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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Julho 30, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

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Quem quando moleque, tendo um parente considerado surdo, não se interessaria pelo surdíssimo Ludwig Van Beethoven, que dentre outras, escreveu a Sinfonia nº 5 em dó menor, op. 67; pelo pintor holandês Vincent Van Gogh, que pintou Os Girassóis; pelo compositor russo Pyotr Ilyitchc Tchaicowsky, que compôs Iolanda, e, por tabela, a mística também russa, Elena Petrovna Blavatski?

Qual garoto não curtiu a mimosa cachorrinha alvinegra, pintinhos amarelos, tartaruga, papagaio, patos, coelhos e um barulhento, incansável, casal de saguis?

O loro que tínhamos em casa vivia a destruir, com seu bico afiado, o poleiro, mesmo estando sempre saciado com as sementes de girassol, seu prato predileto.

O papagaio, depois de alguns anos, foi doado a alguém conhecido; a tartaruguinha, esquecida ao sol, numa bacia de alumínio com pouca água, foi encontrada morta; o mesmo fim teve um dos pintinhos amarelos, esmagado pelo pisão descuidado, num vir de afasto involuntário de alguém; os coelhos infectados com doença nos pés, logo enfermaram gravemente antes de morrerem; os três patos, levados ao vizinho corajoso, e voltarem decapitados, viraram refeição.

Quem não se interessaria pela história das meninas Alice, Lorina e Edith, filhas do deão Liddell, da Christh Church, Oxford, Inglaterra, que ao visitarem frequentemente uma coleguinha, eram fotografadas pelo irmão dela, o diácono, matemático e escritor inglês Charles Lutwidge Dodgson, que sob o pseudônimo de Lewis Carrol, escreveu em 1865, Alice no País das Maravilhas e, em 1871 Alice no País dos Espelhos, se a sua primeira professora, aquela do grupo primário, não se chamasse Alice?

E por que não conhecer as regras do Rugby, aquele tipo de “futebol americano”, onde a bola, em vez de esférica é oval, quando se sabia que Lewis Carrol, fizera em Rugby e Richmond, o curso de matemática, sendo ordenado diácono, em 1861?

Como não se espantar alguém com o Euclid and his Modern Rivals, obra daquele competentíssimo fotógrafo, escritor, ante o fato de que um dos zeladores do Grupo Escolar, que chegava diariamente pro trabalho, pedalando a sua bicicleta, chamar-se Euclides?

Diga-me querido leitor, como não participar de todas as aulas de teosofia, sendo inclusive diplomado no final do curso, sem nem ao menos saber que a idealizadora da filosofia, Elena Blavatski (foto), nascida a 12 de agosto de 1831, que escreveu Isis sem Véu, se não fosse pelo interesse legítimo em desvendar certos “mistérios”?

E como deixar de se sentir de certa forma, muito mal, diante da oposição entre essa filosofia, a ciência, o catolicismo e as demais teologias?

Como crer nos políticos antigos que não visam quase mais nada, durante a gestão, que não seja o bem próprio, o dos seus familiares e amigos, em detrimento dos interesses das coletividades, que os elegeram?

Como reeleger vereadores que negam veementemente não trabalhar contra os interesses da população, mesmo quando se recusaram a instaurar a Comissão Parlamentar de Inquérito que teria por objetivo investigar as causas dos aumentos, inexplicáveis e abusivos, nas contas de água dos consumidores da cidade?

Como não se sentir coautor dos crimes de lesa-pátria, praticados por gente eleita com o seu voto?

Por estas e outras questões propomos algumas mudanças na constituição da república: a primeira seria a limitação das reeleições; a segunda seria a mudança na regra que determina ser obrigatório o voto.

É claro que por causa disso não deixariam de acontecer os crimes de corrupção. Mas, pelo menos, o eleitor teria a certeza de que, em caso de “pisadas na bola”, feitas por aqueles candidatos chatíssimos, eles as fariam sem a sua participação.

E mesmo que os tais eleitos se destacassem por gestões transparentes, límpidas, profícuas, as possíveis supostas consciências dolorosas do arrependimento, não teriam tanto sentido, para todos os que não tivessem interesse nas suas eleições.

Pode crer.

Julho 25, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

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O nome dele era Braun; foi engenheiro e físico alemão que idealizou as famosas bombas voadoras V2 com que os nazistas atormentaram os londrinos durante a II Guerra Mundial.

Depois que terminou o conflito, Braun foi para os Estados Unidos onde iniciou a criação da NASA, famosa agência espacial, que tinha por objetivo chegar à lua.

Quando ainda menino Braun não se dava bem com a matemática e a física; historiadores admitem que o contato dele com alguns diários e literatura especializada fez com que ele focasse mais suas lentes nas tais matérias conseguindo desenvolver-se.

Depois então que ganhou um telescópio, Werner Von Braun, que era péssimo no futebol, passou a compreender melhor os tratados de matemática com a mesma facilidade com que o selecionado alemão fazia gols em 2014.

Daí para a criação dos foguetes que levaram o homem à lua foi um pequeno passo. Compreende?

O engenheiro Werner era contemporâneo de Eva Braun que foi companheira de Adolf Hitler durante a II Guerra Mundial.

Perceba que o visível expansionismo autoritário submissor nazista causou muito sofrimento na Europa entre 1939 a 1945. Aqui no Brasil tivemos vários momentos de autoritarismo opressivo que assumiu o poder com o uso da força.

Como nos dias atuais a violência é condenada, e muito mal vista, usam-se os golpes legislativos, políticos, como os do Uruguai, onde o presidente Fernando Lugo foi deposto por administração considerada inapropriada.

Note que os ardis, as artimanhas, são mais usados, na usurpação, do que propriamente o emprego da manu militari.

Só pra lembrar, essa forma ardilosa de apropriação, digamos assim, dos postos de comando, foi utilizada na transição do sistema monárquico para o republicano em 1889. Só no nhenhenhém puseram Pedro II e a corte pra andar.

Atualmente o impeachment contra a presidenta eleita é o exemplo mais vistoso que se tem notícia sobre a “puxação de tapete”.

O inconformismo, a inadaptabilidade, a ausência da paciência, da compreensão, o ódio vingativo baseiam essas ações intempestivas causando danos na credibilidade do sistema democrático.

Podem até cassar o mandato da presidenta, mas não será pelos motivos expostos no pedido inicial.

Muitos não se sentiriam bem ao ouvirem que a presidenta foi escorraçada do governo como a infiel expulsa do lar pelo zangão alucinado. Entretanto se o impeachment se consumar não será possível negar a comparação.

Já disse que governo que tem programas que atendem às demandas populares por habitação, saúde, bem-estar e segurança não pode ser governo ruim.

Na administração petista, houve a autorização de funcionamento de uma faculdade de medicina em Piracicaba.

Até hoje não foi implantada. Essa inércia e desinteresse teriam mais como causa os ideais corporativistas do que os desejos de suprir a carência de profissionais da saúde no mercado de trabalho.

Quando a politica de um partido está voltada para a satisfação das necessidades dos seus integrantes, em vez de atender as da população, a gente vê as aberrações que ocorrem, como, por exemplo, nas contas de água emitidas pelo Serviço Municipal de Água e Esgoto (SEMAE).

A constituição da república precisa de emendas urgentes. Uma delas refere-se à limitação das sucessivas reeleições. A outra não teria maior importância do que a que torna o voto facultativo.

 

Julho 21, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Zé Quiquiqui entrou no bar A Tijolada, conhecida propriedade legítima do Bafão, uma das figuras de maior destaque de Tupinambicas das Linhas, e vendo Grogue sentado, cabisbaixo, quieto, a uma mesinha de canto, ao lado da janela, perguntou ao dono do boteco, apontando com o queixo, fazendo gestos de quem interrogava, ao mesmo tempo em que circulava com o indicador direito a têmpora:

- E aí, o que acontece agora?

- É esse negócio de tocha. É tocha daqui, tocha de lá. Complicou a cabeça do moço – respondeu Bafão.

Quiquiqui aproximou-se de Van de Oliveira, puxou uma cadeira e sentou-se ao seu lado pedindo uma cerveja bem gelada ao comerciante.

- Conta as novidades, Van. É verdade que você está que nem a tocha olímpica, pegando fogo, quentíssima, e passando de mão em mão?

- Nada. Estou quieto na minha. Eu gostaria de ter conduzido a tal tocha, mas não deixaram. Fui até a prefeitura, conversei com os caras, com os responsáveis pelo assunto, demonstrei a minha aptidão física, mas, mesmo assim, me negaram.

- O que eles alegaram pra não deixar você pegar nela? - inquiriu Quiquiqui acomodando-se ao receber a cerveja trazida pelo Bafão solícito.

- Ah, os caras me disseram que pra pegar, tinha que treinar; que eu não poderia esquecer nada, estar sempre sorrindo e coisa e tal.

- E você apareceu nos treinos? - Zé Quiquiqui demonstrava interesse sincero ao ingerir o primeiro gole da gelada.

- É claro, pombas! Imagine que eu não ia aparecer pra treinar. Todas as vezes que os camaradas me pediram eu fui. Não sou besta. - Só quando vi Jarbas, o caquético testudo, o prefeitinho mais falso que nota de 15 reais é que eu desconfiei que eles estavam de gozação comigo.

- Não me diga, o Jarbas, estava envolvido nisso? Até nessa história de tocha o cara meteu o bedelho?

- Vai me dizer que você não conhece o Jarbas? - inquiriu Van de Oliveira, absorvendo um dos últimos goles daquele seu copo já quase vazio.

- É claro que conheço. Mas ele não é mais o prefeito da cidade. Sei que ele pretende voltar, mas o pessoal já está sabendo das trapalhadas que ele andou aprontando e isso pode complicar a pretensão do sujeito.

- O cara me secava que nem não sei o quê. Queria que eu enrolasse fios de cobre, que eu desse 5 voltas em torno da câmara municipal, que eu cantasse as músicas do Wanderley Cardoso, da Wanderléia, comesse coxinhas, arrastasse uma geladeira e que fizesse outras coisas que não tinham nada a ver com a condução da tocha. Ai, você já viu, né? Eu nem fui mais – disse Van em tom de frustração.

- Poxa, que cara mais chato esse Jarbas, né? - tentou consolar o Quiquiqui.

- Você não conhece a figura. Põe chato nisso.

- Conta a verdade, Van. Diga pra ele que você queria correr 200 metros com a tocha na mão, mas calçando pantufas – gritou o Bafão lá do fundo enquanto asseava o balcão com um pano limpo.

- Pantufas? Você está louco Van? - indagou Quiquiqui.

- Quem não gosta de conforto? Tenho joanetes e pra correr segurando aquela coisa só podia ser de pantufas. Imagine a confusão que ia dar: eu com a tocha na mão, quentíssima, incendiando tudo, espalhando calor pra todo lado e eu sem as pantufas. Assim não dá, assim, não pode, pô. E depois como é que eu ficava?

- Amarelão. Você amarelou Grogue, fajutíssimo – criticou Bafão folheando a caderneta de fiado.

- Mas a fama que você conseguiria poderia trazer-lhe até um emprego bom, meu caro – ponderou Quiquiqui.

- Mas quem me garante? - duvidou Grogue – Vai que meu caminhãozinho tombasse numa curva qualquer e pronto: lá ia eu pras cucuias e essa tal de tocha ficava ai do jeito que sempre ficou passando de mão em mão.

- Você poderia ter arriscado, Van, meu lindinho – desafiou Zé Quiquiqui.

- Mas só se fosse de pantufas. Sem elas a coisa complicaria pro meu lado.

Quiquiqui olhou pro Bafão e com ironia concluiu:

- Como é que pode o sujeito querer conduzir uma tocha daquele tamanho, quente daquele jeito, que aparece mais do que qualquer político de Brasília, usando pantufas? Van, você não existe, meu querido.

- Nem bêbado ele aguentava aquela tocha – concluiu Bafão.

- Tocha é tocha, meu filho. Um dia, depois de acender a pira, ela apaga – concluiu Grogue o pinguço mais famoso de Tupinambicas das Linhas. 

 

Julho 18, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Para ser grande e eficiente é melhor crescer do que diminuir os outros. Esta é, sem dúvida, a fórmula ideal que poderia ser adotada por este governo que aí se estabeleceu de forma tão sem graça.

Esta situação política anômala pode até caçar o mandato da presidenta, eleita com milhões de votos, por preconceito, não gostar dela, nojo, capricho, ou qualquer coisa que o valha, mas não por crimes de ordem fiscal, apontados tão doidamente na petição inicial do impeachment.

Seria desnecessário dizer que não é emitindo papel-moeda, pintando papéis, ou restringindo direitos previdenciários, dos trabalhadores, que este governo usuário dos golpes legislativos, porá em dia o seu caixa.

Pagar as contas com emissão de moeda é, qualquer principiante no estudo da economia sabe disso, reforçar todos os males inflacionários.

Para ganhar dinheiro é preciso haver arrecadação, mais e mais cobrança de impostos, redução das despesas administrativas e menos auê do já ganhou.

Diante deste quadro econômico mundial pode até ganhar o prêmio Nobel de economia quem encontrar o jeito mais eficaz de engrossar o fluxo positivo de caixa dos governos federais.

Mas por que, em vez de caçar os salários-marajás da previdência, milhares de holerites, que durante todo o tempo útil de serviço não se reduziram com qualquer mísero centavo a um cofre comum, para a própria aposentadoria dos seus titulares, caça o tal governículo, os velhinhos e velhinhas miserabilizados, incapazes de se defender?

Por qual razão, a não ser por absoluta falta de coragem, o vil governo golpista não investe contra as aposentadorias milionárias das filhas dos ex-funcionários falecidos, mantidas sob pensão, por suposta dependência, incapacidade ou cursarem faculdade?

Há quem diga que a tal política funda-se, não em falta de coragem, mas sim, na ausência de noção.

Existe pensionista que, hoje praticamente avó, deixou, quando mocinha, de se casar no civil e religioso pra não perder as mamatas previdenciárias que a solteirice lhe proporcionava.

De fato, entre escolher a mancebia afortunada e o casamento formal, miserável, só quem fosse muito tola, besta mesmo, deixaria o amancebamento frutuoso.

Este governo que aí está não representa mais ninguém além dos próprios integrantes do tucanato frustrado, do PMDB impotentíssimo de chegar ao topo por méritos próprios e do empresariado caduco, ansioso, inapto a honrar seus compromissos, mesmo com as isenções fiscais que pode desfrutar.

Em 1931 Getúlio Vargas nomeou interventores nas capitais dos estados, “despediu” delegados de polícia, juízes de direito, promotores de justiça e desembargadores que expressavam simpatia pelo governo deposto Washington Luis.

O golpe militar fundava-se nas alegações de fraudes eleitorais. Hoje se alega, contra a presidenta, a prática de ações que não se enquadram nas tipificações criminosas.

A intolerância e a perspectiva da eternização do proletariado no poder causa medo, terror infundado, na classe empresarial.

Essa agitação toda, inquietude, frutos das percepções turbadas, entendimentos alucinatórios, beira à sandice causadora das ações intempestivas.

É interessante notar que desde a década de 1950 o Brasil labuta, no seu território, em busca do petróleo.

Nunca achou.

Quando, porém descobriu o pré-sal, o alvoroço foi semelhante ao dos ocorridos nas casas dos pobres que nunca comem o melado, e que quando o fazem, lambuzam-se todos.

Politico precisa de mais juízo. Até o presente momento a maioria dos ladrões eleitos desconhece a relação dos dinheiros que roubam com a miséria do povo eleitor.

A constituição da república carece de alguns reparos. Um deles, tenho dito com alguma frequencia nos meus artigos, refere-se à desobrigatoriedade do voto. Outro consiste na redução da possibilidade da reeleição.

O argumento de que um só mandato é insuficiente para o cumprimento dos planos de governo ou a eternização no exercício da legislatura (mandato não é profissão) podem ser substituídos pela noção de que o bem maior refere-se aos interesses do todo, da manutenção do estado, da cultura e da nação, ao invés da prevalência dos negócios particulares dos que se propõem a ser eleitos.

Pode ser que esses ideais não se confirmem ou que demorem alguns séculos para se tornarem realidade. Mas é inegável que para que aja uma grande caminhada é preciso antes dar o primeiro passo. 

 

 

Julho 13, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Nos Estados Unidos o racismo é muito mais intenso e dramático que no Brasil. Se lá a intolerância chega às raias dos crimes de assassinato, aqui não chegamos a tanto, mas isso não significa que a tal diferença não seja motivo de muitos desgastes.

Considero a prevenção contra os pobres mais comum do que a rejeição por motivo da cor da pele.

Então os termos “vagabundo”, “braço curto”, dentre outros, são usados nas manifestações condenatórias que bloqueariam as possíveis intenções de auxílios espirituais e materiais.

Percebo que essas disposições negativas de ânimo, frente aos carentes, partem mais da total ignorância do que acontece nas esferas mais amplas como, por exemplo, dos fatos relacionados à política e à economia nacional.

Então os conceitos rejeitativos originam de concepções incapazes de relacionar os fatos da vida do país com a miséria das pessoas que supostamente haveriam de ser atendidas.

Acresça-se a essas manifestações hostis contra os pobres o machismo de quem, nas reuniões filantrópicas, aparece mais para “descarregar” suas tensões neuróticas do que vestido com os princípios cristãos da solidariedade e compaixão.

Ou seja, as reuniões são mais para alívio das loucuras do dia a dia do que praticamente beneficiar alguém desprotegido pela sorte.

O ser pobre, para algumas pessoas, é tão humilhante que há quem se esfalfe para botar na garagem um carro vistoso, característica dos que teriam certa gordura financeira.

Mas a miséria mesmo, a autêntica, mais grave do que a material, é a espiritual. É a carência de noção que faz as almas lesadas, perdidas, a matarem o cachorro do vizinho, destruir as árvores ornamentais, depredar as casas desocupadas, ameaçar a velhinhas, abalar as estruturas do quarteirão, e difamar a torto e a direito.

Você percebe o espírito de certo lugar, o clima dominante, as ideias prevalecentes, observando os eleitos para a câmara municipal. Há quem diga serem elas - as câmaras legislativas - mais locais onde o povo pode fazer a caridade sustentando os estropiados ali reunidos do que em qualquer outro possível albergue existente na urbe.

As sinecuras institucionais políticas, ou seja, os cargos eletivos do executivo e legislativo têm obrigações mais brandas e rendimentos mais polpudos, do que o magistério, a gerência dos empreendimentos industriais, comerciais ou recreativos.

Portanto é mais lucrativo reunir-se uma ou duas vezes por semana, na câmara municipal, em troca do que o povo paga, do que enervar-se com as atividades do comércio e da indústria.

O problema maior é ser eleito. Mas para quem tem certa fofura financeira, quase nada é impossível. Se o empreiteiro tem a certeza de que seu candidato, quando eleito, devolverá com juros e correção monetária, o capital que pode empregar em determinada campanha, ele certamente o empregará.

Se um pedófilo usava balas para corromper as crianças e se depois de pego prometeu ao delegado de polícia, ao promotor de justiça, ao juiz de direito, ao seu pai, à mãe e ao dirigente religioso que não mais cometeria tais deslizes, garantindo que construiria até mesmo uma fábrica de balas e caramelos como prova da sua regeneração, ele não estaria tão errado, mas teria mais trabalho do que se se tornasse o prefeito ou vereador da cidade.

E se tais promessas e realizações não fossem suficientes para lhe dissipar as culpas por seus crimes, a invenção de um hospital psiquiátrico não seria nada mal. Melhor ainda se, depois de passados todos os tormentos, pudesse a família remanescente vender os imóveis que sobraram para a prefeitura com os preços devida e justamente superavaliados.

Quem nasceu pé de cana não chega nunca a ser samambaia. Os loucos continuarão a ser sempre loucos, não importa se tenham ou não automóveis vistosos, se vivam ou não espalhados pelas calçadas, bebendo pinga, cerveja e fazendo churrasco.

Apesar de tudo, os loucos do quarteirão merecem o nosso respeito.

 

 

 

Julho 09, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

No exercício da advocacia devem-se observar as regras sob pena do cometimento de muitas injustiças.

Se na prática diária os advogados, juízes, desembargadores, promotores de justiça, delegados de polícia, escrivães, escreventes e oficiais de justiça estão sujeitos aos equívocos involuntários, imagine o que não aconteceria se dos atos processuais fizessem parte a má-fé ou o dolo.

Um processo sempre começa com o pedido inicial. Da peça processual, que compõe a tal pretensão do requerente, deve constar a exposição dos fatos, os artigos das leis relacionados, a doutrina e também a jurisprudência.

Diante disto tudo o juiz de direito manda chamar a parte contra quem a peça inicial é elaborada e depois de ouvi-la, tomar o depoimento das testemunhas, cientificar-se dos relatórios dos peritos e as alegações da parte contrária, decide a questão por meio da sentença.

A decisão deve relacionar-se somente sobre o que consta do pedido inicial. Se por exemplo o juiz da vara criminal deve condenar o réu por disparar o seu rifle, da sacada da sua casa, contra um gato acuado na calçada, do outro lado da rua, e o condena por causar o infarto na velhinha que morreu em decorrência do susto que teve então a sentença extrapola os limites do requerido.

Esta saída do limites do pedido inicial chama-se extra petita.

Se a decisão do juiz deve considerar as atitudes do réu, as testemunhas dos fatos, os resultados das perícias e, se por esse conjunto todo, certificar-se que o acusado, qualificado ali, naquela peça inaugural, não praticou os tais atos delituosos, ou se aquelas ações descritas não são crime, então a declaração da improcedência do pedido seria a decisão justa.

Entretanto se o desejo de condenar o tal perseguido for forte o suficiente para não esmorecer diante da irrefutabilidade das provas a favor dele, careceria à tal autoridade, a elaboração de novas artimanhas, ardis e tretas, com as quais pudesse, saciar a sua vontade.

Condenar por um crime não existente é tão ou mais grave do que o cometimento do tal delito. Neste sentido antes absolver o culpado do que condenar o inocente. Ou seja, os danos são menores quando se absolve o culpado do que quando se condena o inocente que não tem nada a ver com a quizumba.

O presente impeachment contra a presidenta Dilma é exatamente isso. Ou seja, não houve crime de responsabilidade fiscal ou empréstimos bancários ilegais. O que a presidenta fez outros governos também o fizeram e não foram por isso questionados.

A cassação da Dilma significa a ascensão de Michel Temer e isso é equivalente à cessação das investigações da Lava a Jato exatamente no instante em que os componentes do PSDB e PMDB começam a ter seus crimes ameaçados de descoberta.

Ao governo não interessa a supressão do deputado Eduardo Cunha. Apesar das evidências notabilíssimas dos crimes de lesão contra a economia nacional cometidas por ele, a sua prisão pode significar a delação de todos os velhos corruptos, que durante todos esses anos de vida pública, roubaram descaradamente o dinheiro que deveria servir ao melhor conforto da população eleitora pagadora dos impostos.

Não só com a prisão do criminoso far-se-ia a justiça, mas também com a devolução do que por ele foi adquirido ilegalmente.

A descrença, desconfiança na política, nos políticos, é o resultado da injustiça, da impunibilidade, da ostentação de quem rouba e ainda humilha, ofende gravosamente, o trabalhador honesto chamando-o de vagabundo.

Essa loucura precisa acabar. Cadeia para os corruptos e expropriação dos bens por eles adquiridos desonestamente.

Hoje, 9 de julho, comemora-se mais um aniversário (84ª) da revolução constitucionalista de 1932. Ela foi deflagrada por disparos feitos do alto da sacada de um sobrado durante manifestação popular no centro de São Paulo. Os fatos que a antecederam foram a derrubada – por Getúlio Vargas – do presidente Washington Luis e o impedimento da posse do paulista eleito Júlio Prestes.

Em 1930 Vargas alegava fraudes nas eleições. Hoje Michel Temer alega crimes de responsabilidade fiscal e outras querelas pessoais.

As formas, violentas ou ardilosas, de chegar intempestivamente ao poder precisam ser evitadas. Paciência e respeito são bons e todos gostam.

 

 

Julho 07, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

 

No dia 26 de julho de 1930, sábado, às 17:20, na confeitaria Glória situada à Rua Nova, em Recife, João Dantas, sob a alegação de que vinha sendo difamado, mata a tiros João Pessoa.

 

 

 

Júlio Prestes 1930 o Estradeiro que ganhou mas n

 

Estes momentos de tensão política, e a crise dos dias atuais, nos fazem recordar tempos semelhantes já vividos em nosso país.

De 1889 até outubro de 1930 os esquemas políticos que propiciavam a ocupação dos cargos eletivos da república eram as fraudes cometidas por todos os que participavam das eleições.

Durante esse período alternavam-se no poder as forças políticas mineiras e paulistas. Era a chamada política do café-com-leite e vigeu durante essa fase denominada República Velha até o golpe militar de 1930.

Quebrando o acordo existente entre as lideranças políticas, o paulista Washington Luis, presidente da República, no fim do seu mandato, em vez de indicar o mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada como seu sucessor, indica outro paulista o então governador do Estado de S. Paulo Júlio Prestes (foto).

Para concorrer às eleições de 1º de março de 1930 lançaram candidatura Getúlio Vargas, pelo Rio Grande do Sul, que tinha como vice o então governador da Paraíba João Pessoa; Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, que concorria por Minas Gerais e Júlio Prestes por São Paulo.

É claro que, com a tal máquina administrativa sob comando do seu aliado, Júlio Prestes apelidado de paulista de Macaé, O Estradeiro e Doutor Barbado, é eleito.

Entretanto antes do término do mandato de Washington Luis e a posse de Prestes, exatamente no dia 26 de julho de 1930, sábado, às 17:20, na confeitaria Glória situada à Rua Nova, em Recife, João Dantas, sob a alegação de que vinha sendo difamado, mata a tiros João Pessoa.

Este fato e também diante das evidências de fraude, Getúlio Vargas a 3 de outubro de 1930, liderando tropas do Rio Grande de Sul e aliados, interrompem o final do governo de Washington Luis e impedem a posse de Júlio Prestes.

Getúlio ocupa o palácio do Catete em 3 de novembro de 1930 e só sai em 1945.

Durante esse tempo, há a elaboração da Constituição de 1937, a consolidação dos direitos trabalhistas (CLT) de 1943 e outros benefícios às classes populares.

Em 1964 a situação política era também de extrema desordem e preocupação. A conjuntura internacional, entretanto foi preponderante no golpe militar de 31 de março.

Se durante a década dos anos de 1960 o mundo vivia a chamada “guerra fria” isto é, uma disputa ferrenha entre os Estados Unidos e a União Soviética pela predominância das suas formas de produção, hoje não há exatamente isso.

Hoje em dia se existem os golpes, “as puxadas de tapete”, eles o são mais sutis, suaves, menos violentos.

Embora não havendo motivos legais, nas disputas intempestivas pelo poder, criam-se situações capazes de motivar pedidos de impeachment contra a presidência da república.

A república brasileira precisa de reformas urgentes. Dentre as que carecem acontecer referem-se à reeleição de prefeitos e vereadores.

De fato: é inconcebível que um cidadão permaneça mais de 20 anos num cargo legislativo sem deixar de fazer acreditar que mais ninguém teria a capacidade para desenvolver os trabalhos, apresentar as soluções dos problemas administrativos e políticos da cidade além dele.

Outra questão que merece a atenção do legislador constitucional refere-se à obrigatoriedade do voto.

Votar deve ser um direito e não obrigação. O direito, você sabe, pode ou não ser exercido; é diferente da obrigação que, quando não cumprida, conduz a uma sanção, apenamento.

 

Julho 04, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Nas instituições religiosas e filantrópicas o objetivo principal é a vivência dos Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em sendo as entidades formadas por pessoas diferentes, o rol das reações de cada uma delas varia também conforme a educação e as experiências na vida.

Ora se viver o Evangelho é ser igual a Jesus, agir como ele agia, sentir o que ele sentia, então quando alguém, diante de uma situação de estresse, reaciona de forma agressiva, conclui-se que não está preparado para a convivência com o grupo e que este também foi incapaz de transmitir-lhe os ensinamentos do mestre.

De fato, não podemos usar as regras do basquete, quando jogamos vôlei. Da mesma forma que nos treinamentos policiais e militares, a compaixão, a benevolência e a complacência podem ser danosas, ou até fatais para os envolvidos, nas questões religiosas as reações hostis, agressivas, estariam fora de lugar podendo inclusive comprometer a coesão do grupo.

Se no exército ou polícia o componente deve demonstrar bravura, macheza, sob pena de estar fora dos padrões, nas agremiações filantrópicas, a conversa, os diálogos e a mansidão é  que devem imperar.

E se o cidadão tem dificuldade para ouvir ele não está no lugar apropriado. O macho, numa reunião religiosa, ou filantrópica, estaria tão deslocado como o peixe fora d´água. Na prática religiosa a pessoa precisa, antes de tudo ser homem. Macho não.

Homem foi Jesus que deu a sua própria vida para que se salvassem os que nele cressem.

O estágio educacional em que se encontram as pessoas, afetas mais às reações emotivas do que racionais, é indicador de que não estariam ainda tão preparadas para o ministério filantrópico.

Na polícia e corporações militarem objetiva-se coibir a prática criminosa antes com o uso da força do que com os ensinamentos cristãos.

Já nas agremiações menos truculentas o ideal seria a prevalência dos sentimentos Crísticos onde a caridade, a compaixão e os bons entendimentos, pudessem destacar-se sobremaneira.

Se no exército, na polícia, ou mesmo em qualquer outra atividade da vida civil, os xingamentos, as faltas de respeito com os mais velhos e a exteriorização de preconceitos ensejariam repressões violentas, nas entidades assistenciais essas atitudes indicariam que o tal vivente do purgatório teria mais propensão a ir diretamente ao inferno do que ascender ao céu.

Na sala de aulas o aluno precisa ter uma bagagem de conhecimentos mínimos para que não considere os assuntos ali tratados como esquisitos e que não teriam “nada a ver”.

Se, na escola, o aluno não acompanha os ensinamentos, não é o mestre ou a pedagogia que precisam mudar. É o aluno que, carente, desde o princípio, não consegue compreender o considerado irrelevante e desnecessário, que deve mudar, aprimorar-se, evangelizar-se, socializar-se.

A pressa, a grosseria, a falta de concentração, a impaciência e a limitação do vocabulário são componentes evidentes daquelas personalidades que mais atrapalham do que ajudam no transcurso das reuniões.

De pouca utilidade teria o comportamento do membro diretor da entidade se trouxesse da sala de aulas do seu colégio, para os encontros onde se cuida da filantropia, as regras que aplica para as crianças.

Se o professor, entre os alunos, precisa impedir as conversas paralelas, simultâneas, sob pena de não poder ministrar seus ensinamentos, nas reuniões cujas finalidades são filantrópicas, a conversa, a troca simultânea das ideias, faz parte indispensável do entendimento dos assuntos ali tratados.

E se o meu mui digno leitor imagina que esse tipo de atividade isenta-se da influência dos vereadores, prefeito, deputado federal, estadual e presidente de partido muito se engana.

Pois há muitos que creem ser a longevidade de certos políticos nas suas cadeiras públicas mais devida a esse tipo de tráfico de influência do que praticamente da utilidade dos projetos por eles apresentados.

De que vale para o cidadão pagador de impostos o vereador que não conseguiu durante os quatro anos em que vivenciou o legislativo participar de um único debate, apresentar moções de aplausos, repúdio ou outra coisa qualquer que não fosse a publicação de foto sua na internet ou jornais ao lado dos buracos nas ruas e avenidas?

Vou avisando que não sou candidato a vereador e que pretendo não votar em ninguém nestas eleições.

 

Julho 01, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

É muito feio usar mentiras para justificar os desvios de alimentos, doados pela comunidade, às pessoas carentes.

Quem faz isso tem em mente satisfazer a necessidades ocultas que não são, certamente, o bem alheio.

Talvez até, embase o tal comportamento equivocado, um poderoso e complexo conjunto de razões, formado por sentimentos de incapacidade, inferioridade, e sérias desconsiderações por aqueles que despontariam por alguns méritos próprios.

Há quem creia não ser incorreto considerar a vigência dos relacionamentos afetivos espúrios como elemento componente desse aglomerado de ações delituosas.

Neste sentido as uniões inconfessáveis, secretas, não teriam como sobreviver não fossem as ações criminosas contra os bens comuns formados, a muito custo, com a colaboração das pessoas de boa vontade.

Desta forma então o membro, usando das razões fictícias, buscaria justificar satisfatoriamente as depredações das reservas comuns da autarquia ou da entidade assistencial.

Longe do agente a sensação de culpa, de cometer ato condenável, por achar merecido o dano, com o qual submete a vítima institucional.

Por um lado o delinquente satisfaz-se com as uniões ocultas, condenáveis, dando vazão a poderosas energias, e do outro, conforta-se também, com a convicção de que pune merecidamente a instituição subtraída.

Haveria mais de egoísmo nessas atitudes do que atenção e respeito ao coletivo, propriedade comum, construída com muito esforço, trabalho e boa vontade.

Têm muito disso aquelas personalidades incapazes de ouvir. O escutar alguém causa tanto desconforto que não é infrequente a ebulição das violentas atitudes objetivadoras de calar a quem se manifesta.

Como a violência, a gente sabe, é o argumento daqueles que não teriam nenhum outro mais, as tentativas de agressão e xingamentos formariam a cena daquele drama esquisito vivido por quem não ousaria dizer o que realmente acontece na sua vida.

Personalidades limitadas pela educação deficiente sentem “vergonha” diante de certos assuntos. Não suportando o desconforto de ouvir, e não tendo argumentação contestativa que obste os “avanços” do orador, partem logo para os sopapos, xingamentos e comandos limitantes da manifestação verbal.

É claro que a credibilidade da instituição desce ladeira abaixo. Afinal, onde já se viu alguém cometer impunemente tanta irregularidade sem que o conceito do organismo, do qual faz parte o malfeitor, não seja abalado?

Há quem critique a aplicação das regras, das leis, na coibição das atitudes desviantes. Neste caso, a compaixão poderia contribuir para o arruinamento total do instituto e suas finalidades.

Se o mentir fere o decoro parlamentar ensejando a cassação do mandato eletivo, imagine o quão não feriria o retirar irregularmente os alimentos da entidade governamental ou filantrópica.

Personalidades influenciáveis, fracas, tendem a desistir facilmente da permanência numa agremiação, ou partido, por exemplo, quando a pressão é bastante forte.

Nestes casos o caipira, lá no rancho de pescaria, sentado no barranco do rio, ao lado duma garrafa de cerveja e com a varinha de pescar na mão, já bem bêbado, diria: “a rataiada pula fora da turma que nem a pipoca da panela”.

É tempo de eleições. Nunca antes na história deste país são as sinecuras tão necessárias, buscadas e perseguidas.

Nessa competição doida pela boa vida vale tudo: desviar alimentos, prometer casamento, enganar as investigações, caluniar, difamar, matar a alma dos adversos e gozar. Gozar muito comendo o alimento das entidades ou dando de comer a quem, por dispensa cheia, proporciona prazeres ocultos e inconfessáveis.

Gostaria de repetir a pergunta que muita gente anda fazendo: pra que serve o vereador que recebe 48 salários durante quatro anos e durante todo esse tempo é incapaz de fazer um mísero discurso da tribuna, apresentar qualquer projeto de lei, ou tomar a iniciativa de propor moções de apoio ou protesto, além de aparecer nas fotos da internet e jornais, ao lado de buracos nas vias públicas?

A gente lembra que pra isso existem os fiscais da prefeitura que fariam o mesmo serviço de caça buracos em troca dos salários (muito mais em conta do que os dos vereadores) a que têm direito.

 

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