decisões usuais, adotadas por presidente, governadores de estado e prefeitos da oposição.

Neste jogo de interesses financeiros, entre empresários e trabalhadores, a opinião pública, manuseada pela mídia capitalista, favorece os golpes políticos vingativos.

Esse “poder do mais forte” beneficiaria, por exemplo, a impunidade dos meliantes atuantes nas fraudes licitatórias dos metrôs e trens de São Paulo e Brasília; das ambulâncias, objeto da operação da polícia federal conhecida como Sanguessugas.

Esses fatos todos a comunidade internacional precisa saber.

É muito próprio do empresariado desqualificar os oponentes com os adjetivos das entidades nóxias da psiquiatria.

Então o bordão “não tem nada a ver”, com objetivo de cisão é brandido até o momento em que os membros da oposição valem-se dos seus embasamentos. Pobres dos idiotas endinheirados que não fazem nada mais do que barulho.

Perceba que além dessas características plenas de injustiça o tucanato tem também muito de cafetão.

As queixas dos desarranjos na economia, a exemplo da ficção dos filmes e novelas das TVs, não poderiam deixar de ser também consideradas ficções objetivadoras da desestabilização das políticas governamentais.

A luta pelo poder passa por momentos de abreviação do mandato da presidente eleita com mais de 54 milhões de votos.

Destitui-se um governo da mesma forma fácil e prática com que se transformou a monarquia em república, do mesmo jeito com que se destituíram governos considerados populistas.

A ausência da paciência, a ansiedade incontrolável, manipula os fatos e os necessitados de forma vergonhosa.

Dizem por aí que ser vereador não é só responder “presente” nas chamadas das sessões ordinárias e publicar fotos ao lado dos buracos das vias públicas.

Maio 09, 2016

Fernando Zocca

A gente sabe que o conceito de impedimento por suspeição não se aplica nos processos de impeachment nos legislativos.

Sabemos também que por ser assim, o processo todo pode ser parcial, isto é, onde predomina impune, a tendência do prejulgamento. Então a parte a ser julgada já teria sua sorte decidida antes mesmo da sentença final.

Ora, isso não é fazer justiça.

Perceba que por decorrência da arbitrariedade, que se forma, por ter o julgador interesse no desfecho do processo, muitos atos processuais podem ser suprimidos ou abreviados favorecendo os argumentos duma das partes.

Em exemplo disso citaríamos o fato da omissão do julgador na participação da diligência duma perícia que, por força da lei, deveria ter participado.

Então não se pode negar que o preconceito sobre o mérito da ação teria influenciado a decisão do julgador em ignorar requerimento solicitador das providências judiciais.

E qual juiz deixaria de atender determinações das partes se não tivesse ele antes certa convicção expressa do resultado do pedido inicial?

Quando isso ocorre há, sem sombra de dúvidas, uma grave violação ao direito da parte que não teve atendido os seus clamores.

São nulos de pleno direito os atos jurídicos realizados com base em erros, falsidades, engodos, dissimulações, omissões danosas aos interesses das partes.

Quando um processo começa errado, certamente terminará errado. É claro que o erro, ou a omissão, não podem causar mais danos, e por isso, seria melhor considerá-lo nulo do que permitir que siga até a causação dos prejuízos maiores.

Se no judiciário o juiz de primeira instância não pode julgar novamente o processo que se encontra sob a competência de tribunal superior, no legislativo não é assim que acontece.

Percebendo a existência do fato nulo ou anulável, não considerado na primeira votação, nada impediria que fossem eles trazidos à colação e submetidos ao crivo dos julgadores.

Uma característica dos processos políticos é a sua volatilidade. Enquanto não houver a certeza sobre a justeza das ações, das suas decisões, seria de bom senso que todas as questões também fossem levadas ao conhecimento do judiciário, cuja função é essa mesma: a de apreciar e julgar as questões de fato e de direito emergentes da vida nacional.

Com relação a essa problemática toda surgida com as tais “pedaladas fiscais”, “empréstimos bancários” que não são empréstimos bancários, atrasos de pagamento, em que parte do congresso crê sejam crimes e a outra assim não os consideram, a dúvida demonstra um notável estágio de pré amadurecimento do processo democrático, quase sempre interrompido de forma abrupta pela força.

A grande questão do momento político é exatamente esta: houve crime nos procedimentos da presidenta da república, apontados na exordial do pedido de impeachment?

É claro, que para a oposição há, sem dúvida, delitos a serem punidos. De outro lado não haveria crime nenhum, justificando a tal assertiva com o fato de que outros presidentes, governadores de estado e prefeitos também agiram da mesma forma por não serem as ações infrações contra as leis.

Outra dúvida relaciona-se ao chamado “desarranjo” da economia em que inflação e os “rebaixamentos” dos conceitos internacionais sobre o Brasil teriam como causa as políticas do governo federal.

Ora, tanto as concepções de valia ou menos-valia atribuídas à economia nacional são subjetivas, que interessariam ao capital externo, internacional.

Agora me diga: qual capitalista se interessaria pelo bolsa família, bolsa escola, minha casa minha vida?

Então não podemos deixar de concluir que a interpretação dos crimes embasadores do processo de impeachment tem por base o interesse dos grandes capitalistas e investidores internacionais.

Vemos que os interesses dos industriais divergem dos do povo. Então o conflito. Em troca dos elogios internacionais o Brasil se submeteria a um golpe político?

O Brasil é muito mais do que isso. Independe do panegírico, bajulações capitalistas internacionais a felicidade do seu povo.

Devemos nos lembrar das grandes quebras da economia mundiais como as ocorridas em 1929 e que geraram a Convenção de Regina, no Canadá, em 1933. Portanto a crise econômica não é só brasileira.

Precisamos ter paciência e aguardar a vez. Se quiserem a presidência da república que esperem o momento eleitoral apropriado. Antes disso, meu amigo, sem dúvida, a furação da fila é golpe

Maio 02, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

É muita pretensão atribuir só a alguém, a um partido, ou diretrizes políticas, as consequências diversas do que costumeiramente se espera.

Por estar inserido no mundo, em constante evolução, o Brasil não pode deixar de transformar-se. Essa transformação, como em qualquer lugar, tanto pode ser para o agrado dos conservadores quanto para o seu desprazer.

O comando de um país pode ser tão semelhante à direção de um automóvel, por exemplo. Neste o motorista, apesar de ter determinado número de marchas, freio, acelerador, nível do combustível, precisa estar também atento aos outros que estão em volta.

Mais um complicador para quem dirige é, sem dúvida, as condições da conservação das vias.

Então, uma estrada dificultosa certamente não propiciará viagens tão sossegadas, apesar dos desejos de quem conduz o veículo.

E se o carro passar por momentos em que a pavimentação está coberta por neve ou gelo, certamente o descontrole será bem evidente.

Mas nem por isso os caronas ou tripulantes deverão tirar da direção o condutor sob pena de cometerem ações intempestivas, fundadas em irados argumentos dos que se viram contrariados quando os caminhos a serem seguidos não foram os indicados por eles.

O desemprego não é um fenômeno só brasileiro. Se observarmos bem, na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Espanha, Rússia e outros, a situação não se mostra assim confortável.

E nem nos Estados Unidos o paraíso é tão completo. Na África então, nem se fale. Isso pra não nos afligirmos com os sofrimentos do povo da Síria. 

Mesmo porque a hipótese da troca do condutor denegrido não garantirá a satisfação plena, geral e irrestrita, dos conduzidos, pelo restante do caminho a ser percorrido.

Perceba que não seria próprio dos que possuem o bom senso atribuir ao condutor, as tempestades, os ventos fortíssimos, as enchentes, as secas e os congestionamentos que por ventura venham a compor o cenário político do momento.

O nexo causal entre um ato e outro, entre acontecimentos, pode não ser real. Assim a chuva não seria consequência direta do bater do tambor.

É preciso muito mais do que opiniões fundadas em pensamentos mágicos para promover a troca do nosso motorista habilitado.

Solavancos, desconforto, calor, frio, fome, urgência na satisfação das necessidades fisiológicas, não justificam um bafafá bobinho objetivador do tirar da direção o motorista escolhido pela maioria dos passageiros.

O problema surge quando o circo, ou o mágico pimpão a bordo, apresenta atrações contrárias a manutenção do status quo.

O deputado Eduardo Cunha não é um sujeito sério. Ele passa a ideia de que é um pândego, um gozador, sarrista, que brinca descuidadamente com a vontade do eleitor.

Quando criança o Cunha só poderia ser daqueles que grudava chiclete no cabelo das colegas, furtava jabuticabas do quintal do vizinho, dava estilingada nos passarinhos e corria atrás das galinhas nos terreiros dos sítios.

Na sessão plenária de 27/04 estava em discussão o requerimento de retirada da pauta do projeto que criava a comissão da mulher, do idoso, da criança, do adolescente, da juventude e minorias, quando por patacoadas do vingativo formou-se uma confusão generalizada muito ao gosto dos que não se preocupam com a seriedade da coisa.

O “rabo preso”, a “culpa no cartório”, e o temor de perder o mandato, embasaram as atitudes do ex-aliado que, ao se ver em dificuldades, e não podendo obter apoio, resolveu atirar no próprio pé, explodir a bomba no avião em pleno voo, afundar o navio em que navegava, marcar um gol contra, sabotar enfim, o mecanismo da máquina antes gerenciada por ele.

Estão incomodados e descontentes os senhores Eduardo Cunha, Michel Temor e outros. Que se retirem então, aguardando do lado de fora, na fila, o momento certo para se candidatarem aos cargos que tanto desejam.

 

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