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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Fevereiro 27, 2018

Fernando Zocca

 

 

Praça José Bonifácio Piracicaba.jpg

 

Há quem veja nestes embates políticos atuais a antiga luta de classes. Ou seja, os poderosos empreendedores, proprietários dos meios de produção, contra os despossuídos de tudo até mesmo do mais básico como educação e saúde.

Atualmente os grandes líderes políticos, tanto de um lado como do outro, buscam destruir o adverso, com denúncias do conseguimento de riqueza por meios ilícitos.

No meio da quizumba, o povo é bombardeado diariamente com os informes de toda a ilicitude existente.

No acirramento dos ânimos tem o Brasil, pela frente, eleições que poderão causar mudanças significativas na composição do executivo e legislativos nacionais.

E para quem cargo público eletivo significa manutenção de status superior, e até mesmo da sobrevivência, o tempo presente no Brasil é bastante angustiante.

Representantes do operariado chegaram ao poder por diversas vezes no Brasil; e pela orientação política foram apeados prematuramente, seja de forma violenta como em 31 de março de 1964, como agora com o impeachment da presidenta legalmente eleita.

A ânsia pelo poder, não raras vezes, leva a condutas antiéticas que, frequentemente, geram ações agressivas, como a ocorrida em 1930, quando Getúlio Vargas, destituindo Washington Luis e impedindo a posse de Júlio Prestes, se apossou do governo, exercendo a considerada política justa.

Esse “chega pra lá”, muito característico da República, teve seu início logo depois de 15 de Novembro de 1889. Aliás, com esse gesto deportaram Pedro II.

É dessa maneira que Jânio da Silva Quadros “renunciou”, João Goulart foi substituído, Dilma cassada, e Temer mantém-se no poder.

A velha competição entre o capital e o trabalho vê neste momento, aqui no Brasil, a demolição do Estado construído pelo populismo e a Guerra Fria.

Se não fossem os processos e os supostos crimes imputados contra os representantes da classe trabalhadora, os capitalistas encontrariam outras formas, não menos eficientes, para afastar todas as orientações políticas contrarias aos interesses do capital.

Sobressaem a todos esses fenômenos políticos os distúrbios gravíssimos que caracterizam a atual situação no Rio de Janeiro; eles teriam como base o tráfico de drogas, o crime organizado, cuja competência, para o saneamento, cabe à polícia e não ao exército.

Se a corrupção impede o apaziguamento, a pacificação, não seria extraordinária, como no princípio da existência da Republica, a implantação da legislação temporária, estabelecedora da pena capital.   

Fevereiro 23, 2018

Fernando Zocca

 

 

 

Cavalo.jpg

 

O sujeito gasta zilhões de reais mensais para cursar uma faculdade de medicina e quando chega a hora do trampo, do vamos ver, percebe que a teoria, na prática, é bem outra.  

Uma das causas da frustração é ausência da capacidade pagadora da maioria das pessoas necessitadas das atenções do especialista.

Então a manutenção daquele esquemão todo montado, com salas pra testes psicológicos, balanças, a miríade de equipamentos usados na anamenese, mais as despesazinhas básicas do vivente comum, como água, luz, telefone, gasolina, IPVA, IPTU, e o escambau, tornam a tal prática profissional sonhada na infância (tadinho...), praticamente impossível.

Desta forma a manutenção do paciente como cliente por anos, décadas a fio, não deixa de ser uma forma eficiente para o embasamento, da aquisição, muita vez, das mansões, dos iates, dos carros importados e das luxuriosas amantes nas capitais famosas.

Se no tempo do império os senhores do engenho tinham escravos que, com o seu trabalho, mantinham aquela riqueza toda, (uma estrutura confortável somente para os donos do poder), hoje existem escravagistas que mantém milhões de pessoas escravizadas com psicotrópicos, suportadoras da estrutura social que ninguém pode negar que vê.

Daí você percebe que aquela tal feridazinha do dedão, não sara com as rezas, as benzeções, e muito menos com as medicações do doutor, que não deixa nunca de cobrar caro pelas consultas ou de reclamar dos planos de saúde, por estabelecerem preços vis pelo atendimento especialissimamente personalizado.

Disso não é nada incomum o surgimento das chamadas doenças iatrogênicas, ou seja, provocadas pelo procedimento equivocado do profissional, não rara vez, preocupadíssimo, com o desenvolvimento emocional, e despesas materiais, da prole própria.

E quando assim não se sucede, ou está difícil conciliar os saldos positivo e negativo, não custa nada a agitação do meio social com o alardeamento do surgimento de novas doenças perigosíssimas, possíveis de causar danos seríssimos na população desavisada.

Sem as doenças a prática médica torna-se bastante tênue. Povo sadio não carece da atenção do doutor especialista.

A associação do profissional com gente hábil em se manter nos cargos eletivos, por, no mínimo, uma vintena de anos, forma certos grupos de mando que muito abusam dos poderios econômico e político, mantendo esta ordem social calamitosa para a maioria das pessoas que vivem no Brasil.

- Seja burro, mas não seja teimoso – disse certa vez, um personagem famoso ante a insensibilidade do profissional que se negava a aceitar a realidade que via.      

Fevereiro 09, 2018

Fernando Zocca

 

 

Zé Trindade humorista.jpg

 

A burocracia administrativa da Prefeitura Municipal de Piracicaba está mais bagunçada do que escritório de contabilista estelionatário.  

Ou o pessoal responsável por certos setores é ainda inexperiente, ou dezenas de atitudes inconsequentes são voluntárias, dolosas.

O que mais pode o cidadão comum concluir sobre o profissionalismo e a responsabilidade de alguns setores, quando emitem cobranças, de supostos créditos fiscais, depois de prescritos?

E o que dizer sobre a capacidade profissional dos responsáveis por departamentos específicos do Serviço Municipal de Água e Esgoto (SEMAE), que cobram contas há muito tempo já pagas pelos consumidores?

A administração municipal está mais avacalhada do que cabeça de bêbado, ao tirar a maçaroca de dinheiro do bolso traseiro, pra pagar suas dívidas, depois da quinta pinga, no bar da esquina, ou do meio do quarteirão.

E o que dizer do departamento jurídico quando um processo de execução fiscal de ISSQN (imposto sobre serviço de qualquer natureza) dormita por mais de 10 anos, no cartório, sem providência nenhuma?

Dizem que a vitaliciação nos cargos transitórios como os de prefeito e vereadores é a mãe da corrupção, do abuso do poder econômico, do poder político e do fracasso geral da população.

Se a idiotice dos vizinhos chatos cuidasse mais de fiscalizar as atitudes danosas dos políticos da cidade, ao invés de tentar controlar os do entorno, o progresso da urbe seria outro.

Não dei muita importância quando me disseram que a metade do funcionalismo municipal não labora sem antes passar mensalmente pelo consultório do doutor Carneiro e receber dele suas prescrições.

 

Fevereiro 01, 2018

Fernando Zocca

 

 

Ford Galaxie.jpg

 

Quase ninguém identificaria outra pessoa mais estrambótica do que aquela criatura alta, barriguda, desengonçada, mãos enormes, óculos de lentes grossas e que dirigia um Ford Galaxie branco pelas ruas da cidade em 1969.

Outra característica do dito cujo, que o diferenciava dentre os demais mortais daquele quarteirão, era o jaleco alvíssimo.

Quando ele falava, não era pra dizer nada diferente do que fossem os elogios a Delfim da Costa Netto, Emílio Garrastazu Médici e ao Delegado do Dops Sérgio Fleury.

Afirmavam que a tal criatura – na verdade o “doutor” Carneiro - era banqueiro do jogo do bicho, que recebia, naquele seu gabinete, ornamentado com mobiliário novo e um destacadíssimo ar condicionado, embutido no alto duma das paredes, as apostas da vintena de pessoas diariamente.

- E aí, rijo? – inquiria o altivo estendendo a mão aos apostadores que chegavam.

Os que com ele mantinham contato pessoal perceberam outra faceta diferente do tal: ao apertar a mão do apostador, principalmente na despedida, Carneiro o fazia com uma espécie de empurrão vigoroso. O visitante não podia deixar de se sentir rejeitado, principalmente se, ao fazer sua aposta, punha pouco dinheiro, ou o que dizia, tinha reles relevância.

Políticos, gente da polícia civil, funcionários públicos, donos e donas de bar, senhoras donas de casa, operários da indústria mecânica, mecânicos, comerciante de móveis, professores, diretores de escola, viadinhos, viadões, sapatinhos e sapatões eram frequentemente vistos entrando e saindo daquele ambiente.

- O senhor me desculpe não ter tanta verba pra pagar a aposta, mas é que estou sem trabalho, sem serviço – disse certa vez um daqueles curiosos moradores do entorno, que pra xeretar, foi saber que bicho daria naquela tarde.

- Como assim, sem serviço? Nos dias de hoje o pessoal encara qualquer coisa, nem que seja cortar cana – respondeu o Carneiro enjalecado.

- Me perdoe o senhor. Mas não tenho tanta força assim pra esse tipo de obra – justificou o consulente humilde.

- Ah, não me venha com ninharia. Então não vê que o caipira da roça trabalha de sol a sol e quando chega a noite ainda tem forças pra redigir seus palpites pro dia seguinte?

- Olha seu Carneiro sei que o senhor é um sujeito direito, que escreve direitinho os palpites chegando até a deixar a gente meio feliz, mas percebo que essas coisas que o senhor recomenda não dão muito certo, não.

- Como não dão certo? Eu prescrevo os bichos que são destacados pelas estatísticas. Não invento nada.

- Seu Carneiro, por que ri? Estou tão desacorçoado que penso até em me matar – disse o matuto choramingão ao imponente mestre das artes do jogo do bicho.

- Ah é? Então você vai pra Brasília dá um tiro no Delfim Netto e depois se mata. Ele é o responsável por essa situação tão difícil. É ou não é?

- Sei não, seu doutor, sei não...

Ao sair do ambiente, o consultante, cabisbaixo, perguntou pra outra pessoa que, de pé, aguardava, do lado de fora, a sua vez de expectorar a aposta:

- Por que será que o seu Carneiro usa esse camisolão branco, esse paletózão?

- Ah falam que ele queria ser médico. Por não ter sido acho que ele usa como se fosse. Você entendeu?   

 

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