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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Junho 25, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

O mandonismo não raro, em muitos lugares, é exercido com o abuso do poder econômico e político.

O sujeito, geralmente chega pobre, às vezes miserável, aos cargos eletivos, e depois de alguns anos, acrescido de muito dinheiro, obtido desonestamente, busca influenciar aos que não têm as mesmas opiniões.

A influência mandonista não deixa de passar pelo uso das crenças religiosas, seduções, imprensa e outros meios de comunicação.

A opinião pública negativa sobre alguns fatos ou alguém é antes mais usada do que a destruição física do adverso. Entretanto isso não significa que essa atitude extremada não deixe de se fazer sentir.

Perceba que estão em jogo milhões e milhões em valores monetários, cargos, regalias, privilégios, sinecuras, muitos prazeres e satisfações.

Os motivadores da busca, obtenção, e manutenção dos cargos públicos eletivos são tão fortes que, uma vez lá alçadas, as pessoas dedicariam mais tempo às atividades que lhes assegurassem as posições conseguidas do que propriamente procurassem resolver os problemas comuns da cidade, do estado ou do país.

Na luta entre concorrentes ao cargo eletivo o abuso econômico pode usar das humilhações públicas, ou veladas, contra os tais adversos considerados mais capazes.

Perceba que a obtenção da opinião generalizada contra alguém muita vez vale-se do uso de muito dinheiro alheio, dos cofres das prefeituras, câmaras municipais, governos estaduais, assembléias legislativas, estaduais e federais, conseguido de forma ilícita.

Neste sentido o que os sociólogos chamam de “controle social difuso”, agiria não contra os que realmente lesam a pátria, mas contra os adversários dispostos a, no mínimo, estancar a depleção das riquezas do todo.

O Estado não seria tão ou mais importante do que o cidadão. Entretanto os crimes contra as instituições não se justificariam por isso. Ou seja, não é porque o ser humano teria mais importância do que o Estado em si que os crimes contra as instituições seriam justificáveis.

Os crimes contra a administração pública devem ser investigados e os culpados punidos na forma da lei. É claro que a opinião pública precisa ter a consciência de quem sejam os verdadeiros lesadores das empresas estatais e neste sentido agiria o controle social difuso.

Se existe vereador que se diz ser que nem burro, ou seja, não saber a força que tem, não deixaria de haver os que acreditam terem os mares subida.

E na justificativa da tal tese ninguém estranharia quando as afirmações dessem conta de que por ser o globo uma esfera, o cidadão ocupante dum navio ou avião que fosse do Brasil aos Estados Unidos teria que “subir”, do mesmo modo que os veículos automotores sobem uma ladeira.

E de confusão em confusão, mistura em mistura, não seria raro encontrar as sumidades que trançariam os signos zodiacais com os bichos do famoso jogo nascido em 1892, naquele tempo do início da República.

Se em alguns lugares a eleição aos caros públicos eletivos teria, antes de tudo, o sentido de expiação das culpas de alguns setores da sociedade, não se deveria estranhar que a maioria dos legisladores, mantivessem votações contrárias aos sentidos de justiça e economia populares.

O mandonismo pode ser tão evidente, injusto, opressivo e maligno em certas localidades que para manter as decisões políticas que melhor o definem seja necessário eleger aqueles que não teriam as mínimas condições para que, com suas opiniões, ideias próprias, pudessem alertar sobre as irregularidades que se cometem.

As irregularidades no Serviço Municipal de Águas e Esgoto de Piracicaba são um exemplo disso.

Ou seja, aplicaram-se valores subjetivos aos preços da água cobrados pela autarquia e, na câmara municipal, a bancada governista recusou-se terminantemente a expressar, por moções ou Comissões Parlamentares de Inquérito, o desagrado dos cidadãos.

Dima Rousseff foi afastada por um golpe legislativo que dentre outros motivos têm um básico e central: impedir as investigações da Polícia Federal que, perigosamente, se aproxima dos fatos escusos praticados pelos integrantes do PSDB.

Junho 21, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Em Piracicaba havia há alguns anos um vereador que gostava de promover concursos de beleza. Essa espécie de atividade social tinha duas funções básicas. A primeira era a de reforçar a autoestima das mocinhas, e a segunda, a de reavivar as forças que o mantinham no cargo há mais de 28 anos.

O preclaro legislador usava os anseios adolescentes, dos necessários reconhecimentos elogiosos, não só na sua cidade como também nas demais circunvizinhas.

E conforme sempre há (como nunca deixou de haver), as bocas pequenas não se acanhavam de comentar que, em casos de premências inadiáveis, o dito homem das leis não hesitava em proporcionar, às mais suscetíveis, as tão necessárias satisfações libidinosas.

Os concursos, diziam os pares do nobre político, eram eletrizantes. A convicção predominante era a de que a voltagem dos tais certames ultrapassava os 110 watts; passava dos 220.

Entretanto houve um tempo em que, devido aos sucessivos equívocos, erros, mal entendidos, (como o uso dos carros oficiais para o transporte das mocinhas, ou a omissão no caso dos aumentos irracionais dos preços da água), o conceito do nobre fazedor de leis decaiu, baixando a índices indicadores de que a sua aposentadoria lhe acenava sorridente no horizonte.

Desesperado o nobilíssimo homem, que um dia fora cortador de cana, servente de pedreiro, pedreiro, mal sabendo ler ou escrever, e hoje legislando para professores, doutores, mestres e catedráticos, resolveu que poderia num átimo de genialidade criativa, projetar algo que lhe restituísse as características primordiais que o mantinham, há tanto tempo, numa das sinecuras mais desejáveis da província.

Então esse homem, hoje com um rol de bens imóveis invejadíssimo, filhos e filhas instalados por meio de concursos públicos (?), nas chefias dos departamentos mais importantes do executivo, legislativo e autarquias, decidiu que a sua derradeira cartada seria o engendramento da disputa de egos que achou por bem denominar Miss Marta 1.000 Watts.

Na sua cachola o altivo homem de bons modos, idealizou até a forma do troféu que ganharia a belezinha destacável: seria um enrodilhado de fios de cobre em forma de cama, mesa e banheira, chapeado com ouro 18 quilates.

E quando então parte da sociedade piracicabana soube que o tal serelepezinho dispunha-se a pleitear a manutenção dos vencimentos, daquela função sinecurial mágica, não titubeou em lançar concorrentes que dividissem ou lhe diminuíssem a quantidade de votos.

Perceba meu querido leitor, que a competição pelos cargos da sinecura legislativa era ferrenha por serem os resultados financeiros, ao longo de toda a gestão, muito compensadores e não exigirem inteligência, engenho ou quase trabalho nenhum.

Não existia motivador mais potente do que a verdade de que, em sendo pedreiro ou cortador de cana, o sujeito trabalhava muito e ganhava miséria, enquanto que ao contrário, ocupando esse cargo burocrático eletivo, trabalhava quase nada e ganhava muitíssimo.

É certo que esse nosso vereador contumaz não se importava quando algum parente mais distante, residente lá nos cafundós do Judas, em visita repentina, dizia-lhe que esse tipo de profissão era para vagabundo.

Nosso homem dos concursos de miss considerava que os que assim pensassem estavam com inveja obstaculizante ou eram eles mesmos candidatos às mamatas seculares perseguidas.

Na verdade o tempo passava e ele, o eterno vereador, sempre conseguia alçar-se à sua cadeira cativa. Diziam os funcionários da Câmara Municipal que onde se sentava o tal camarista quase ninguém mais conseguia por, ou manter ali, o seu traseiro próprio.

Era comum a ideia de que além das costas a tal pessoa tinha a bundaça também fervente.

Não era à toa que diziam, aos cochichos, do edil: “ele, ao contrário da maioria das pessoas, tem a cabeça muito fria e o fiofó, virado pra lua, assaz requentado”.

Junho 18, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

O governo da petista Dilma Rousseff tem como objetivo maior a política voltada ao povo.

Essa orientação diverge das ações do governo em exercício que demonstra privilegiar a classe política dirigente.

Na filosofia da primeira notamos os programas projetados para a satisfação das necessidades populares. Então O Minha Casa Minha Vida não tem outro escopo que não seja o de contemplar, com habitação própria, a milhões de pessoas hoje ocupantes dos cortiços e favelas.

O Bolsa Escola favorece, com incentivo financeiro, as famílias que têm crianças na idade escolar e não teriam como mantê-las estudando sem esta atenção especial do governo.

Da mesma forma, com este mesmo espírito de auxílio, de colaboração, existe o financiamento da agricultura, voltado aos agricultores familiares e às pequenas empresas do ramo.

O programa Mais Médicos objetiva a arregimentação dos profissionais da área da medicina dispostos a atenderem as populações residentes nas regiões mais afastadas dos grandes centros industriais e populacionais. 

Veja que a neutralidade do governo central relacionada às investigações da polícia federal que tem investigado, levado a julgamento, obtido a punição dos culpados envolvidos nos atos de corrupção, demonstra também que vale menos a salvação dos malfeitores do que a satisfação da sede e senso de justiça do povo.

Percebemos, por outro lado, a política direcionada às elites, à classe política dirigente, quando as intenções de abafamento das investigações contra a corrupção, e até mesmo com a promoção de mudanças na lei da delação premiada, pelo chamado “governo golpista”, começam a tomar vulto.

A política não pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Ou dá ao povo o que é bom para ele ou a César o que o revigora.

Neste sentido, desta forma, notamos que a intenção ingênua de agradar aos dois senhores, com as isenções fiscais feitas às indústrias, pelo governo federal, não trouxeram nada mais do que déficits de caixa dos tesouros públicos com a consequente necessidade de socorrer-se das reservas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, quando do pagamento dos seus programas sociais.

É bom relembrar que essas operações bancárias não são consideradas irregularidades. Foram feitas por governos anteriores não questionados sobre o assunto.

Diante do quadro econômico mundial atual podemos perceber que a situação brasileira não é a única. Os países vizinhos da América do Sul, bem como vários outros da Europa, também passam por dificuldades econômicas semelhantes.

Desta forma seria bem duvidoso atribuir somente às diretrizes financeiras do governo federal a atual situação considerada bastante crítica.

A saúde monetária do país é o resultado da comercialização das suas produções agrícolas, industriais, dos seus prestadores de serviços, tanto no território nacional quanto no exterior com as exportações.

Ora, se não há produção, ou se há, mas não existe o consumo, a venda, a exportação, estabelece-se uma estagnação bastante insuportável para alguns setores mais sensíveis.

A fórmula para a saída, desta chamada crise, não é difícil de entender: basta gastar menos, economizar e produzir mais.

Quando o governo golpista, autorizando aumentos salariais ao poder judiciário e para pagar também as suas contas, imprime dinheiro, pinta papéis, está na verdade incentivando a inflação; desvaloriza a moeda colocando bilhões e bilhões de reais sem lastro em circulação.

E, meu amigo, para um país como o Brasil não haveria nada mais desagradável do que a inflação incontrolável. Já vivemos isso no passado. Rezemos para que esse mal não se repita.

 

Junho 14, 2016

Fernando Zocca

 

 

A gente percebe a política em tudo; na medicina, por exemplo, quando numa unidade de urgência, é necessário escolher quem viverá ou morrerá; no futebol quando diante duma dúvida, se foi ou não gol válido, ou na administração pública, se houve ou não crime.

Em todos esses casos a escolha de uma das alternativas exclui a outra. A decisão tem maior relevância quando implica em consequências para uma, algumas, ou milhões de pessoas.

As decisões, nos três exemplos, tanto por uma opção, quanto por outra, ensejam críticas e elogios, aprovações e reprovações, aplausos e vaias.

Na escolha médica entre o jovem e o idoso, geralmente decide-se pelo jovem; entre a parturiente e o nascituro, o nascituro.

No futebol, entre um gol válido ou não, pela validade do tento. Na administração pública ou no direito penal, se o réu é culpado ou inocente, pela inocência.

Tudo isso faz parte das escolhas políticas nas decisões médicas, esportivas, administrativas e judiciais e não indicam que as prioridades sejam sempre consideradas nessas respectivas ordens.

Os motivadores – as intenções - entretanto, componentes e embasadoras das tais decisões, é que precisam também ser levados em conta.

No caso da escolha médica, a miríade de fatos relevantes pode fazer as ações tenderem para a escolha não usual, por exemplo.

Da mesma forma, durante uma partida de futebol, se a validação dum gol notoriamente inválido, coloca em vantagem o time pelo qual simpatiza o árbitro decisor, não haveria como contestá-lo dentro do campo.

Na administração pública ou no processo judicial, embora com todas as evidências de que o réu não cometeu o tal delito imputado na denúncia, mesmo com a certeza de que as práticas exercidas por ele eram usuais, não estando elas no rol das proibidas, mesmo assim, sua condenação não deixaria de se realizar.

Essas escolhas não significam, entretanto, que sejam justas.

Da mesma forma não eram justas as situações sociais – de um lado a miséria extrema e do outro a opulência ostensiva, extravagante - surgida a partir da Revolução Industrial, por volta de 1750.

Foi a encíclica Rerum Novarum publicada pelo Papa Leão XIII a 15 de maio de 1891 que a princípio buscou equilibrar os graves desníveis de riqueza quando aconselhava aos ricos que tudo o que lhes fosse, por exemplo, supérfluo, servisse às necessidades dos mais pobres.

Queremos crer, que não teria sido outro que o sentimento cristão, o motivador principal do presidente Obama quando, depois de cinco décadas, decidiu pelo reatamento das relações diplomáticas com Cuba.

Da mesma forma entendemos os motores da política da presidenta Dilma ao propiciar a construção de um porto marítimo naquele país.

Não podemos conceber como estando fora dos ditames da referida encíclica a política social (Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Escola, Mais Médicos, Isenções Fiscais às Indústrias) adotada pelo PT.

Sem o povo, a aquiescência popular, não se governa. Não haveria paz, que é fruto da justiça.

Quando sabemos que a verdadeira motivação do pedido de impeachment da presidenta Dilma não foi o cometimento de crime algum, mas um ato de vingança; quando sabemos que a interrupção do curso do mandato popular é ocasionada por motivos alheios às condutas do seu titular; quando sabemos que o presidente em exercício não pode deliberar ou decidir de outras formas que não sejam as mesmas escolhidas pelo eleito pelo voto popular; ao escolhermos pela sua deposição, contribuiremos para a instalação da desordem generalizada, o descrédito total e a ingovernabilidade do país.

Que se possibilite a volta ao cargo do seu legítimo detentor, que se lhe permita a chegada ao termo final do mandato com segurança e plenitude, quando então em 2018, possa o povo, em paz, escolher quem melhor governe.

Junho 08, 2016

Fernando Zocca

 

 

Na década dos anos 1920 o Brasil era o maior produtor de café do mundo. Havia no Estado de São Paulo, Minas e Paraná milhões de pés que produziam, a cada safra, até 80 milhões de sacas de 60 kg da rubiácea.

O governo brasileiro exportava toda a produção especialmente para os Estados Unidos; com o resultado desse comércio o Brasil importava automóveis, caminhões, ônibus e os combustíveis gasolina, diesel, óleo cru e querosene.

Diziam as crônicas que os norte-americanos gostavam tanto do produto café que o consumiam, durante as refeições, da mesma forma que os franceses bebiam o vinho e os alemães a cerveja.

Mesmo assim as safras produziam de tal forma que o mercado consumidor não absorvia a totalidade das colheitas que era estocada, por meses e meses a fio, nos armazéns. O objetivo de guardar as produções era o de manter o preço mínimo que possibilitasse a atividade.

No entanto, sem a mobilidade, o agricultor deixava de ter o saldo necessário para quitar as dívidas com os bancos financiadores e os malogros das lavouras eram então inevitáveis.

Conta-se que numa ocasião uma geada no Paraná prejudicou a produção, encarecendo o produto final. Nos Estados Unidos o café que era vendido pelo Brasil, a um preço, para compensar os prejuízos causados pela geada, teve seu valor aumentado em alguns centavos.

A grita foi geral, com protestos na Câmara dos Deputados e Senado; campanhas pela imprensa convidavam a população americana a consumir leite em vez do café.

Como os estoques eram imensos e onerosos, durante certo período, alguns governos como, por exemplo, o de Washington Luiz (1926-1930) decidiram pela erradicação de centenas de milhares de pés de cafés e a incineração de milhões de sacas dos estoques retidos.

Diziam que as locomotivas, junto com a lenha, queimavam também os grãos de café e muitas estradas receberam, na pavimentação, a rubiácea que não valia nada.

Durante esse período também a expansão do comunismo na Europa e nas Américas era profundamente preocupante. No Brasil não era diferente. O presidente Arthur Bernardes (1922-1926) comandou uma verdadeira caçada aos simpatizantes da tal ideologia vermelha que resultou na conhecida perambulação da coluna Prestes pelo território nacional quando então esta se refugiou na Bolívia.

Nesse clima todo, de acirradíssima disputa política pelo poder, a cessação do comércio do café com os Estados Unidos consumou-se.

Em 1929 uma espécie de falência geral e total dos empreendimentos capitalistas nos Estados Unidos empobreceu muita gente causando sofrimento, desesperança e mortes que reforçavam as opiniões positivas sobre o comunismo.

Entretanto, apesar de todos os males, nem na América do Norte e muito menos nos países Sul Americanos o mercado de capitais deixou de operar.

Passado tanto tempo depois, Cuba que em 1959 viu-se instituída pelo regime comunista, recebeu do governo norte-americano os sinais de que o embargo político/econômico vigente durante décadas estaria no fim.

Não deixa de perpassar pelo espírito de muitos observadores que a motivação maior embasadora da decisão política norte-americana de reatar relações diplomáticas, rompidas durante 50 anos, fosse mais pelo espírito de solidariedade cristã.

Da mesma forma, com uma visão e ângulos mais Crísticos, qual motivador embasaria a opção de construir, pelo governo brasileiro, o porto de Mariel em Cuba, que não fosse antes pela solidariedade e a fraternidade cristãs?

Por estas e também por decisões beneficiárias da população mais pobre, um golpe legislativo engendrado inclusive com a finalidade de fazer cessar as investigações da Polícia Federal, conhecidas como Lava-jato, afastou temporariamente a presidenta Dilma e arvorou ao poder, com 367 votos, Michel Temer.

Então o partido com os ideais políticos dirigidos mais às classes trabalhadoras do que às empresariais cedeu, por engodos, a direção temporária do governo brasileiro.

A petição inicial que pede a cassação do mandato da presidenta não é clara sobre alguns pontos que deveriam ser mais explícitos. Desta forma na exposição dos motivos da tal peça processual, há incertezas quanto ao número de decretos supostamente ilegais elaborados pela presidência.

Outro elemento que suscitaria nulidade processual é o fato de que as contas de 2015 sobre as quais, creem os autores do pedido, haver ilegalidades, não foram analisadas pelos técnicos do Tribunal de Contas da União e nem passaram pelo crivo da Assembléia Legislativa.

 

Junho 03, 2016

Fernando Zocca

 

 

Quem dirige automóvel sabe: há quatro ou cinco marchas pra frente e uma pra trás. É questão de proceder, procedimento, jeito.

Da mesma forma, (seguir determinadas condutas), são feitas as práticas componentes da chefia de um governo. Há fórmulas a seguir, ações previamente estabelecidas, “protocolos”, ritos, rituais, rotinas.

Não podem ser condenáveis os motoristas que, usando as técnicas usuais de dirigir, as empregam de forma corriqueira.

Os motivos (os chamados crimes fiscais) que embasam o pedido de impeachment da presidenta do Brasil, Dilma Rousself, (não são crimes), são na verdade, práticas usuais e em plena vigência. Foram usadas nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Esse golpe político não teria motivação mais forte do que a de influir na frenação da operação Lava a Jato do poder Judiciário.

As investigações sobre as irregularidades corruptivas acontecidas nos governos tucanos de Mário Covas, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves estão já em andamento e, a esperança de que elas cessassem fundava-se na assunção de Michel Temer ao poder.

Perceba que a alegação de que a economia brasileira, neste momento, está “bagunçada” baseia-se na inflação, (da qual também faz parte a emissão de papel-moeda sem lastro), a inadimplência e o desemprego.

Constata-se que a crise econômica independe das ações governamentais quando vemos que a inflação, a inadimplência generalizada, e o desemprego também aconteceram nos Estados Unidos em 2008.

Esse desconforto econômico não é um fenômeno só brasileiro. Se atentarmos para o que acontece na Venezuela, no Equador, Argentina, Grécia, Itália, França e outros países, veremos que estas turbulências todas fazem parte do sistema capitalista de produção.

Não há como inibir a inflação cortando os gastos dos programas populares, ao mesmo tempo em que se concede aumento dos salários dos servidores do judiciário e legislativo.

Na verdade Temer, agindo assim, desveste um santo pra cobrir outro.

A situação econômica atual continuará a mesma com ou sem a Dilma; com ou sem o Michel Temer. As diferenças, entretanto, entre os presidentes são os 54 milhões de votos de um e (com o devido respeito) o entusiasmo empregado nos noticiários das TVs do outro.

Desta verdadeira competição ideológica (capitalismo x “comunismo”) faz parte a sobrevivência pela ocupação dos cargos ideais, desfrute dos salários fartos e a pouca atividade laborativa.

Veja que não existe semelhança entre o regime político/econômico brasileiro com o soviético, cubano, norte-coreano ou chinês.

Creio que uma das maiores deficiências brasileiras centra-se na educação. Como o exemplo vem de cima, seria bem oportuno demonstrar que o crime não compensa mesmo, fazendo os corruptos pagarem por seus delitos. E não existiria melhor jeito do que condenar os culpados e absolver os inocentes.

Neste caso específico, cadeia pro Cunha e a presidência da república a quem de direito. Não pode haver ninguém mais habilitado ao exercício do cargo de mandatário do executivo federal do que Dilma Rousself.

Cabeça ruim, nutrida com queijo podre, não pode fazer nada melhor do que bater desnecessariamente o portão, matar o cachorro do vizinho, destruir as árvores decorativas, espalhar calúnia, promover a difamação e a contrabandear cigarros falsificados do Paraguai.

Olha, com o devido respeito, com a data máxima vênia, neste momento, não podemos deixar de acreditar que os verdadeiros motores deste pedido de impeachment são a demência senil, o Alzheimer e algumas outras afecções mentais carentes dos cuidados especiais.

 

Junho 01, 2016

Fernando Zocca

 

Quando éramos criança, não por uma, ou duas vezes, ouvimos adultos afirmando que em tal lugar o castigo, pra quem furtava, era a decepamento das mãos.

Isso porque, não raro, alguns moleques folgados, quando passavam defronte ao armazém que ficava na esquina das Ruas Governador Pedro de Toledo com a Ipiranga, tinham a mania de sacar pequenas lascas dos bacalhaus que ficavam ali expostos numa das entradas do estabelecimento.

Não era incomum também a garotada, que jogava futebol na rua, ao passar pelo estabelecimento, encher as mãos com o feijão jazente naquelas sacas de 60 kg abertas e expostas à freguesia transeunte, para depois jogá-lo nos colegas nas francas provocações zombeteiras.

Durante as peladas na rua sempre tinha o pessoal maior, mais magro, lépido, que vindo doutros quarteirões, já preparados para a partida, driblavam sem dó nem piedade a molecada mais bobinha. E quando os tais espertos não venciam as contendas pelo bom desempenho nos dribles e galopes, falseavam a verdade roubando no placar.

Então era corriqueiro haver o encerramento das partidas pela discordância nos placares; enquanto uns afirmavam terem feitos tantos gols outros retrucavam que não era bem assim, que na verdade, eram outros menos tantos.

Passada a infância e já no início da adolescência, a presença nas salas de aula do ginásio, consistia na percepção de novos estímulos com suas variadíssimas tonalidades tanto visuais quanto auditivas, táteis e olfativas.

Os professores, com a segurança que lhes proporcionava a experiência trazida pela idade e o conhecimento, eram fontes de inspiração para a molecada. Muitas professoras deixavam a gurizada de queixo caído, pela beleza física e o encanto ao ensinar.

Os mais velhos, mais sérios, geralmente com os cenhos fechados, carrancudos indicavam que as gracinhas e brincadeiras poderiam não terminar bem.

Mas nenhum professor ou professora, inteligente, sábio, perfumada ou linda, poderia chamar mais a atenção do que aquele que não tinha uma das mãos.

Seria impossível, pra quem sempre ouviu dizer que em determinado lugar, o crime de furto era apenado com o decepamento das mãos, deixar de pensar que aquele mestre fora um dia um furtador.

E mais irreprimível ainda seria a confirmação da tal tese a todos aqueles que souberam que o tal professor maneta era o pai de um dos moleques que, vindo doutros quarteirões, preparados para o jogo, driblava pra vencer, e que quando isso não ocorria, enganava na contagem do placar.

Se era verdade ou não que o professor fora vítima de uma pena aplicada em decorrência dum ilícito penal isso não se confirmou.

Sempre usando terno, gravata, sapato bem engraxado e o toco esquerdo enfiado no bolso da calça, lá ia e vinha o professor sisudo, com seus livros, a ensinar a molecada em constante suspense. A dificuldade maior era a virada das páginas. Para fazê-la o mestre encostava o volume na barriga trocando assim, de um jeito bem complicado, o assunto das aulas. Usava ainda, o professor, o meio de colocar o impresso pesado sobre a mesa, quando então, cuspindo no indicador e polegar direitos, manejava as páginas das lições.

Quem pode esquecer aquele bom professor que, sentado à mesa, depois de logo tempo em pé ensinando a garotada, sacava duma pasta, trazida antes sob o braço, as corrigidas provas aplicadas nas sabatinas mensais?

Hoje, passados tantos e tantos anos, a gente vê muitos sexagenários fazendo exercícios e até jogando futebol. Se estivesse entre nós aquele mestre, com um pouco de treino poderia, depois de reduzir o volume do abdome, praticar um futebolzinho social; ele atuaria do meio do campo pra trás. Mas no gol não.

Não pode ser mais complicado e danoso, o trazer para as lides burocráticas, aquele espírito de driblador das peladas de rua.

Nas esquivas dos jogos, os piores danos que se pode causar são a derrota e a tristeza dos adversários. Nas artimanhas e chicanas das lides burocráticas, além da tristeza aos adversos, os prejuízos são muito maiores para toda a população que paga os impostos.

Sim, meu amigo, triste e danoso é o político que traz, dos campos de futebol, para a administração pública, as fintas com que vence seus supostos adversários.

 

 

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