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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Outubro 29, 2018

Fernando Zocca

 

 

Existe pouca gente de bom senso que negue terem sido as claudicações petistas as responsáveis pela derrocada histórica.

A manquitolagem foi tão intensa que não deixou de chamar a atenção mundial.

- O pobre nunca come o melado, quando tem a oportunidade lambuza-se todo – garantiu-me um conhecido depois do cheque-mate no dia de São Judas Tadeu.

Entretanto é bom discernir bem as coisas. A orientação política voltada aos interesses das pessoas mais pobres, não é uma invenção dos políticos danados.

A compaixão, a caridade o desvelo para com o próximo mais necessitado é um ensinamento cristão.

O grande problema é que, ao ascender ao topo da escala de comando no país, o grupo político, tendo como alicerce os ensinamentos evangélicos, deixou-se levar pela cobiça, metendo os pés pelas mãos.

Então o que vimos foi a insinceridade, a hipocrisia, o despeito, e o ressentimento sendo lavados com as fortunas amealhadas nas fraudes licitatórias, nos contratos comprometedores com empresas estrangeiras, para depois, no final, apresentar como saldo de governo, as vergonhosas derrotas assemelhadas às dos ladrões fracassados de banco.

Pior do que fazer de uma criança o saco de pancadas, o bode expiatório, de um grupo de herdeiros, frustrados pelo pai do guri, seria o gerenciamento dos tais crimes, no âmbito administrativo, porque prejudiciais a um povo inteiro.

Não poderiam ser outros os resultados dos diagnósticos falsos, tanto os caracterizadores de debilidade mental da criança, quando os da ingenuidade do povo.

  

Outubro 26, 2018

Fernando Zocca

 

 

 

Ditadura militar no Brasil.jpg

 

Da mesma forma que o diagnóstico equivocado pode levar a uma terapêutica inadequada gerando afecções iatrogênicas, a identificação falha nas ações e atitudes dos políticos, certamente conduzirá os cidadãos eleitores a longos períodos de frustração.

O problema, na verdade, não está num partido, mas no comportamento de alguns componentes dele. Quando apurada a materialidade, descoberta e provada irrefutavelmente a autoria, aplicada as sanções, em tese, haveria o retorno à normalidade do dia a dia. O equívoco seria tentar o oposto como forma de livrar-se do mal.

Não se pode condenar uma pedagogia toda por causa de um único professor desatualizado.

O Brasil já passou por ações ditatoriais de 1964 até 1985. Foram 21 anos. Durante todo esse tempo o povo clamava pela volta da democracia. Ela voltou. Alguns dirigentes erraram feio. Agora alguns desejam o retorno dos governos autoritários pensando que, com isso, os males tais como a corrupção serão, de uma vez por todas, sanados.

É um engano. Da mesma forma que não se deve, por inteligência, condenar o pé de jabuticaba todo, por algumas frutas deterioradas, também seria bem boba a intenção de desautorizar uma ideologia política por causa dos desacertos de alguns dos seus defensores.

Essa atitude, muito comum, de denegrir, por despeito, alguém ou as ideias que ele defende é muito comum nas personalidades que se recusam a conversar, a dialogar.

O preconceito faz acontecer perseguições contra quem não tem nada a ver com a celeuma, a quizumba instalada. As penas aplicadas devem ser circunscritas àqueles que cometeram os delitos.

A parábola do Lobo e o Cordeiro do escritor brasileiro Monteiro Lobado exemplifica bem esse problema que vivemos agora no Brasil.

Leia o texto:

O Lobo e o Cordeiro

Estava o cordeiro a beber num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado , de horrendo aspecto.

— Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber? — disse o monstro arreganhando os dentes.  Espere, que vou castigar tamanha má-criação!…

O cordeirinho, trêmulo de medo,respondeu com inocência:

— Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?

Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta.  Mas não deu  o rabo a torcer.

— Além disso — inventou ele — sei que você andou falando mal de mim o ano passado.

— Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?

Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:

— Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.

— Como poderia ser meu irmão mais velho, se sou filho único?

O lobo furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobrezinho, veio com uma razão de lobo faminto:

— Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!

E — nhoc! — sangrou-o no pescoço.

Moral da História: para que todos tenham vida e em abundância seria bem mais sensato que os argumentos superassem sempre o uso da força.

 

Outubro 22, 2018

Fernando Zocca

 

 

Não são poucos os que atribuem a atual situação politica/econômica do Brasil a atitudes complacentes que a maioria dos dirigentes responsáveis mantém sobre as crendices e superstições.

Comparando o desenvolvimento técnico/industrial dos países considerados cultural e economicamente evoluídos com os mantidos sob os grilhões da astrosia, vemos que estes continuarão dependentes daqueles por muitos e muitos anos, quiçá por séculos.

Se nos interessarmos em analisar com mais profundidade a quem interessa a manutenção deste estado de mentalidade, facilmente veremos que a ninguém mais do que aos que estão na proeminência do domínio da técnica e industrialização.

Notamos que os interesses comerciais daqueles detentores de maior conhecimento técnico/científico, contribuem mais fortemente na formação dos governos assemelhados aos seus ideais.

Aliás, a cooperação e influência não só induzem a ascensão dos grupos ideologicamente semelhantes como procura mantê-los fortemente arraigados ao poder.

Atualmente vemos no Brasil uma polarização entre os dois aspectos de uma realidade única; ou seja: os poderosos endinheirados contra os pés-rapados; os proprietários contra despossuídos, os que mandam contra os que são mandados; os que sabem contra os ignorantes.

Fazendo parte do cardápio dos atuais condutores, dirigentes e planejadores das políticas nacionais, o jeitinho, a corrupção, dos aplicadores da assertiva “farinha pouca, meu pirão primeiro”, embasados nas crenças e superstições deles próprios e as do povo, notamos bem a mixórdia em que se encontram os serviços públicos devidos pelo Estado aos seus cidadãos.

Isso tudo é característica da educação vigente no Brasil atualmente. Quando diretores de escola, professores e demais responsáveis ocupam os tais cargos mais por determinação política do que pelo notável saber pedagógico não podemos esperar outra coisa do que a que vemos atualmente.

A ausência de respeito ao professor é mais nitidamente perceptível. E não é incomum ver o aluno mal educado, agressor, ter seu comportamento criminoso reforçado por considerações de mais gente inepta.

O Brasil segue os passos dos Estados Unidos. Quando os democratas representados por Obama assumiram o poder, aqui em nosso país forças populares também ascenderam ao topo. 

Agora, quando os republicanos na pessoa do ilustre senhor cabeçudo Donald Trump pinta e borda no mundo todo, a tendência aqui é a de arvorar-se no comando um semelhante a ele.

Você acha que os detentores do mando teriam razões para desmistificar o que é mistificado, sabendo que, com isso, perderiam o motor condutor das massas, as verdadeiras pilastras sustentadoras do seu poder?

Como manter afastados os adversários políticos sem o uso dos malefícios dos “inocentes úteis”, “laranjas”, “espoletas” envoltos nas crendices e superstições?

Mais ciência, indústria e comércio contribuiriam para a melhoria do bem estar do povo brasileiro?

Outubro 12, 2018

Fernando Zocca

 

Haráclito.jpg

 

Um filósofo grego nascido mais ou menos 500 anos antes de Jesus Cristo prestou atenção a um fenômeno que antes ninguém tinha notado, tendo com isso estabelecido algumas conclusões.

Ele se chamava Heráclito de Éfeso (foto do busto) e dentre outros ensinamentos dizia que não se entra duas vezes no mesmo rio querendo mostrar, com isso, que as coisas todas mudam, fluem.

Em outras palavras ao perceber que nada é permanente, a não ser a mudança, Heráclito mostrava também que o que era antes, já não pode ser o mesmo hoje.

Então, os costumes, os hábitos, dos nossos antepassados não teriam muita serventia nos dias atuais. Se os nossos bisavós precisavam, na década de  1910 girar a manivela do automóvel a fim de iniciar a ignição, hoje em dia isso é desnecessário.

Se há algum tempo a comunicação com as pessoas que estão em outros locais bem distantes era feita com pombos correio, mensageiros, isso já não tem tanta utilização. ´

A composição dos ministérios dos governos federais, estaduais e secretarias municipais de há alguns anos passados já não podem ser consideradas as mesmas do que as dos dias de hoje.  

Os times atuais, tanto os de futebol, quanto os de basquete quanto de vôlei, todos eles, têm formação diversa do que tinham outrora quando foram campeões.

Essas transformações podemos ver nas instituições públicas, nas empresas particulares e também em quase todas as outra áreas do conhecimento humano.

As técnicas, por exemplo, para a cura de certas úlceras estomacais consistia em procedimentos invasivos altamente dolorosos para os pacientes. Hoje se consegue melhores resultados terapêuticos com menos sofrimento.

Na esfera das doenças psiquiátricas antes as terapêuticas exigiam o uso da força, na contenção das desordens do comportamento. Com o desenvolvimento da farmacologia o controle passou a ser menos bruto.

Podemos notar que até as leis mudam. Não é à toa que existem vereadores, deputados estaduais, federais, senadores e o escambau. As regras acompanham os usos e os costumes altamente móbiles.

Mas observamos também que algumas cláusulas da lei, principalmente da Constituição da República são imutáveis. São as chamadas cláusulas pétreas. Por exemplo: os crimes provados devem ser punidos sob pena de em assim não o fazendo, vermos a diluição da coesão social, da crença no sistema, com a desorganização do Estado.

Apesar de todas as transformações, ainda nos dias atuais, observamos que os sujeitos portadores de abdome volumoso, contendo adiposidade excessiva (muita gordura) estariam mais propensos às doenças tais como o diabetes, a pressão alta, ao infarto do miocárdio e ao AVC. Isso sem falar na prisão perpétua de ventre.

Um colega me contou que quando consultava um especialista pra obter um regime alimentar que lhe favorecesse o emagrecimento, o doutor teria lhe perguntado:

- Você é gordo porque é preguiçoso ou é preguiçoso porque é gordo?

Caminhar, andar, correr, fazer exercícios fazem muito bem pra saúde. Com mais saúde percebemos o quão despropositados e injustos podemos ser.

   

Outubro 08, 2018

Fernando Zocca

 

 

abelhas.jpg

 

A chuva que Deus mandava naquele final de tarde sobre Tupinambicas das Linhas era assustadora.

Mesmo assim a frequência no boteco A Tijolada, agora e desde sempre, a mais legítima e supimpa propriedade do barman Maçarico não diminuía. Ao contrário aumentava na medida em que os transeuntes, buscando fugir da chuva, nele ingressavam pra se abrigar, sem no entanto, com o passar das horas, deixarem de consumir, pelo menos um rabozinho de galo.

Foi nesse clima que Zé Laburka e Delsinho Espiroqueta, protegidos pelas folhas dobradas de um jornal trazido sobre a cabeça, entraram, ao mesmo tempo, no recinto cheio de gente. A fumaça lançada no ar pelos cigarros e exalações dos fumantes tornava a visão turva impedindo o reconhecimento fácil das pessoas.

Mas Van Grogue que naquele momento, sentado ao lado de Luisa Fernanda, a uma mesa não muito distante do balcão, ao ver a dupla entrando, denunciou a presença deles dizendo:

- Mas...Olha...Pra quando é o casório das frangas?

Zé Laburka também conhecido como besouro monocórdico tupinambiquence, do alto dos seus 1,90m e extremada magreza, ajeitando os aparelhinhos contra a surdez, em ambos os ouvidos, batendo os chinelos Havaianas desgastados no chão, respondeu com a voz grave e baixa:

- Não me encha o saco, Van bêbado das mil e uma internações psiquiátricas. Cuide das suas pingas que eu cuido das minhas franguinhas e também da minha loja que, em breve abrirá suas portas, para o gáudio da galera ansiosa.

Delsinho Espiroqueta vestido de preto da cabeça aos pés, bamboleando as ancas, ao mesmo tempo em que mantinha o indicador da mão esquerda sobre o lábio inferior, conservando o olhar sobre Van de Oliveira, caminhava atrás do besourão.

Sob o intenso burburinho do ambiente, Laburka e Delsinho sentaram-se a uma mesa perto do Van.

- Estou desconfiadíssimo que a agência central dos correios desta cidadezinha está violando as correspondências que remeto e recebo de vez em quando – asseverou Laburka depois de, com um gesto, determinar a presença do proprietário da casa.

- Como assim paranóico ancião? – indagou Luísa Fernanda, que por longo e longo tempo suportara seu marido Célio Justinho, tentando “tirar” de ouvido o hino do Corinthians na sanfona velha que quase perdera numa mudança rápida de casa.

- Nós mandamos e remetemos coisas embaladas pelo correio. E não é da primeira vez que um embrulho, vindo de fora, recebeu embalagem e endereçamento diverso daquele que tinha quando postado no local de origem – explicou Delsinho lançando a palma da mão esquerda pra cima.

- Mas como, criatura dos cochichos e segredos, você pode saber se a embalagem do embrulho veio do local de origem ou foi refeita na agencia desta cidade? – indagou Luísa depois de ingerir um poderoso gole de cerveja.

- A gente sabemos sim – garantiu Zé Laburka. A gente fizemos um teste;  postamos um pacote de perfume numa agência da capital com um tipo de embalagem. Quando chegou aqui tinha outro tipo de embrulho. E mais: o endereço do remetente não tinha nada a ver com o endereço que pusemos como remetente. A sacanagem está muito grossa. Assim não dá. Assim não pode.

- A gente vai pedir pro Jarbas, o prefeito, que interfira no processo – informou Delsinho.

- É verdade – reforçou Laburka – Inclusivelmente a gente vamos pedir pro deputadão Tendes Trame que proceda a uma investigação sobre essas aberrações que acontecem na cidade.

Naquele instante Maçarico chegava com a cerveja geladíssima colocando-a sobre a mesa, abrindo-a depois com certo estardalhaço.

- “Mor”...  Estou com uma vontade esquisitíssima, mas possível de ser atendida... – confidenciou Delsinho pro seu par.

- Que queres tu de mim fogoso dengo? – respondeu perguntando o Zé Laburka.

- Eu estou com um desejo imenso de beber vinho branco doce misturado com iogurte. Pode ser meu herói pézudo?

- É claro, meu neguinho; o que pedes tu chorando, que eu não te faça sorrindo? Mandemos bala na bagaça ! – Laburka estava romântico.

Entrando arfante no botequim, Gelino Embrulhano foi logo informando as novidades, a todos, em alto e bom som:

- Fecharam o Fórum da cidade. Tinha tanta abelha nos cartórios e corredores que precisaram chamar os bombeiros.

Ninguém desacreditou. Todos sabiam que naquela cidade onde mandavam Tendes Trame, Jarbas o caquético, a vovô Bim Latem (que fora chefe de gabinete do Jarbas durante uma de suas gestões) e alguns outros, a coisa era mesmo assim: bem bruta.    

       

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