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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Outubro 26, 2021

Fernando Zocca

 

Não estaria o governo federal a fazer gentileza com o chapéu alheio?

Sim, estaria sim.

Quando a administração retira o líquido e certo (que não é mais dele – governo federal) de alguém (credores dos precatórios) para satisfazer outros (bolsa Brasil), estaria descobrindo uns santos para cobrir outros e isso tudo com a intenção de reeleger-se.

Aí você meu amigo advogado diz “olha, cabe uma ação popular contra esse ato lesivo e, digamos, ilegítimo da administração”.

Sim, mas vá pensando no tempo que isso tudo durará. Não vale a pena.

Então a amiga advogada diria “se os valores estão contabilizados um arresto das rendas garantiria os credores”.

Na verdade, meu amigo, difícil mesmo é garantir que os vencedores dessas pendengas jurídicas levem os louros da vitória e que não sejam considerados investidores involuntários da campanha de reeleição do Sr. Jair Bolsonaro.

Afinal existiria ação mais benevolente e humanitária do que proporcionar um auxílio mensal de R$400 aos necessitados?

É claro que não. Mas vem cá: não poderia fazer isso com dinheiro de outras contas?

Acompanhe comigo o raciocínio: se o governo federal já foi condenado a pagar os créditos reclamados então os valores todos não são mais dele. E se não pertencem ao erário público qualquer uso que não seja a destinação aos seus donos deve ser considerado crime.

Ou não?

Estaria politicamente correto o ato administrativo que faria o que bem quisesse com o que lhe pertence, mas... Vamos e venhamos as decisões judiciais não teriam o poder de transferir a propriedade – o domínio - desse dinheiro dos cofres públicos aos credores?

Em outras palavras o dono do lençol descobriria os santos que quisesse e cobriria outros tantos, a seu bel prazer. Mas se o lençol já não for mais da pessoa, qualquer mexida seria ilegítima.

Para Santo Agostinho justiça é Dar a Cada Um O Que É Seu. Estaria o governo do senhor Jair Bolsonaro fazendo justiça quando, tirando de alguém para dar a outrem, pretende reeleger-se?

Se fazer justiça é respeitar o direito e abster-se de qualquer ação que perturbe o equilíbrio social, então essas ações governamentais são extremamente injustas.

A paz é fruto da justiça. Se a pessoa não entende isso, com o devido respeito, pode pegar o seu boné e ir embora.

 

 

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Outubro 23, 2021

Fernando Zocca

Perceba um fato irônico, se não, trágico provocado por esse nosso mito também conhecido como governo federal e sua equipe econômica: os ilustres tiveram a inusitada ideia de transformar todos os credores dos precatórios da administração federal em sócios investidores na campanha da reeleição da estimada lenda urbana.

Dessa forma querido leitor, se você teria algo a receber do governo de Brasília via judiciário saiba que se tornou investidor involuntário da campanha dessa lenda política brasileira.

Sim meu amigo, minha amiga e preclara senhora dona de casa: quando o executivo federal desvia os pagamentos dos credores dos precatórios, aplicando-os no “Auxílio Brasil” está provocando, no mínimo, um conflito entre classes e arregimentando simpatias para suas políticas populistas.

Imagine o alvoroço, o banzé-de-cuia, a felicidade e o aumento da predisposição para dizer o sim que o “quatrocentão” eliciará no pessoal carente, eleitor geralmente na dúvida, sobre a benignidade das políticas do comandante em chefe no plantão atual.

Existe uma CPI tentando punir os erros involuntários ou voluntários dessa direção politica contestadíssima em todo território nacional.

Se julgado improcedente, pela camara dos deputados e senado federal, o relatório feito pela CPI, o presidente da república poderá contar com a sorte que não tiveram João Goulart, Fernando Collor de Mello e Dilma Rousself.

Dentre os três acima citados Fernando Collor, depois da renuncia, foi eleito senador e viceja na política até os dias atuais. Dilma pode ser eleita, pois não teve seus direitos políticos cassados.  

Caberia competência ao judiciário, para, por meio de ação legal, proposta por representantes dos credores, fazer a mudança da direção desse assombro político?

A credibilidade do judiciário não está lá essas coisas, entretanto a lesividade e a ilegitimidade do ato presidencial instituidor dessa decisão é mais que notória.

Em outras palavras o executivo descobre uns santos para cobrir outros.  

Será que o descumprimento de decisão judicial não configuraria desobediência? Haveria ainda a necessidade da execução de fazer coisa certa, ou uma ação popular realimentaria a esperança dos prejudicados?

De que valeram tanto tempo de tramitação objetivando o recebimento dos direitos assegurados nas leis se, no momento da entrega da coisa, o dito cujo não acede, desviando para outras contas o dindim salvador?

Essa situação me faz lembrar um fato ocorrido há muitos e muitos anos passados: uma pessoa miserabilizada, perdida numa cidade imensa e desconhecida, ao receber, de um sujeito aparentemente honesto, os valores da passagem do transporte para a sua cidade de origem, creria que a recusa desse benfeitor, em receber de volta o dinheiro empregado, basearia suas atitudes posteriores na convicção de que em troca, desse seu gesto, obteria a até mesmo o poder de influenciar as decisões no âmbito do executivo federal?

Nessa linha de raciocínio: Se a ajuda a um indigente serviu para o alavancamento de uma candidatura a presidência da republica o que não faria o auxílio a milhares de pessoas necessitadas?

A reeleição é claro.

 

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Outubro 11, 2021

Fernando Zocca

 

 

No cafofo de Donizete Pimenta e Dani Arruela, logo ao anoitecer, daquele domingão de outubro, foram chegando devagarinho, sem muita estrepolia, Célio Justinho, e sua concubina Luisa Fernanda, pra mais uma folie a deux, arraigada na patota há muito e muito tempo.

Luiza Fernanda, a gerente bancária tão antiga quanto as caravelas de Pedro II, considerando-se a criatura mais influente que o Faustão, durante o seu programa domingueiro, portando enorme quantidade de Pen Drives contentores de centenas de gravações musicais, desembarcou do seu Ford preto defronte a casa do Donizete pensando em alegrar aquele pessoal todo, há algumas horas reunido.

- Hoje, em que pese o fato de não termos nesta humilde residência, uma piscina supimpa, e nem uma churrasqueira profissional, nós faremos a reunião festiva com a finalidade de lembrarmos o saudoso Hein Hiquedemorais que, por gostar tanto dos churrascos de maminhas, chuletas, coxão mole, duro e palheta, foi parar naquele nosocômio, onde por algum tempo, submeteu-se às técnicas de desobstrução intestinal – disse solenemente Célio Justinho às pessoas que o assistiam desembarcar da viatura.

- Olha os fecalomas do vovô Hein Hiquedemorais eram tão sólidos que o pessoal da enfermagem pensou até em usar um novo equipamento recém inventado que se assemelhava a britadeira; era portátil e facilmente manuseável – comentou Luisa Fernanda completando as informações do maridão Célio Justinho.

- Gente, deixemos de lado os teretetes, os entretantos e principiemos logo tudo, pra que antes das duas da manhã, “a gente possamos” terminar essa bagaça – opinou Delsinho Espiroqueta ao coçar a virilha pensando no seu antigo, sincero e verdadeiro amor o delgado, magérrimo, feio e ranzinza Zé Laburka, o “turco” nascido na área de charque de Tupinambicas das Linhas.

- Lá na charqueada, meu amigo, se “agente fizéssemos” esse tipo de coisa, a vizinhança nos escorraçaria às pauladas – falou com voz grossa a vovó Bin Slave Latem quando encostava o seu Galaxie 69 defronte a casa do Donizete Pimenta. Ela desceu batendo três vezes a porta do calhambeque - Mas como estamos num trecho do bairro em que todo mundo fala e ninguém ouve, aproveitemos - finalizou a anciã.

- Ei vó, eu não sabia que a senhora viria – exclamou admirada Luisa Fernanda.

- Ah, neguinha, pra quem foi chefe de gabinete por anos e anos a fio daquele caquético energúmeno, uma foliazinha a deux a mais não faz mal.

- Vovozinha, é verdade que o Jarbas, o quase rei, aquele que ficou mais tempo na função de prefeito, que Pedro I na de imperador, deixou a vida política? – questionou Dani Arruela manipulando as latas vazias de cerveja, tirando-as duma caixa de papelão, colocando-as num saco plástico.    

- Ih, filhinha, nem me fale mais nessa criatura. A pessoa pintou e bordou, sacaneou a cidade toda com as fraudes nas licitações e agora, por meio dos seus quadrilheiros, quer aprovar uma lei federal que dificulta a condenação dos crimes contra a administração pública. Pode isso eleitor?

A ex-chefe de gabinete continuou:

- Gente deixemos de lado essa papagaiada toda e iniciemos logo a nossa sessão em homenagem ao grande e inesquecível Hein Hiquedemorais o velhote que, por causa dos estercoromas, precisou duma temporada na clinica de repouso.  

 - Só uma coisinha rápida: vovó tendo a senhora mais experiência que os engenheiros da NASA, responda agora aqui pra mim: essa sua viatura, foi mesmo adquirida do doutor Carneiro, o alienista que, na oitava década de vida, simulou a própria morte, alegando aos mais íntimos que desejava testemunhar, de longe, e no anonimato, os desenrolares das quizilas da cidade mais famosa do estado de São Tupinambos? – interrogou Zé Laburka.

- Sim essa minha condução foi mesmo comprada do professor doutor Carneiro meses antes da esposa dele anunciar a sua morte.

- Ai que chato, não? – comentou Donizete pensando no almoço que faria no dia seguinte.

- Gente... Gente... Vamos começar a função, já são dez horas – convocou Luisa Fernanda batendo palminhas como fazia seu amigo Gelino Ambrulhano, o professor-diretor de escola ao convocar, cheio de vigor, no pátio do recreio, os alunos para o início das aulas.

Então em homenagem ao Hein Hiquedemorais, aquele que tinha o intestino “preguiçoso”, o fandango foi até as duas horas da manhã, insento de queixas e reclamações.

 

* Folie a deux: Folie à deux, é um conjunto de sinais e sintomas de transtornos delirantes, duma sujeita psicótica, caracterizado pelo contágio dos tais delírios, a um ou mais sujeitos, com quem ela tem relacionamentos pessoais íntimos.

 

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