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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Maio 31, 2021

Fernando Zocca

 

 

guias de cães.jpg

 

- Aqui é o seguinte: quando nas reuniões, querem falar de você, na sua presença, sem que você nem imagine o que esteja acontecendo, eles trocam os pronomes pessoais, ou seja, no lugar de “ele” (que seria você ali presente), usam o “eu” – asseverou John Charles Carcanhádigrillis o advogado que, por muitos, mas muitos anos mesmo, fora procurador jurídico do então prefeito (quase imperador) Jarbas, o caquético extremamente testudo, à Lurdona Tonn Inn que, com seu marido Hein Hiquedemorais, consultava o causídico no seu escritório naquela tarde de quinta-feira.

O advogado estranhara a atitude do Senhor Hein Hiquedemorais que se negara terminantemente a sentar-se logo que chegara ao gabinete.

- Não. Fico de pé mesmo - respondera o consulente aos insistentes pedidos do causídico para que se sentasse.

- Sabe o que é seu doutor, meu marido sofre com uma hemorróida inflamada e segundo o nosso médico, a bichinha instalada há muito tempo no fiantã dele, está protrusa, por isso nem pensar em sentar – adiantou-se Lurdona justificando a atitude provavelmente considerada antipática do marido.

- É, mas podem usar também qualquer outro substantivo no lugar do pronome “ele”. Ou trocar o nome da pessoa presente por doutra ausente – continuou Hein Hiquedemorais parado ali de pé, num canto do escritório, como se fosse um vaso de cimento branco, com espadas de São Jorge, nele fincadas.

- Mas veja só que interessante, como funciona a cabeça dos sacripanta: os defeitos, os erros e os equívocos deles (sacripantas) são atribuídos aos antipatizados, enquanto que as vitórias, sucessos e feitos daqueles (antipatizados) de quem eles não gostam, são narrados como se fossem deles, os hereges odientos. Pode isso seu Hein? Pode isso dona Tonn Inn?

Nesse instante, o interfone tocou. O advogado atendendo soube que eram mais duas outras pessoas solicitando consulta.

- A senhora dona Luisa Fernanda, a gerente administrativa do Banco UN (Usura Nacional), juntamente com seu esposo Dr. Célio Justinho, desejam fazer parte da reunião – comunicou o advogado aos presentes.  

- Ah, sim, seu doutor, são minha filha e genro. Permita que entrem – falou Hein Hiquedemorais tossindo com a boca fechada logo depois dum acesso de soluços. “pena que não posso peidar aqui, se não, arreliava já, meu amigo” – pensou timidamente o seu Hein Hiquedemorais.

Ao entrarem Luísa, tomada por uma sofreguidão inusual, foi falando aos jorros:

- Gente, boa tarde. De quem é aquele Poodle branco, emporcalhado que estava tendo acessos de epilepsia bem ali no estacionamento do escritório, justamente quando chegamos?

- É um Poodle Toy banquinho, mas que está com os pelos compridos e sujos? – quis saber o advogadão.

Depois da confirmação do casal recém-chegado Carcanhádigrillis completou:

- É um cão vadio, vagabundo. Ele gosta de lamber a boca dos bêbados caídos nas calçadas. Ele prefere os que dormem defronte a padaria Broa de Mel. Conhecem? Fica bem aqui pertinho. O bicho passou a ter acessos depois de se empanturrar com as babas dum pinguço sofredor desse mal epiléptico.

A temperatura na sala aumentava quando então o profissional aplicador do Direito, levantou-se ligando o ar condicionado. Vendo a secretária que, abrindo a porta anunciava a chegada da vovó Bin Slave Latem a mais terrível, temidíssima estrategista das guerrilhas, quizilas, mal-entendidos, confusões, rixas, desordens, fuxicos, fofocas e destemperos existentes entre os moradores do bairro Vila Dependência, sentiu ele, o advogado, um arrepio de medo que lhe eriçou os pelos todos do corpo.

- Ah, é a Bin Latem? Pode mandar entrar dona Bruna, faça o favor.

A vovó foi entrando com passos lentos que lhe permitiam o excesso de peso.

- Boa tarde meu povo. Boa tarde minha gente. Tudo bem com vocês todos?

- Tarde vó – responderam os presentes numa só voz.

O pessoal foi se afastando, dando passagem, para a nona que vinha balançando a peitama e o bundão imensos, dum lado pro outro.

- Gente, estou tão cançada... Essa pandemia... Esse calor... Credo!   Mas é o seguinte pessoal – começou a falar a majestosa figura: - Vocês se lembram daquela menina, meio maluquinha, que tem uma lanchonete vizinha da casa dela e que num dia desses, avançando a placa pare, invadindo a via preferencial dum velhote, o atropelou mandando-o pra Santa Casa por 20 dias?

Diante do sinal positivo feito com um meneio de cabeça de todos os presentes a antiga e obesa pessoa (funcionária pública aposentadíssima de longa data) continuou:

- Então... O pai e o namorado dela gastaram uma baba preta de honorários de advogado pra provar que ela estava certa, que na verdade quem tivera culpa pelo acidente fora a própria vítima, que deveria frear sua bike antes de chocar-se contra o fonfom dela, mas apesar disso tudo a infeliz sente-se muito culpada e toda vez que ouve uma buzina, uma acelerada mais forte das viaturas que passam na rua, defronte a sua casa, a pandega passa tão mal que pensou até em tirar a própria vida. Portando eu estou aqui pra gente bolar uma simpatia a fim de que a meliante atropeladora, que invadiu a preferencial alheia, deixe de se sentir tão miseravelmente culpada e doente. Vocês têm alguma ideia?

Lurdona Tonn Inn levantou o dedinho indicador da mão direita como se fosse uma criança da sala de aula do curso de alfabetização do grupo escolar dizendo:

- Gente, é muito fácil. Essa cretina não parou onde deveria parar não é verdade?

A maioria respondeu positivamente.

- Então... - continuou a esposa do eclético, famoso, riquíssimo, ganhador da sena milionária, Hein Hiquedemorais amante das maminhas e chuletas dos churrascos dos finais de semana na borda da piscina de águas turvas – É só a gente colocar ela parada numa esquina, mesmo sentada e, quando vier alguém ela ao invés de levantar-se e passar na frente dos outros deve esperar pelo menos a passagem de no mínimo umas 10 pessoas. Eu disse dez pessoas entenderam?

- Nossa, que sacada de gênio dona Lurdona. Se fosse o final duma partida de tênis, no torneio de Wimbledon, a senhora  venceria fácil, fácil.

- A gente “fazemos” o que podemos. A gente não “fazeria” mais e melhor por falta de incentivo do governo – disse tomada pelo orgulho, toda cheia de si, a velhota baixinha.

E assim foi feito. De um jeito ou de outro, convenceram a doidíssima imprudente, negligente e imperita motorista meliante, atropeladora de velhinhos corocas, a ficar parada durante os 10 terceiros domingos de cada mês, numa das esquinas de sua casa, por pelo menos, três horas seguidas, esperando que 10 pessoas passassem à sua frente.

Gelino Embrulhano, Zé Laburka, Donizete Pimenta, Dani Arruela e Delsinho Spiroqueta, quando desciam a pé, numa ensolarada manhã de outono, pro centro da cidade, ao passarem por aquela moça idiotizada, sentada na mureta baixa da casa da esquina, simulando falar ao celular, tendo nas pontas das guias dois vira-latas, não deixaram de comentar o fato de que ao longo do reinado do Jarbas, Tendes Trame, Zé Lagarto, Vovó Bim Latem, Fuinho Bigodudo e Marina Baldwin, nunca houve uma proliferação tão grande de insanos durante toda a história de Tupinambicas das Linhas.

 

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Maio 22, 2021

Fernando Zocca

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E chegava mais um final de semana. A noite surgia amena encontrando Van de Oliveira, no quarto, preparando-se para sair.
Diante do espelho, Grogue ajeitava a calça, a camisa esporte e, com um retoque final o penteado.
Duma gaveta sacou o frasco de desodorante, exagerando a aspersão nas axilas. Transcorria fevereiro de 1975, quando o governo em Brasília, era ainda exercido pelos generais.
Grogue ao caminhar pelo quarto teve a convicção de ter acertado na escolha do calçado que usaria para badalar naquele sábado: entre um par de tênis e outro de coturnos, escolhera o segundo.
Bem vestido o camarada deu três passos adiante, parou, voltou-se e de longe mirou sua figura no espelho. Estava tudo de acordo e nos conformes. As botas, apesar de amarradas firmemente nas canelas, deixavam os pés folgados.
Metendo no bolso um maço de Hollywood e uma caixa pequena de fósforos, ele sentiu-se pronto para a noitada.
Desceu a escada, abriu a porta da rua, entrando com habilidade, no Karmann Guia 1972, vermelho, estacionado defronte ao sobrado.
Ao volante acendeu um cigarro, pondo-se depois em marcha. Ele ouvia com atenção o ruído baixo, lento e grave que saia dos escapamentos abertos, daquele motor 1500.
Van de Oliveira dirigindo numa velocidade reduzida, bem devagar, quase parando, rodeou a praça central, notando o afluxo inexpressivo de pessoas.
Depois de parar defronte ao bar do Bafão, onde havia mesas de sinuca, ele desceu, mas não fechou à chave a porta do carro.
No boteco três ou quatro duplas jogavam bilhar. A névoa cinza da fumaça dos cigarros turvava o ambiente, ao mesmo tempo em que o cheiro impregnava-o.
Van acomodou-se a uma das mesas postadas perto do balcão, pedindo cerveja. Depois de atendido ele notou, assustado, que dois travestis caracterizados como prostitutas se aproximaram dele.
Convidados a se sentar e a tomar cerveja eles não quiseram, dizendo, entretanto que Lola Door, a dona do bar situado na esquina próxima, queria falar-lhe.
Van bebeu com muita calma e depois, avisando ao Bafão que iria ao bar da Lola, saber o que ela queria, saiu a pé. Com uma vintena de passos ele entrou no boteco da cafetina velha.
Defronte ao balcão havia um aglomerado de bebedores falantes. A mulher comandava a caixa registradora, enquanto que seu companheiro, que a tirara da zona do meretrício, alguns anos antes, atendia os pedidos do pessoal.
Ao ser avistado pela mulher, Grogue percebeu que ela fazia-lhe gestos, para que se aproximasse.
À presença do recém-chegado, um silêncio inesperado, dominou o ambiente. Acercando-se da mulher, Van de Oliveira Grogue, curioso ao extremo, para saber o que ela tinha a lhe dizer, foi atingido, de repente, por uma pancada tão forte na face esquerda, que o derrubou ao chão.
Lola dera-lhe no rosto com a costa da mão esquerda. Tentando levantar-se o rapaz não conseguia entender o motivo do ataque.
Alguns risos sobressaiam do burburinho que ressurgia no aglomerado. Dois homens se aproximaram e pegando-o pelos braços puseram-no pra fora do boteco.
“Que filhos da puta! Só pode ser intriga dos veados” – pensou Grogue.
Com a visão turva de ódio, ele entrou no Karmann Guia, foi até o sobrado, pegou uma garrafa vazia de vinho e voltando ao carro dirigiu-se ao posto de combustível da redondeza.
Não havia movimento. O frentista estava só e ouvia algo no rádio a pilhas; ele não estranhou quando o homem que acabara de chegar, pedira-lhe que enchesse a garrafa com gasolina.
Grogue fechou o frasco com uma rolha; ao invés de pagar o preço, disse ao homem que perdera a carteira; que morava a dois quarteirões de distância e que voltaria logo em seguida, para o acerto.
De nada adiantaram os protestos do frentista. Van de Oliveira entrou rápido no carro deu a partida e, acelerando com força, desapareceu.
Estacionando defronte ao sobrado, ele subiu rapidamente a escada indo direto pro quarto. Duma gaveta, da velha cômoda, ele tirou a camiseta amarela que reduziu a trapos.
Enlaçando o gargalo da garrafa com o pano, desceu ás pressas a escadaria, entrando afoito no carro vermelho.
Sentindo muito ódio, ele pisou fundo no acelerador; não se importou com as imprecações murmuradas pela vizinhança irritadiça.
Grogue parou longe do seu alvo. Talvez uns cinquenta metros. Ele desceu do carro com a garrafa na mão esquerda. Ao se aproximar do boteco precisava umedecer, com a gasolina, o trapo do gargalo.
Van tirou a rolha, vertendo o liquido aparado no pano. Entretanto, os gestos bruscos, por estar muito tenso, fizeram com que a gasolina vazasse em demasia, molhando-lhe o braço e a mão esquerda.
Fechando a garrafa com a rolha e firmando o pano, ele sacou do bolso a caixa de fósforos. Naquele momento uma dúvida o parou: lançaria o projétil contra o chão, nos pés da turba, ou contra as garrafas de bebida, enfileiradas nas prateleiras, acima e atrás da cabeça da agressora?
A distância entre ele e a turma que bebia não impediu que o cheiro da gasolina o denunciasse. Os homens perceberam e iniciaram movimentos de pânico.
Com receio de ser impedido, antes de alcançar o seu objetivo, Grogue acendeu o estopim. Mas as chamas passaram-lhe para o braço e a mão encharcadas de combustível.
Sentindo a queimadura, ele soltou a garrafa que explodiu aos seus pés, na sarjeta.
Cercado pelos bêbados Grogue quase foi linchado. Uma viatura da guarda levou-o ao delegado, que depois de um interrogatório breve, mandou-o ao pátio interno da delegacia.
Sentado numa escada fria, observado pelos detentos, que o olhavam das janelas gradeadas das celas, Van viveu uma das madrugadas mais frias e tristes da sua vida.
 

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Maio 07, 2021

Fernando Zocca

 

 

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Num dia desses fui à São Paulo de ônibus. Por causa dessa pandemia e as restrições impostas ao seu combate, não havia muitos passageiros no momento em que embarquei.

Entretanto várias poltronas estavam ocupadas, sendo que a da frente, de onde eu me encontrava, uma garotinha (ela devia ter uns 10 ou 11 anos) e um senhor, bem idoso, conversavam animadamente. Eu estranhei a atitude daqueles seres humanos, principalmente diante do fato de que, hoje em dia, as pessoas quando se encontram, dão mais atenção aos celulares do que ao interlocutor à frente.

Em menos do que 10 minutos, depois do embarque, já rodávamos rapidamente saindo da cidade.  

- Bom, no caso, seu avô morreu em decorrência das interrupções antagônicas àquele sistema eletroquímico existente no seu coração – dizia o vovô à menina que, naquele momento, ingeria um “sanduba” pago pelo velhote.

- Como assim? Eletricidade no coração? – perguntou a menina, que tinha longos cabelos negros, mantidos presos como rabos de cavalo.

- É verdade. Mas pra você entender isso precisa saber como tudo começou: Foi um tal de Daniell, John Frederic Daniell um meteorologista e professor inglês que, modificando o antigo sistema de produção de energia elétrica, conhecido como pilha de Volta, organizou o esquema possibilitador de conhecermos o fenômeno eletricidade. Esse engenho levou ao que hoje entendemos como pilhas, usadas em muitos aparelhos domésticos.

- Sim, mas o que isso tem a ver com o coração? – inquiriu a mocinha tentando conter um pedaço do recheio do sanduichão que ameaçava escorrer-lhe peito abaixo.

- É que com o passar do tempo novas experiências, e informações, foram se acumulando podendo perceber-se então que o fenômeno elétrico ocorria também nos tecidos vivos, dos animais, das pessoas, entende?

- Sei. Daí surgiram os conhecimentos eletroquímicos eletrobiológicos, a bioeletricidade?  

- Exatamente.  Mas quem contou isso pra você? - inquiriu surpreso o tiozão terceira idade.

- Foi um estudante da república que trabalhava também na padaria onde eu ia recolher recicláveis. Naquele tempo eu puxava carroça. Tá vendo minha mão como tem calos grossos?  Mas, Eu conheci um tal de Daniel; ele morava numa casa bem feia, na beirada dum terreno, na verdade numa depressão, ou melhor, num buraco, perto do córrego que passa lá embaixo. Sabe lá embaixo? Então! O pai dele era motorista da prefeitura. Diziam que o "veinho" não trabalhava. Só aparecia de manhã pra assinar o ponto e caia fora, voltando à tardezinha quando anotava a presença.

- Sim. Mas esse é outro tipo de questão, outro problema. É coisa política e consequentemente diz respeito aos desvios de verbas, dinheiros públicos, corrupção. Não é nosso assunto, no momento.

- É verdade. Eu notei que aquele Daniel, que vivia naquela espécie de cova, ficava o dia todo em casa, sem ter o que fazer, só esperando o bem bom que lhe vinha às mãos.

- Se fosse inteligente como o nosso John Frederic Daniell, aproveitaria o tempo, e a situação, para criar alguma coisa útil à própria família ao invés de desejar destruir tudo o que lhe causava inveja e ódio.

Rapidamente nosso ônibus passou por Santa Bárbara, Americana, e Campinas parando em São Paulo, exatamente no Terminal Rodoviário Tietê.

Quando descemos notei que o velhinho estava emagrecido, mas puxava eletricamente a jovenzinha segurando-lhe firmemente a mão.

- Vamos pegar um táxi – disse ele e, depois ao motorista: - direto pro hotel.

- Que hotel nós vamos, tio Luis Sabino?

- Não esquente a cabeça Bia. E quando a gente voltar eu quero que você não conte nada a ninguém ouviu?

- O que a gente vai fazer lá tio Luis Sabino?

- Digamos que vamos recarregar as pilhas. Você vai ver.

E foi assim que Bia, deixando de ser aquele  burro sem rabo insosso, inaugurou uma nova fase na sua vida que duraria alguns anos até que se amancebasse com o pascácio padrasto dos seus filhos. 

 

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