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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Abril 17, 2017

Fernando Zocca

 

 

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Se meu pai vivo fosse, não votaria em Barjas Negri, Mendes Thame, José Aparecido Longatto, Ary de Camargo Pedroso Júnior, João Manoel dos Santos e outros contumazes da politica caipira.

Por volta de 1970, na entrada da agência do INSS da Rua XV de Novembro, 790, presenciei uma conversa entre Fúlvio Zocca e Jessé Amorim:

- Que coisa esquisita, rapaz, já faz uma semana que só me deparo com gente alta. Sabe pessoas de estatura elevada, gente grande, graúda? – perguntou Fúlvio.

- Hum... É um sinal, alguma coisa que o cosmos quer dizer – respondeu Jessé com ironia.

- O que será isso? Cadê os baixinhos? – brincou Fúlvio.

- Sei não. Pode ser um recado. Bom... Eu entendo como sendo isso.

- Mas o que quer dizer? – indagou meu pai tirando do bolso da camisa um maço de Continental sem filtro.

- Olha, pra mim, que não sou cartomante nem nada, entendo que a mensagem é que você não passa duma pessoa pequena, baixa, lenta, down, lerdinha. Entende?

- Ah, vai pro inferno – respondeu Fúlvio acendendo o cigarro e encaminhando-se para o interior da agência.

Saí pra Rua XV de Novembro e vi diante da Loja Edson, conversando com o tal de Emílio Reinaldo, o meu primo Roque, um rádiotécnico de mão cheia, que trabalhava ali naquele estabelecimento, situado bem defronte ao INSS.

Roque era um daqueles supostamente preteridos, numa pendenga de herança, que envolvia todos os herdeiros da minha avó paterna.

Essa história eu já contei num dos livros publicados na Internet e também em outros textos dos blogs. Mas pra quem não sabe não custa repetir: imitando Israel que, em 1948, com o apoio da ONU ocupou um território da Palestina, meu pai, com a proteção da sua mãe, em 1954 (eu tinha três anos de idade), tomou posse dum imóvel pertencente ao rol dos bens deixados pelo pai dele, falecido em 1943.

A desocupação aconteceu quase 20 anos depois, quando Fúlvio sofreu  infarto tendo de mudar-se de casa.

Mas retornando ao assunto política, num dia destes encontrei-me com uma simpática senhora, - a Estefânia - já na sexta década de vida, que caminhando pela pista da área de lazer do bairro Santa Cecília, ao me avistar foi logo falando:

- Vejo sempre o senhor por aqui. Leio também o que escreve nos seus blogs. Eu agora preciso caminhar. Foi meu médico quem mandou; ainda estou bem barriguda, percebe? Mas já estive pior. Não dá pra notar, mas meus cabelos também estão caindo. Ai que saco. Dizem que a gente melhora quando faz exercícios. Será verdade?

Quando lhe respondi que sim, Estefânia arfante, bufando, me confessou:

- Eu tinha me separado do meu marido que, aliás, agora está surdíssimo, com aqueles aparelhos auditivos nos dois ouvidos, mas já voltamos. Ainda bem. Nossos filhos e netos não merecem os tititis que a maledicência reserva pros separados. Não é?

Eu ia concordar plenamente quando ela, já bastante suada, emendou:

- E a política, heim? Que vergonha... Nossa, gente!!!! O que é isso? Sabe seu Fernando, meu marido me diz que esse tipo de crime só acontece com quem está há muito tempo na política.  Não é verdade? Olha... Pode reparar: esses fulanos que estão há quatro, cinco ou mais gestões nos cargos públicos é que têm maior probabilidade de enriquecerem com o que não é deles. Não é mesmo?

- É sim, dona Estefânia. Mas eu acho que eles todos vão pra cadeia – concordei.

- Será? - Duvidou Estefânia.

Pode até ser que seja dona Estefânia. As coisas estão mudando, quem sabe?

Abril 12, 2017

Fernando Zocca

 

 

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Foi Getúlio Vargas quem, durante seus governos, oficializou os institutos conhecidos como sindicatos representativos das categorias profissionais.

Vargas foi ditador, tendo chegado ao poder pela revolução de 1930 e, deposto em 1945, voltou como presidente eleito, pelo voto popular, na década de 1950.

Os sindicatos possibilitam a interação direta entre as categorias profissionais da sociedade e os governos.

Desta forma, por exemplo, no sindicato dos comerciários, - o presidente e diretores - representantes dessa categoria, teriam dentre outras, a função de pleitear junto ao executivo, legislativo e judiciário, os direitos e interesses de todos os seus associados.

A existência dos sindicatos representativos dos que trabalham na indústria, no comércio, na prestação de serviços, é pareada com as entidades que representam os interesses dos patrões.

Então os interesses, tanto dos empregados como dos patrões, são discutidos, nesse nível de diretoria e assembléias de ambas as organizações.

Acontece que nem sempre uma diretoria, por exemplo, dum sindicato de empregados, quando negocia com o dos patrões, age com lisura, ou exclusivamente na defesa daqueles associados que a mantém, pelas mensalidades pagas na forma de descontos nos salários.

São os chamados pelegos. Pelego é uma palavra que significa a manta, ou tapete, feito com a pele do carneiro e era (ainda é) utilizada sobre a sela que encilha os cavalos.

E você sabe: quem monta o cavalo é o cavaleiro, mandante, diretor, presidente, prefeito, coronel do sertão, representante da oligarquia inserida no feudo sob seu domínio, presidente da câmara.

Então quando você percebe que aquela presidência de sindicato é pelega sabe que ela, ao invés de proteger os interesses dos seus associados, defende exatamente os da categoria oposta, neste caso, os dos patrões.

Essa espécie de traição equivale, no futebol, ao gol contra; na marinha às tentativas de afundar o navio, em detrimento de todos os demais embarcados, somente por não simpatizar com o capitão.

Veja quanta gente associada, que pagando religiosamente as mensalidades referentes à filiação obrigatória ao sindicato, é prejudicada quando a diretoria, mal intencionada, em troca de favores materiais, ofertados pelos coronéis contumazmente eleitos e reeleitos, resolve transigir fazendo acordo não aprovado pela grande maioria.

O pelego sindical é fruto maligno da ausência da transitoriedade nos cargos de direção.

Abril 07, 2017

Fernando Zocca

 

 

 

 

 

 

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O chefe do executivo piracicabano tem como hobby as artes mágicas.

Ou seja, quando não está trabalhando, ele distrai a si, e aos do entorno, com números de mágica.

A gente sabe que esse tipo de atividade utiliza a simulação, o engodo, a ilusão, escondendo sempre a realidade dos fatos.

Não temos nada contra tal atividade que se utiliza do fazer o que não é, parecer que seja, e o que seja, parecer o que nunca foi.

Mas na administração pública os fatos não podem ser assim tão opacos. Precisam, para a obtenção do sucesso, de muita transparência.

Temos nos dias de hoje uma greve dos funcionários municipais que solicitam atualização dos salários por conta da inflação e perda do poder aquisitivo.

Recusando-se a atender as solicitações, o prefeito ilusionista, prestidigitador, alega que os cofres municipais estão vazios, não dispondo do numerário suficiente para tal fim.

Entretanto discursos garbosos, pomposos, envoltos em muito orgulho, na câmara municipal, noticiavam que a cidade era daquelas que tinha, dentre outras mil, a maior arrecadação de impostos de todo o Estado brasileiro.

Do poder legislativo voltava, para o executivo, nos finais dos períodos anuais, os valores milionários não utilizados pelo consumo na câmara municipal.

Diante destes fatos não há como não concluir que, ou o senhor prefeito não deseja atender aos que trabalham para ele, ou as palavras ditas no legislativo, pelos componentes do seu partido político, não passavam de passes de ilusionismo.

As condenações pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, das prestidigitações nas licitações de obras públicas, na aplicação de verbas insuficientes na educação, na dispensa de concorrência onde deveria haver, dentre outras irregularidades administrativas, resultaram em muitas multas a serem pagas pelo senhor prefeito.

Há quem garanta haver, diante de tantas irregularidades, improbidade administrativa danosa, notória, inegável, e motivos suficientes para o impeachment.

 

Abril 02, 2017

Fernando Zocca

 

 

 

 

Bandeira Piracicaba.gif

 

Os funcionários públicos municipais querem aumento de salário. Dentre as justificativas está a perda do valor aquisitivo dos vencimentos por conta da inflação.

Realmente, a simples reposição dos índices consumidos pela degeneração inflacionária, não faria jus à valorosa e indispensável classe do funcionalismo.

Sem ela a administração, com toda a burocracia envolvida, emperraria de tal forma que a vida pacífica na cidade tornar-se-ia praticamente impossível.

Sindicatos e representantes da categoria solicitam, há algum tempo, do executivo municipal, as providências financeiras reparadoras.

No entanto, desculpando-se com a alegação da exiguidade das reservas nos cofres públicos, refuta o atual prefeito, as pretensões dos funcionários, sob seu comando, na prefeitura.

Por outro lado há quem garanta que não existe falta de dinheiro, mas sim inabilidade administrativa. Discursos inflamados na câmara municipal, não raro, gabavam estar a cidade no rol daquelas que possuíam as maiores arrecadações de impostos do interior do estado.

Diante desta situação atual, entre os funcionários e o prefeito, o meu amigo leitor pode concluir que ou eram falsas as afirmações contidas nas falas políticas do legislativo, ou o responsável pelo executivo não quer mesmo satisfazer as necessidades dos funcionários do povo.

Ainda nesta linha de raciocínio convém não esquecer que durante os finais dos anos legislativos, as presidências da câmara municipal anunciavam, com toda a pompa e circunstância, a devolução de milhões de reais ao executivo por não ter onde os utilizar.

Desta forma, ou eram falsas as comunicações feitas pelo legislativo, ou o senhor prefeito não está mesmo disposto a deixar de aplicar toda a riqueza municipal nas obras públicas consumidoras de muita areia, brita, cimento, asfalto, mão de obra e seus projetos.

Os que creem serem os cinco últimos governos municipais exercidos por uma oligarquia desequilibrada não têm dúvidas de que os trabalhadores municipais terão de enfrentar sérios problemas com os gestores dos seus salários.     

 

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