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Mergulhando e Nadando

por Fernando Zocca, em 22.01.19

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Ninguém imaginaria ver a vovó Bim Latem (ex-chefe de gabinete do Jarbas, o caquético testudo), Luísa Fernanda, Célio Justinho, Donizete Pimenta, Dani Arruela e o doutor Silly Konne Carneiro na mesma piscina, ao mesmo tempo, mas isso, meu amigo, realmente aconteceu. Foi assim:

Reclamando muito do calor, uma boa parte do pessoal residente em Tupinambicas das Linhas resolveu refrescar-se na piscina de águas claras do Clube Tupinambiquence Diving and Swimming.

Ninguém marcara antes qualquer encontro, mas durante uma tarde quentíssima, tomados por certa morosidade causada pela timidez, primeiramente adentraram na área do entorno da piscina, Luísa Fernanda e Célio Justinho.

Luísa vinha trajando um biquíni verde oliva, mas mantinha envolto numa toalha felpuda especial, os quadris que bamboleava ao caminhar. Entre o indicador e o médio da mão direita um cigarro recém-aceso fumegava impune.

Vestindo uma sunga rosa, equilibrando um par de óculos escuros no rosto, trazendo uma toalha preta nos ombros, simulando falar ao telefone celular, que, aliás, nem crédito tinha, e andando rapidinho por causa da quentura do solo, Célio Justinho seguia atrás da parceira.

- Mas você faz assim: um serviço de alto-falantes dirigidos a alguns pontos estratégicos do clube pode simular uma rádio. A gente gosta de música sertaneja. É só mandar bala na bagaça, mano – falava, com ênfase, Célio Justinho - Quem não gostar que se mande, que se trumbique.

Quando o casal, aproximando-se rapidamente do local onde havia uma extensa cobertura proporcionadora duma sombra salvadora, Luísa Fernanda ao ouvir o que dizia o parceiro respondeu:

- Serviço de alto-falantes não é rádio “mor”. O ouvinte de rádio pode modular o som, aumentando-o, diminuindo-o, trocando de estação e até desligando o abençoado. Mas nesse serviço, que você insiste em implantar, o ouvinte não tem escolha: só pode ouvir o determinado chateando-se todo. Isso que deseja fazer não passa da expressão dos princípios da tortura.

Logo a seguir, adentrou na área do entorno da piscina o doutor Silly konne Carneiro, o mais famoso médico psiquiatra tupinambiquence. Andando rapidamente sobre o solo abrasador ele se achegou sob a sombra, sentou-se numa das cadeiras ali dispostas, tirou da sua bolsa imensa uma touca de natação, óculos, snorkel, pés de pato e protetor solar dispondo tudo meticulosa e ordenadamente sobre a mesa ali havida. Em seguida ritualisticamente passou a despir a camiseta, o par de tênis, a bermuda e não deixou de alisar a sunga vermelha vestida por baixo.

Depois de haver se equipado todo Silly aproximou-se da borda da piscina e sem qualquer empecilho, ou dúvida, lançou-se n´água.

- Ih, a lá, neguinho tá se afogando! – gritou a vovó Bim Latem que viu o velhote barrigudo afundar e demorar-se junto aos ladrilhos do chão.

Donizete Pimenta que jamais imaginara ver tamanha quantidade de água limpa em toda sua vida pode observar que o barrigudinho subia logo à tona iniciando a natação.

- Minha nossa senhora do chuveiro, dai-me resistência. Eu que até hoje, só vi tanta água assim em alagamentos e represas, posso perceber que o cidadão está nadando igual a um peixe cascudo – anunciou Dani Arruela.

A vovó Bim Latem que naquele momento tinha na cabeça um chapéu imenso, diante dos olhos um par de óculos de lentes pretas, vendo transbordar dos limites do biquíni a gordura acumulada dos seus quase noventa anos, achegando-se perto da Arruela segredou:

- Aquele metido ali é o Carneiro. Ele só anda de Galaxie 69. Lembra dele? Olha que lindinho...

É claro que Arruela não conhecia o Carneiro. Mas algo os unia; certamente não tardaria o momento em que ambos se veriam frente a frente naquele mais supimpa e formoso consultório especializado.       

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