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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Abril 29, 2018

Fernando Zocca

 

 

 

 

Realizou-se no dia 29 de abril de 2018 o 2º Encon

 

O 2º Encontro Diocesano do Terço do Terço dos Homens, sob o tema “Maria uma jovem de fé”, realizou-se no domingo, dia 29 de Abril de 2018, na cidade de Corumbataí, SP.

Com o início às 7:00, quando houve o cadastramento dos participantes e o café reforçado, aproximadamente dois mil homens se concentraram, para depois, às 8:30 defronte à matriz de São José, seguirem em procissão e recitação do terço, por aproximadamente 1 km, até o ginásio de esportes Arnaldo Mancini.

O Bispo Diocesano Dom Fernando Masson celebrou a missa iniciada às 9:30; logo depois, às 11:00, houve o testemunho de fiel que, rezando o terço, pedindo pelo restabelecimento da saúde, obteve graça de N. Senhora.

Em seguida houve apresentação de coreografia por jovens da comunidade.

A fervorosa consagração de Nossa Senhora, pelos devotos que lotaram o ginásio, precedeu as bênçãos finais.

Na foto, da esquerda para a direita: Luis Carlos Pasquot, Munari, José Fernando Gatãozinho Naval e Fernando Zocca.  

Abril 25, 2018

Fernando Zocca

 

 

 

017.JPG

 

É interessante o fato de existirem personalidades que se revoltam todas, queixam-se muito, quando, depois de brincarem a pampa com os outros, brincam com elas.

Era composto assim o tal de Cinho. Quando lhe perguntei, numa manhã, defronte à sua casa, qual seria a origem do seu nome, ele me respondeu:

- Na verdade, amigo, esta palavra é uma corruptela de senhor, sinhô, sinhozinho, Cinho. Compreendeu? Então... A gente temos muito orgulho...

Quando lhe disse que o diminutivo servia também para caracterizar os substantivos viadinho, anuzinho, o Cinho arrepiou-se todo.

Ajeitando o short branco, buscando cobrir parte da coxa alva exposta, Cinho tomou a vassoura e, com gestos largos, passou a afastar as folhas secas antes caídas da árvore existente defronte à sua janela.

Cinho era uma espécie da empregada doméstica. Já entrado na quinta década da vida, não saíra de casa, não se casara e diziam que tinha até raiva de quem tivesse feito isso tudo.

Como não sou homofóbico e desejo que todos tenham uma vida plena, bastante satisfatória, certa ocasião, quando Cinho e sua irmã mais fofinha, caminhando pela calçada, ao chegarem à esquina, sugeri-lhe que se empenhasse na busca de alguém com quem pudesse dividir suas noites solitárias.

Não sei se me fiz entender bem. Creio não ter exagerado no incentivo, mas soube meses depois que Cinho tendo se enlevado por um motoboy, quando este o levava a um baile na Vila Rezende, passou a mão no bumbum do moço, tendo recebido como resposta, uma capacetada vigorosa no cangote.

É claro que o bom senso, apesar do exagero da ação, louvaria o rechaço do mototaxista. Entretanto, o Cinho, creio eu, deveria valer-se de mais prudência na investida amorosa.

Cinho amava promover correntes. Ele escrevia mensagens, cherocava reproduzindo uma dezena ou duas, e depois saía jogando nas casas da vizinhança ou remetendo pelo Correio.

Os malefícios pra quem quebrasse as tais correntes eram temíveis. Quem lucrava, antes do advento dos escâneres, eram os donos das máquinas Xerox.

Cinho era boa gente. Às vezes, com as comichões a lhe atazanar as entranhas, vestia-se de mulher passando horas e horas diante do espelho a pentear as madeixas.      

 

Abril 18, 2018

Fernando Zocca

 

 

porta de vidro.jpg

 

Donizete Pimenta e Dani Arruela, numa tarde quente de domingo, resolveram fazer um churrasco. Era especial; a churrasqueira fora colocada na sarjeta, defronte a morada deles, donde, além de degustarem os sabores da maminha e da chuleta, observariam os transeuntes.

Ao som das modas de viola, que vibravam no rádio do automóvel, mantido com as portas abertas, metade dentro da garagem e metade na calçada, o casal parecia tranquilo sem se importar muito com os avanços e latidos perturbadores do cão Border Terrier Bed que, assustadiço, perseguia os eventuais caminhantes que ousassem passar, naquele momento, por aquele trecho da rua.

Com certa alegria Dani Arruela percebeu o velho alto, magro, que calçando chinelos havaianas, calça marrom, camisa social bege puída, caminhando a passos curtos, pelo meio da via, ia, como sempre, buscar seu leite e pão no botequim da esquina.

- E aí, como vai, seu Zé Laburka? Vamos mastigar uma carninha? – perguntou com alegria a Arruela.

Laburka, lembrando-se da dentadura, parou defronte a churrasqueira, acertou o volume dos aparelhos de surdez, mantidos dentro dos pavilhões da orelha, e falando com voz grave, baixa, mais parecida com os zumbidos dos besouros rola-bosta, respondeu:

- Mais tarde. Agora tenho que buscar o leite. O cheirinho tá bom. A brama tá gelada?

- Aqui seu Zé, não tem enrosco. Conosco quase ninguem podemos – disse entrando alegremente na conversa o Donizete Pimenta.

Zé Laburka seguiu seu caminho até a esquina; entrou no estabelecimento recém reformado, que recebera portas novas de vidro, indo diretamente ao cesto onde havia pães, tomou o pegador de macarrão, escolheu alguns filões, ajeitou-os com delicadeza num saco plástico, capturou um litro de leite, uma garrafa pequena de pinga, e um maço de cigarros. Ao passar pelo caixa ordenou:

- Marca na minha conta. Quando receber a aposentadoria eu, ocê já sabe, pago tudinho.

Tirando a caneta da orelha direita, o caderno de fiado do lado da caixa registradora, Antonov rabiscou a ocorrência debaixo do nome do freguês.

Já fora do estabelecimento, quando atravessaria a rua, um sujeito encorpado, espadaúdo, vestido com a camisa do Palmeiras, passando lentamente com a bicicleta, ao se aproximar do Laburka, gritou atirando na direção dele um tijolo imenso:

- Safadista desjuramentado! Até quando vai enganar as virgens decaídas? Toma o que é teu maligno das quebradas!

Zé Laburka apesar de sentir a rigidez do lombo, as dores nos joelhos, a fraqueza dos olhos e o latejar intenso do coração, feito um gato, saltou pro lado oposto donde vinha o projétil.

O que diria ele ao Antonov quando, embasbacados, viram a pedra destruir o vidro frontal da casa?

Do breve ajuntamento de curiosos diante dos estilhaços jacentes na calçada não saiu outro comentário mais enfático do que o lamento choroso do dono:

- Ai Jesuis!

Depois dos vários e vários minutos seguintes ao estardalhaço, na dispersão das testemunhas, Zé Laburka passando pelo casal churrasqueiro festivo, ouviu a inquirição da Arruela:

- O que foi aquilo seu Zelão?

- Um retardado passou de bicicleta e tacou uma tijolada no vidro, lá na esquina. Quebrou tudo –  informou o idoso, sem parar a caminhada.

Donizete Pimenta e Dani Arruela riram em silêncio. O domingo estava perfeito e completo. Não haveria outro melhor.

 

Abril 10, 2018

Fernando Zocca

 

 

motocicleta.jpg

 

- Van, você é muito burro. Como é que pode andar de moto? – indagou Dani Arruela ao mais ilustre cachaceiro tupinambiquence quando este, por volta das onze horas, entrou no boteco do Maçarico a fim de saborear a primeira cerveja geladíssima do dia.

Van de Oliveira tirou o capacete, pendurou a chave no pescoço, deu uma piscadela pro dono do estabelecimento, solicitando em seguida, um rabo de galo e cerveja.

Maçarico atendia ao pedido, misturado num copo, a dose de Cinzano com pinga, quando Van sentando-se a mesa, perto da janela envidraçada, depositando o capacete sobre o móvel e chamando a atenção dos presentes informou:

- A burrice não me impede a pilotagem da moto. Apesar de, agora mesmo, ao parar meu veículo, defronte a esta entidade, e, ao baixar o cavalete lateral, mais conhecido como pezinho, fazê-lo sobre meu próprio pé, quase caindo com a condução, não me considero tão ou mais impróprio do que o comerciante safado que, comendo o pão de forma fresco, põe depois outro vencido na embalagem nova, vendendo a coisa ruim pro cidadão incauto.

Dani Arruela, sentindo-se referida, levantou-se da mesa onde sorvia sua cachaça diária, assumindo pose desafiadora respondeu:

- Já vendi meu estabelecimento faz tempo. Meu negócio sempre foi roda. Comerciava de tudo no meu estabelecimento. Fazia unha, cabelo, consertava bicicletas, vendia relógios, mas nunca botei pão vencido na embalagem nova; pro seu governo, quando negociava meus produtos, sempre dava os trocos certinhos.

Maçarico aproximou-se trazendo, na bandeja, o rabo de galo e a cerveja gelada pedidos pelo Van.

Zé Ciliodemorais que também estava, naquele momento, no boteco entrou na conversa:

- Dizem por aí que tinha comerciante de relógio que vendia contrabando sem garantia nenhuma; ao negociar tirava a pilha nova botando no lugar uma usadíssima. Não adiantava o freguês reclamar, por estar a coisa ainda na garantia. Tinha de pagar uma pilha nova.

Dani Arruela sentiu o sangue subir-lhe pelo rosto. Vermelhíssima ela esboçou um avanço sobre Zé Cíliodemorais.

- Calma Arruela. Não se apoquente –- tem nego aqui fazendo coisa bem pior: estou sabendo que certas pessoas deste ambiente - falou Zé Cíliodemorais, apontando com o queixo o Maçarico – que ao estacionar na zona azul do centro da cidade, coloca tampinha achatada de garrafa no parquímetro danificando o aparelho. Quando o responsável pela área aparece pra ver o acontecido, não tem alternativa do que a de liberar o estacionamento grátis pro esperto.

Maçarico enraivecido procurando vingar-se da maledicência falou com a voz bem grave, em tom irado:

- Quero anunciar, neste momento, duas coisas: 1) o meu conceito por vocês foi rebaixado; 2) os preços da cerveja e da pinga estão, de agora em diante, aumentados em 200%.

Diante da grita geral Maçarico assustou-se; não teve outra opção do que a de abaixar as portas depois que a freguesia toda saiu em debandada.

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