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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Novembro 25, 2016

Fernando Zocca

 

 

Santa Cecília 005.JPG

 

Quem me acompanha durante esses anos todos aqui nos blogs sabe (eu já disse isso) que dedico grande parte do meu tempo em atividade física.

Já caminhei e corri na pista do parque do Ibirapuera em São Paulo e na da Praça da República no Rio de Janeiro. Aqui em Piracicaba, na pista do parque da Rua do Porto, da Paulista, do Piracicamirim e agora, que está em fase de acabamento, na do parque do bairro Santa Cecília.

Segundo a placa de identificação, no local, ele foi idealizado e construído na administração do prefeito Gabriel Ferrato cuja administração é de 2013 a 2016. Teria sido inaugurado no dia 20 de novembro de 2015.

O calçamento da pista é excelente; o percurso é bacana tendo descidas, subidas e até uma ponte. Durante o trajeto vemos árvores frutíferas como mangueiras, goiabeiras, fruta do conde (fruta pinha) e muita sombra também.

O local ainda está em obras. Há um pessoal instalando o equipamento da academia ao ar livre.

Apesar de haver uma única fonte de água, não há bancos para o descanso, um chuveirão, que seria bem proveitoso, e o banheiro sempre necessário.

Pra quem precisa emagrecer, exercitar-se em decorrência das sequelas do infarto miocárdico, acidente vascular cerebral, ou simplesmente levar o cãozinho pra passeio, não haveria lugar melhor.

Aliás, praça é bom pra quase tudo: se você, por exemplo, chega pro almoço, cansado do trabalho, e ainda tem de esperar a patroa, que finaliza a preparação do admordius, muito melhor seria se tivesse um

Santa Cecília 013.JPG

 

banco, em área aberta, onde aguardar, do que ficar a rodear a cozinha, tendo de suportar o tititi choroso e melancólico da sogrinha.

O parque do bairro Santa Cecília está situado na esquina das Ruas Luciano Galeti e Oscar Lorenzo e tem 11 mil metros quadrados.  

Novembro 22, 2016

Fernando Zocca

 

 

Touro.jpg

 

O enunciado é bíblico: a paz vem da justiça. Certamente a turbulência pela qual passa o Brasil decorre dos grandes desníveis sociais causados, antes de tudo, por situações de corrupção.

Não gera certa indignação, revolta, quando se sabe que, por exemplo, engraxates da câmara de vereadores de São Paulo ganham até 10 mil reais mensais, enquanto que muita gente estudada, formada nas mais supimpas universidades brasileiras, come o pão que o diabo amassou?

A situação está tão feia que até mesmo a criatividade precisa ser muito bem pesada, medida e meditada.

Num desses dias de muita atividade física, no Parque do Piracicamirim, conheci um cidadão, que pretendendo fazer um filme, pensou logo no script que continha, na trama, a história dum gato que tinha sete vidas.

- São sete vidas, sete histórias interligadas – dizia ele entusiasmado, enquanto caminhava ao meu lado, no parque.

- Se são sete vidas, sete gatos, certamente serão sete cabeças – ponderava eu.

- Sim. O tema não é inédito, mas imagine se essa história vira livro de sucesso, peça de teatro, filme... Saio logo da pindaíba, compro apartamento e até carro novo – contava ele, olhando pro chão, tentando desviar dos buracos do calçamento.

- É... Você poderia ficar mais famoso que o Rodrigo Santoro naquele filme “Bicho de Sete Cabeças” dirigido por Laís Bodanzky.

- É isso mesmo, cara! – concluiu o atleta de fim de semana. Já pensou na fama, no tanto de dinheiro, que isso tudo pode dar?

- Ah, sim, com certeza – confirmei. – Imagina depois disso tudo, a ventura, a felicidade, no romance, no amor, como o vivido com a Luana Piovani. Você não ficaria famoso só em Piracicaba. Mas no mundo inteiro também.

- A gente poderia incrementar a história colocando uma arena, touros bravos, capas vermelhas, toureiro barrigudo, muita cena de sangue, suor e cerveja... – continuava a divagar aquele esboço de diretor de cinema.

- Hãhã – concordava eu pensando no quanto os problemas provocados pelo arruinamento das relações familiares influiriam negativamente no imaginário e no comportamento das pessoas.

  

Novembro 17, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

 

caroldieckmann.jpg

 

Se prevalecesse esse conceito antigo, obsoleto, obscurantista, atrasadíssimo e muito burro, “desconsidere porque esta pessoa esta querendo aparecer”, a gente não veria nunca as belezas e maravilhas como a Carolina Dieckmann (foto), por exemplo.

Em certas localidades o atraso é tão grande, que o comunicar os fatos delituosos, as infrações, é mais condenável do que as próprias “aprontadas” em si.

Neste sentido você cansa de pedir ao cidadão que não deixe seu cachorro solto na rua porque ele, assustado com o movimento, ataca as pessoas, os outros cães, e o que recebe como resposta são palavras vazias de noção; você solicita às senhoritas e aos gentis cavalheiros, a gentileza de não baterem o portão com tanta força, na sua parede, e tem como resposta, mais batida de portão, com violência dobrada.

E ao comentar o assunto, com vizinhos mais antigos, pode ouvir como resposta: “não comente nada, não fale nada, porque pode piorar”.

Você não imagina outra coisa a não ser que está lidando com idiotas perigosíssimos e que nem mesmo boletins de ocorrência, representações criminais, e queixas crime, resolveriam a questão.

Cansado de pedir, de falar, de implorar aos tais donos do cão maldito, solto pelas ruas, que não o deixe ao léu, você não pode se assustar, e nem mostrar-se surpreso, quando o cimento ainda fresco, do piso da sua calçada, recém reformado, com muito capricho, foi totalmente pisado, sendo nele deixadas as marcas das patas do maligno.

E nem pense em pedir aos botocudos que impeçam o maldito de atacar e latir quando as pessoas entram e saem das suas casas na vizinhança.

Se você pensar bem verá que não é do pobre animal a responsabilidade pelo desconforto no quarteirão.

Na verdade o lidar – falta de escola, de professores - equivocado com a herança genética diferenciada, a agrafia, o alcoolismo e o uso das drogas estariam por trás das atitudes agressivas do cão delinquente.

E o que é que a gente vai fazer?

Quando Jesus dizia que o reino do Céu pertence aos pobres de espírito referia-se aos que respeitavam os mais velhos, os costumes, as leis, os mandamentos de Deus e da Igreja.

 

Novembro 08, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

 

 

 

Waldemar 2.jpg

 

Ontem sete de novembro achei que já era chegada a hora de saber o que dissera Francisco Gomes da Silva, mais conhecido como Chalaça, sobre seu amigo Dom Pedro I.

Para tanto fui logo cedo para a biblioteca pública municipal em busca do “Memórias Oferecidas a Nação Brasileira”, livro em que o piadista, segundo alguns historiadores, colega de gandaia do primeiro imperador brasileiro, deixou tudo muito bem escrito.

Como a gente sabe que certos livros são muito raros e que, por causa disso, não constam dos acervos das bibliotecas, municiei-me de uma segunda alternativa e caso, não encontrasse as narrativas do parceirão de Pedro I, solicitaria “A História dos Cristãos Novos Portugueses” do Lúcio de Azevedo.

Em não havendo também essa oportunidade, quem sabe “O Porquê Me Ufano do Meu País” do Afonso Celso traria algum conforto nesses tempos terríveis de devassa tremenda.

Caminhando sob um sol escaldante cheguei a biblioteca e logo fui muito bem atendido por um jovem torcedor do Palmeiras. Atencioso o moço de posse da minha lista deu busca no seu computador e realmente das minhas três alternativas, constava somente a certeza de não havia ali, até aquele momento, nenhum dos livros por mim solicitados.

Bom, o que fazer então? Ler os jornais? Navegar pela Internet usando os computadores da biblioteca? Nesse momento uma vozinha, lá do fundo, bem do fundinho, me soprou:

- Pergunta se tem papéis trocados.

- E “Papéis Trocados”, do Waldemar Iglesias Fernandes, tem?

Então o jovem torcedor do porco, que vestia uma vistosa camisa alviverde, ágil feito um gato, digitou, usando seus dez dedos, o teclado negro e, suspirando, fazendo um suspense tremendo respondeu:

- Não.

Não sei se ele notou algum desânimo no meu semblante e se isso o teria levado a buscar algo mais sobre o Waldemar, mas sei que digitando enérgica e novamente o teclado ele noticiou:

- Tem alguma coisa aqui do Waldemar... Deixa eu ver... É uma coletânea. Não é um livro só dele; participa junto com outros autores.  Pode ser esse? – inquiriu apontando algo na tela - Vai levar?

Esticando o pescoço pra enxergar as letrinhas do texto apontado, eu pensei: “Por que levá-lo? Por que não levá-lo? Então eu decidi: levá-lo-ei.

- Sim – respondi ao moço atendente.

Ele então se levantou e foi, por entre as prateleiras, em busca do pedido. Alguns minutos depois ele voltou com a “Antologia Piracicabana” uma seleção de contos, crônicas e poesias feita e prefaciada por Benedicto Almeida Júnior da União Brasileira de Escritores. Era uma edição de 1960 da Editora Aloisi.

Em 1960 eu tinha nove anos de idade.

Em casa pude ler o conto “O Céu É Para Ele”, história do Waldemar Iglesias sobre Zezo um menino muito pobre que trabalhava numa padaria, cujo pai, maquinista da Central do Brasil, morrera acidentado perto de Rezende.

A dona Emília, (ah, dona Emília!), professora do menino, brigara com ele pelo abandono da escola no terceiro ano; o menino perdera também o emprego na padaria.  

Depois de ser contratado como entregador de telegramas na Central do Brasil conseguiu ainda sobreviver até quando o tomou a tuberculose que o matou.

Que triste fim do Zezo!

Mas, falando em Waldemar Iglesias Fernandes (foto), a gente logo se recorda de muitos outros piracicabanos ilustres como o Dóia. Lembra dele? Seu nome era João José Penezzi, era vice-diretor da escola Estadual Otoniel Junqueira, situada no centro de Preruíbe, filho da ex-vereadora Ditinha Penezzi.

Ditinha (Maria Benedita Pereira Penezzi), gestões 1956-1959, 1960-1963, ficou famosa por ser a primeira mulher negra, de origem muito humilde, a ser eleita para o cargo de vereança.

Dessa gestão 1956-1959 também participou um irmão do meu tio Carlos Adâmoli. Seu nome era Emílio Reinaldo Adâmoli que além de vereador foi industrial e presidente da Guarda Municipal de Piracicaba.

Da Antologia Piracicabana, 1960, Editora Aloisi, meu mui querido amigo João Chiarini também participa com o texto “Contente da Vida”.  

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