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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Novembro 24, 2017

Fernando Zocca

 

 

24 Dezembro 2009 013.jpg

 

A televisão brasileira foi inaugurada no dia 18 de setembro de 1950. Sua padroeira é Santa Clara, mas o santo, ou a santa, do dia é Ricarda.

Ricarda é o feminino de Ricardo que atualmente entre nós brasileiros comuns é também conhecido como Ricardão ou “fura-olho”, isto é, aquele sujeito que, intrometendo-se entre os parceiros, que formam um casal, adultera o pacto de fidelidade feito por ambos.

A ação ricardina vale-se de alguns elementos para ser eficiente: primeiro, há a carência duma necessidade, não satisfeita, daquele que se deixa levar pela ação do Ricardão ou Ricardona; segundo, o parceiro pode agir como vingança por algum mal causado pelo cônjuge.

Desta forma a parceira que não se conforma com os sopapos diários, ou as agressões verbais, contra si ou os filhos, ao invés de se manifestar comunicando os fatos à polícia, ou aos parentes, procura descontar, vingar-se do agressor, com as “puladas de cerca”.

Há muito aquele velho conceito “mulher de malandro, gosta de apanhar” está fora de moda. Na verdade nem a mulher e muito menos o malandrim, gostam de sofrer castigos físicos ou morais.

Não é nada incomum o buscar fora do lar, ou do casamento, as satisfações que neles não se encontram.

Observa-se também a ocorrência do refrão “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”, quando um dos parceiros, por ter sido atraiçoado, resolve usar a reciprocidade traindo também.         

Nesses casos, meu amigo, o ziriguidum é tremendo. Os bafafás, os auês, e os pega-pra-capar são terríveis. Jogar limpo é indispensável para a manutenção da paz.

Esses dramas são comuns em todas as classes sociais. Existem entre os ricos, remediados e os pobres. Mas não deixam de ter um destaque especial quando são vividos por pessoas que diariamente aparecem ao imenso público, nos grandes veículos de comunicação social.  

Novembro 22, 2017

Fernando Zocca

 

 

Nunca antes na história deste país evidenciou-se, de forma tão clara, o nexo causal entre os crimes praticados pelos políticos daninhos e a deterioração das instituições básicas asseguradas pela Constituição da República.

Não nos deixa de haver a ideia do confronto entre duas posições, digamos filosóficas, representadas pelo egoísmo e altruísmo.

O confronto entre estas duas formas de proceder demonstra que quando sobressai o ególatra, e sua egolatria, tudo o que é projetado, destinado, ao bem comum tende a definhar, ressequir.

Exemplos evidentes disso são as personalidades despóticas que não se importam de ver as suas cidades destruídas, desde que seus bolsos, e os dos seus familiares, estejam cheios.

Na Síria vemos urbes inteiras arrasadas militarmente em troca da manutenção do mesmo governo mandão por décadas e décadas a fio.

Milhões e milhões de pessoas, do mundo todo, passam hoje por momentos de tensão diante da possibilidade do confronto armado originado pelo mau governo norte-coreano preponderantista vitalício.   

No Rio de Janeiro o arruinamento das instituições estatais, e milhares de vítimas, equivalem ao júbilo dum pequeno grupo que, se não detido, exemplificará para o Brasil, e o mundo, que o crime compensa.

E se o crime compensa meu amigo, para que servem as leis?  Crê-se que seja uma questão de sobrevivência da nação, do estado, da civilização brasileira, a aplicação exata das leis e o cumprimento das penas ajustadas aos condenados de deteriorarem o vigor nacional.

A destituição da opressão cruel que a ascendência criminosa exerce sobre os mais frágeis é uma questão de honra, de manutenção da vida.

O momento presente é histórico, representa uma chance imensa para o judiciário demonstrar a sua utilidade.   

Novembro 15, 2017

Fernando Zocca

 

 

Van Grogue entrou cambaleante ao bar do Maçarico, naquela tarde do feriado e emitindo um arroto estrondoso foi logo dizendo:

- Amarrotaram a minha paciência. Se não é na entrada é logo na saída que esses periquitos esquisitos, estranhíssimos, deixam suas danadezas.

- A rodada nem começou e já está todo nervoso Grogue? O que é isso companheiro? – perguntou o Zé Cílio Demorais que, sentado numa banqueta, postada no canto da entrada do boteco, deglutia sua segunda cerveja.

- Ocê não sabe da novidade Zé! – exclamou o Fuinho Bigodudo – falaram que Grogue comprou uma moto!

- É verdade Grogue? Como assim? Você é analfabeto, não pode ter habilitação. Como conseguiu isso? – quis saber a Luísa Fernanda que, de braços dados com seu marido Célio Justinho, ingressava no ambiente em busca do seu terceiro maço de cigarros do dia.

- Eu já tinha a moto. Mas ela ficava guardada no final daquele corredor frontal da minha casa. De vez em quando, abro o portão de correr e saio com ela. É bonitinha.

- A turma comenta que você dá seta pra entrar à esquerda, mas vira à direita? O que é isso? – Célio Justinho mostrava seriedade.

- Essa negada é mexeriqueira. É um bando de desocupados mamadores nas tetas do INSS. Como não têm o que fazer ficam zoando comigo que sou o “mais melhor” de bom aqui do pedaço – respondeu Grogue. E depois, virando-se para o Maçarico emendou - Seu garçom faz o favor de me servir o meu litrão, por gentileza.

Maçarico que usava quantidades enormes de laquê, pra segurar os penteados esdrúxulos, assentando as sobrancelhas com a base do polegar direito, abaixou-se, abriu o freezer, tirando de lá a cerveja geladíssima.

- Se beber, não pilote, hein Grogue, safado! – exclamou o dono do bar ao servir o cachaceiro de um metro e oitenta e dois centímetros de altura.

- Você acha que eu sou besta? – perguntou Grogue.

- A gente acha que é sim – responderam em uníssono os presentes.

Enquanto conversavam bebericando, entrou a vovó Bim Latem, que fora chefe de gabinete, quando Jarbas o caquetíssimo energúmeno, era o prefeito da cidade.  Ela zunia igual àqueles teco-tecos velhos do interior, pilotados por gente que, na falta do que fazer sobrevoava, por horas e horas seguidas, determinadas regiões da cidade, estressando as vacas leiteiras da vizinhança.

- Que zumbido é esse vovó? – indagou Grogue.

- Com esse escarcéu nem galinha bota ovo e cabra dá leite. O que é isso antiga e respeitosa senhora? – aderiu Zé Cílio à causa grogueana.

- Pelo que vejo vocês estão tremendamente amargos nesta tarde – respondeu a velhota que, também ostentando um penteado exótico, mordiscava uvas passa.

- O que vai ser hoje, venerável neguinha velha? – perguntou Maçarico.

- O de sempre, meu amoreco – respondeu a sisuda – Em dia de decisão de campeonato não se joga fora conversa fiada. Falsidade tem limite. - Olhando demoradamente de esguelha para o Van Grogue ela perguntou:

- Por que não comprou antes a moto?

- Porque não tem porta, airbag e nem cinto de segurança - respondeu ele com ironia.

Depois de pegar o seu litro de cerveja a poderosa vovó Bim Latem, debaixo daquele seu penteado, que mais parecia a mota da árvore fina de beira de calçada saiu dizendo:

- Ate o aro do arroto amargo.

Sem entender bulhufas do quis dizer, aquela respeitável matrona, o pessoal voltou à incansável rotina da bebericação.  

 

Novembro 13, 2017

Fernando Zocca

 

 

 

Ninguém nasce sabendo. Já imaginou um recém-nascido prático em fritar ovos ou fazer café? Não tem como por dois motivos: o primeiro consiste naquele em que ele não teria o desenvolvimento físico necessário para manejar o equipamento e o segundo por não conhecer a sequência das ações que culminariam com o ovo frito.

A sucessão das atitudes que devem ser procedidas para o conseguimento de um determinado objetivo existe para tudo.  Desta forma o fritar um bife, fazer arroz, preparar o feijão, fritar as batatas, elaborar o suco, dependem do encadeamento dos atos  específicos que cessarão com a realização do objetivo.

O saber fazer indica que o sujeito aprendeu a fazê-lo. E a quem não o faz, se for do interesse, aprende de uma forma ou de outra.

Assim, pedalar, dirigir um automóvel, uma moto, pilotar um avião, dependem, certamente do ensinamento de alguém. Nos tempos antigos, nas cidades sem aquele movimento intenso das grandes capitais, era mais comum o adolescente aprender a dirigir o carro da família com um parente ou pessoa amiga.

Então logo o aprendiz saia pilotando o veículo sem ter a mínima noção das regras do trânsito, do significado dos sinais inseridos nas vias de circulação. E não era rara a ocorrência de acidentes danosos.

Hoje existem facilidades incontáveis para quem deseja aprender a fazer uma coisa que não sabe.

Se o vovô que passou a maior parte da sua vida andando a pé pelo meio das ruas da cidade e, nunca imaginou que poderia dirigir um automóvel, hoje pode muito bem, ingressando numa auto-escola, aprender a comandar as máquinas poderosas cheias de cavalos de força.

Se a mocinha não sabia coar o café, fritar ovos, lavar as roupas, ou preparar as refeições para os seus parentes, pode, com paciência, aprender a fazer tudo isso. E se a criatura isso já faz por que não dirigir o automóvel da família?

A prática é importante para o bom desempenho do que foi aprendido. Se o interessado aprendeu a falar uma língua estrangeira, mas não a pratica pode não desempenhar tão bem a função, como aquele que se exercita constantemente.

O bom incentivo é importante para que o novato na função se acostume com as novas atitudes. Se o marido, a sogra, os filhos ou o titio do marido não estimularem positivamente a principiante na prática habitual, esta pode desinteressar-se pelo assunto novo.

Novembro 09, 2017

Fernando Zocca

 

 

Os cidadãos gastam uma fortuna pagando impostos municipais, estaduais e federais que servem, dentre outros objetivos para pagar os salários dos senhores legisladores.

Legislador é o cidadão capacitado a elaborar as normas de conduta que servirão para facilitar, melhorar, promover a vida, a saúde, e o bem estar de todos os residentes em determinada cidade, estado ou país.

Dentre estas leis encontram-se as que regulam a convivência entre vizinhos. O Código Civil trata do assunto, o Penal também e, certas câmaras municipais, diante de algumas situações específicas das suas localidades, regulam o assunto criando normas procedimentais.

É bem conhecida a importância do sossego, da paz pública. Sem uma noite boa, bem repousante, não se pode obter desempenho proveitoso dos que trabalham na indústria, no comércio, na prestação de serviços e também na construção civil.

Desta forma existem leis federais, estaduais e municipais impedindo a perturbação do chamado sossego público. Algumas disposições legais apenam os que, depois de determinado horário noturno, exercem atividades perturbativas do sono, do descanso, da paz e tranquilidade alheias.

Desta forma o fato de estar em sua própria casa não significa que o cidadão pode praticar situações que desassosseguem as pessoas do entorno, da vizinhança.

O cidadão que assim o faz procede, geralmente, por duas razões: uma delas seria por desconhecer as regras, e a segunda pela pratica usual, impune, de tais ações por dolo e má vontade mesmo.

Então, churrascos musicados, festas em república de estudantes, manifestações pessoais com sons, ruídos, vozes, choros, música, pregação moral, depois do horário estipulado nas leis, sujeita os infratores às penas nelas cominadas.

Não é nada raro alguém ter, na sua vizinhança, alguma casa em que depois das 22, 23 ou 24 horas inicia burburinho, rumores e tumultos utilizados de forma a intranqüilizar os do entorno.

O fato de estar dentro dos limites da sua propriedade não autoriza ninguém a proceder de forma a causar danos, ou a perturbar os outros.

No governo de uma boa cidade participam, mais intensamente, o executivo e o legislativo. Quando este se mostra colaborador daquele, sempre seria bom e justo, que a recíproca fosse verdadeira.

Se os vereadores colaboram com o senhor prefeito aprovando-lhe as decisões, seria bom que o chefe do executivo participasse mais observando a execução e o cumprimento das leis.

Manifestações sonoras, depois do horário permitido devem ser fiscalizadas pelo órgão competente da prefeitura. Mesmo as bem intencionadas que se dão em meio aos bafafás, zoeiras, furdunços, balbúrdias, sarrafuscas e que mais parecem uma terrível agitação no galinheiro ante o aparecimento da raposa.

           

Novembro 05, 2017

Fernando Zocca

 

 

 

A conexão de determinadas reações a certas causas é que faz a diferença entre as personalidades com diversos níveis de escolaridade. Por exemplo: o engenheiro projeta um tipo de quitinete especialmente construída para ser ocupada por uma ou duas pessoas. Entretanto depois de entregue o imóvel a determinado comprador, acha este, que a propriedade pode ser habitada, além dele, por mais seus cinco filhos, noras e netos.

Perceba que o apinhamento de pessoas, seus bens móveis, interesses e necessidades, num local exíguo, além da exacerbação dos problemas pessoais, do condomínio e até dos limites estruturais do prédio, colocarão em sérios riscos a segurança de todos do imóvel e, é claro, da vizinhança também.

Então o que vemos é um antagonismo dos conceitos de quem projetou a residência e o entendimento dos ocupantes que não atendem as normas de ocupação.

Se essa dissensão não for reduzida de forma que haja o enquadramento dentro dos padrões norteadores do projeto haverá, com certeza, sérios danos a todos os condôminos.

É o que acontece quando se ocupa uma embarcação com o número de passageiros maior do que a sua capacidade planejada.

Nessa divergência entre os conceitos de quem projeta e os de quem se acha em condições de superar as margens do estabelecido, muitos podem perder a vida.

Os projetistas baseiam-se em cálculos, resistência dos materiais, funcionalidade, segurança e conforto para os adquirentes do produto, enquanto que as noções básicas componentes das atitudes imprudentes não atentam a tais princípios.

Outro exemplo muito claro da conexão equivocada entre a ação e reação – causa/efeito – pode ser o da viciação de determinado adolescente, atribuída a má querência de tal e qual vizinho, quando, na verdade, o jovenzinho teria como incentivo o uso constante das drogas ilícitas, efetuado pela própria mãe, e a extensa ficha criminal do pai, conhecido cadeieiro incorrigível.

Nos dois exemplos, tanto do ocupante imprudente da quitinete, quanto dos pais do adolescente, que enlouqueceu, pode haver o alicerçamento do comportamento danoso, difamatório, injurioso e calunioso, que espalhará, aos quatro ventos que, num caso, aquele imóvel não prestava mesmo e, no outro, que o vizinho não passava dum doidivanas.    

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