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O Prato do Dia

O Prato do Dia

Maio 31, 2021

Fernando Zocca

 

 

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- Aqui é o seguinte: quando nas reuniões, querem falar de você, na sua presença, sem que você nem imagine o que esteja acontecendo, eles trocam os pronomes pessoais, ou seja, no lugar de “ele” (que seria você ali presente), usam o “eu” – asseverou John Charles Carcanhádigrillis o advogado que, por muitos, mas muitos anos mesmo, fora procurador jurídico do então prefeito (quase imperador) Jarbas, o caquético extremamente testudo, à Lurdona Tonn Inn que, com seu marido Hein Hiquedemorais, consultava o causídico no seu escritório naquela tarde de quinta-feira.

O advogado estranhara a atitude do Senhor Hein Hiquedemorais que se negara terminantemente a sentar-se logo que chegara ao gabinete.

- Não. Fico de pé mesmo - respondera o consulente aos insistentes pedidos do causídico para que se sentasse.

- Sabe o que é seu doutor, meu marido sofre com uma hemorróida inflamada e segundo o nosso médico, a bichinha instalada há muito tempo no fiantã dele, está protrusa, por isso nem pensar em sentar – adiantou-se Lurdona justificando a atitude provavelmente considerada antipática do marido.

- É, mas podem usar também qualquer outro substantivo no lugar do pronome “ele”. Ou trocar o nome da pessoa presente por doutra ausente – continuou Hein Hiquedemorais parado ali de pé, num canto do escritório, como se fosse um vaso de cimento branco, com espadas de São Jorge, nele fincadas.

- Mas veja só que interessante, como funciona a cabeça dos sacripanta: os defeitos, os erros e os equívocos deles (sacripantas) são atribuídos aos antipatizados, enquanto que as vitórias, sucessos e feitos daqueles (antipatizados) de quem eles não gostam, são narrados como se fossem deles, os hereges odientos. Pode isso seu Hein? Pode isso dona Tonn Inn?

Nesse instante, o interfone tocou. O advogado atendendo soube que eram mais duas outras pessoas solicitando consulta.

- A senhora dona Luisa Fernanda, a gerente administrativa do Banco UN (Usura Nacional), juntamente com seu esposo Dr. Célio Justinho, desejam fazer parte da reunião – comunicou o advogado aos presentes.  

- Ah, sim, seu doutor, são minha filha e genro. Permita que entrem – falou Hein Hiquedemorais tossindo com a boca fechada logo depois dum acesso de soluços. “pena que não posso peidar aqui, se não, arreliava já, meu amigo” – pensou timidamente o seu Hein Hiquedemorais.

Ao entrarem Luísa, tomada por uma sofreguidão inusual, foi falando aos jorros:

- Gente, boa tarde. De quem é aquele Poodle branco, emporcalhado que estava tendo acessos de epilepsia bem ali no estacionamento do escritório, justamente quando chegamos?

- É um Poodle Toy banquinho, mas que está com os pelos compridos e sujos? – quis saber o advogadão.

Depois da confirmação do casal recém-chegado Carcanhádigrillis completou:

- É um cão vadio, vagabundo. Ele gosta de lamber a boca dos bêbados caídos nas calçadas. Ele prefere os que dormem defronte a padaria Broa de Mel. Conhecem? Fica bem aqui pertinho. O bicho passou a ter acessos depois de se empanturrar com as babas dum pinguço sofredor desse mal epiléptico.

A temperatura na sala aumentava quando então o profissional aplicador do Direito, levantou-se ligando o ar condicionado. Vendo a secretária que, abrindo a porta anunciava a chegada da vovó Bin Slave Latem a mais terrível, temidíssima estrategista das guerrilhas, quizilas, mal-entendidos, confusões, rixas, desordens, fuxicos, fofocas e destemperos existentes entre os moradores do bairro Vila Dependência, sentiu ele, o advogado, um arrepio de medo que lhe eriçou os pelos todos do corpo.

- Ah, é a Bin Latem? Pode mandar entrar dona Bruna, faça o favor.

A vovó foi entrando com passos lentos que lhe permitiam o excesso de peso.

- Boa tarde meu povo. Boa tarde minha gente. Tudo bem com vocês todos?

- Tarde vó – responderam os presentes numa só voz.

O pessoal foi se afastando, dando passagem, para a nona que vinha balançando a peitama e o bundão imensos, dum lado pro outro.

- Gente, estou tão cançada... Essa pandemia... Esse calor... Credo!   Mas é o seguinte pessoal – começou a falar a majestosa figura: - Vocês se lembram daquela menina, meio maluquinha, que tem uma lanchonete vizinha da casa dela e que num dia desses, avançando a placa pare, invadindo a via preferencial dum velhote, o atropelou mandando-o pra Santa Casa por 20 dias?

Diante do sinal positivo feito com um meneio de cabeça de todos os presentes a antiga e obesa pessoa (funcionária pública aposentadíssima de longa data) continuou:

- Então... O pai e o namorado dela gastaram uma baba preta de honorários de advogado pra provar que ela estava certa, que na verdade quem tivera culpa pelo acidente fora a própria vítima, que deveria frear sua bike antes de chocar-se contra o fonfom dela, mas apesar disso tudo a infeliz sente-se muito culpada e toda vez que ouve uma buzina, uma acelerada mais forte das viaturas que passam na rua, defronte a sua casa, a pandega passa tão mal que pensou até em tirar a própria vida. Portando eu estou aqui pra gente bolar uma simpatia a fim de que a meliante atropeladora, que invadiu a preferencial alheia, deixe de se sentir tão miseravelmente culpada e doente. Vocês têm alguma ideia?

Lurdona Tonn Inn levantou o dedinho indicador da mão direita como se fosse uma criança da sala de aula do curso de alfabetização do grupo escolar dizendo:

- Gente, é muito fácil. Essa cretina não parou onde deveria parar não é verdade?

A maioria respondeu positivamente.

- Então... - continuou a esposa do eclético, famoso, riquíssimo, ganhador da sena milionária, Hein Hiquedemorais amante das maminhas e chuletas dos churrascos dos finais de semana na borda da piscina de águas turvas – É só a gente colocar ela parada numa esquina, mesmo sentada e, quando vier alguém ela ao invés de levantar-se e passar na frente dos outros deve esperar pelo menos a passagem de no mínimo umas 10 pessoas. Eu disse dez pessoas entenderam?

- Nossa, que sacada de gênio dona Lurdona. Se fosse o final duma partida de tênis, no torneio de Wimbledon, a senhora  venceria fácil, fácil.

- A gente “fazemos” o que podemos. A gente não “fazeria” mais e melhor por falta de incentivo do governo – disse tomada pelo orgulho, toda cheia de si, a velhota baixinha.

E assim foi feito. De um jeito ou de outro, convenceram a doidíssima imprudente, negligente e imperita motorista meliante, atropeladora de velhinhos corocas, a ficar parada durante os 10 terceiros domingos de cada mês, numa das esquinas de sua casa, por pelo menos, três horas seguidas, esperando que 10 pessoas passassem à sua frente.

Gelino Embrulhano, Zé Laburka, Donizete Pimenta, Dani Arruela e Delsinho Spiroqueta, quando desciam a pé, numa ensolarada manhã de outono, pro centro da cidade, ao passarem por aquela moça idiotizada, sentada na mureta baixa da casa da esquina, simulando falar ao celular, tendo nas pontas das guias dois vira-latas, não deixaram de comentar o fato de que ao longo do reinado do Jarbas, Tendes Trame, Zé Lagarto, Vovó Bim Latem, Fuinho Bigodudo e Marina Baldwin, nunca houve uma proliferação tão grande de insanos durante toda a história de Tupinambicas das Linhas.

 

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Fevereiro 06, 2021

Fernando Zocca

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Marina Baldwin querendo mostrar poder, ascendência sobre os pagãos incréus, não titubeava em invadir as casas vizinhas, violar cadeados, fechaduras, e dizer pra todas as testemunhas:

- Conosco ninguém podemos.

Baldwin detestava a berlinda; pra ela quanto mais escondida, às ocultas, nas sombras, era melhor. Aos retardados que a rodeavam ela gostava de explicar as coisas como se fossem todas sobrenaturais. Na verdade Baldwin não tinha poder nenhum; ela era mestre na enganação; mãe da mentira e catedrática na simulação.

O número expressivo, a quantidade de “beiços caídos”, impressionados com as “mágicas” que ela fazia significava o sucesso que ela tinha pra impressionar e manipular os tontinhos dependentes.

Ou seja: quanto maior a quantidade de gente impressionada com os fenômenos praticados por ela, maior seria seu capital de convicção, de credibilidade, de convencimento dos do entorno.

Zé Laburka com a crônica infecção do nervo ciático (pra ele aziático), quase que impossibilitado de se locomover, teimosamente insistindo em andar pela calçada, não se importava de fazê-lo, mesmo que fosse esfregando-se pelas paredes.

O acumulo cada vez maior de maus-encarados pelas ruas do bairro não a deixava tão apreensiva. Ela considerava-se imune às maldades do populacho. Marina recordava-se de um comentário sobre si que ouvira na fila do supermercado:

- É parda. Pardinha, nascida à tardinha, logo depois do fim da linha...

“Mas olha quanta insolência” - pensara, na ocasião, a Marina muito sentida com o que ouvira. E depois murmurando entredentes:

- Com esses cretinos só no bofete,  mesmo.

Marina era fã incondicional da famosa atriz canadense Ivonne De Carlo (nascida Margarette Ivvone Middleton) em Vancouver, Canadá no dia 01 de setembro de 1922 e naturalizada norte-americana. Marina Baldwin sabia também que Ivvone de Carlo destacara-se, dentre outras produções cinematográficas, com a série Os Monstros (foto) cujos personagens e atores eram os seguintes: Fred Gwynne  - Herman; Yvonne De Carlo – Lily; Al Lewis – Vovô; Beverley Owen - Marilyn (até o episódio 13); Pat Priest - Marilyn (episódio 14 ao 70); Butch Patrick – Eddie.

- Se eu não eleger prefeitos, deputados e vereadores com as mágicas que sei fazer, então, minha amiga sei que chegou a hora de me aposentar – garantiu Marina Baldwin à sua comadre Zaíra Longarina, numa tarde, logo depois que ambas saíram do Lar dos Velhotes onde visitaram um antigo freguês de caderneta.

 

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Dezembro 14, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

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Henriqueta Fossa e Elisa Buffa conversavam na esquina:
- E aí, amiga? Sarou da ressaca? - perguntou Elisa.
- "Mardita" pinga aquela que me deram... Me fez um "mar" terrível - respondeu Henriqueta.

- Toma um chá de boldo, comadre. Você vai ver tudo melhora - consolou Elisa. E depois concluindo:

- A senhora já passou dos 82 anos. Não seria bom parar com a talzinha?

 - Que nada filha... O que é que a gente vai fazer numa quiçaça dessas? Se não tem o boteco, o que a gente faz?
- Mas dona Henriqueta... E o crochê, minha nega? - provocou Elisa.

- E lá eu sou velhota de crochê? Ora faça-me o favor dona Elisa. E me dê licença que meu feijão está no fogo; parece que a panela tá bufando.

- Vai dona Henriqueta... Vai... Vai tomar... Lá na sua cozinha,  conta do seu feijão.

Depois do almoço, lá pelas três horas da tarde, Henriqueta saiu de casa e foi direto ao armazém da esquina onde pretendia comprar o leite e o pão para o café da tarde.

Como não gostava de caminhar pela calçada, a velhota, alta, magra, desengonçada, que falava grosso devido a um problema na garganta, iniciou o percurso pelo meio da rua.

Enquanto caminhava um automóvel vendendo pamonha anunciava pelo alto-falante:

- Olha a pamonha, senhora dona de casa. É o legítimo creme do leite. É a pamonha de Tupinambicas das Linhas. Venha conferir minha senhora...

Henriqueta sentiu-se incomodada. Teria sido aquela funesta Elisa Fossa, a vizinha maledicente a responsável por essa gandaia toda no quarteirão? Quem é que aguentava tanta judiação?

Não teve tempo de concluir o seu raciocínio porque já tinha chegado ao armazém.

Havia um pessoal aglomerado, esperando numa fila, a vez de pagar o que comprara, no caixa.

Sentindo-se insegura Henriqueta imaginou que se estivesse na sua cidade natal, Salvador, na Bahia, estaria bem menos nervosa.

- Seu Messias, eu quero 24 pães. Me põe em dois sacos, faz o favor. E me dê também um litro de leite de caixinha. De saquinho já ando cheia.

Messias conhecia bem a figura. Olhou-a por cima dos aros dos óculos e disse:

- Ô Almeida: atende a dona Henriqueta. Que ela tem pressa.

Almeida, atrapalhado com as suas 1001 ocupações no armazém, deixou o que fazia e atendeu a freguesa dando a ela o que pedira.

Saindo com os embrulhos Henriqueta sentenciou:

- Põe tudo na minha conta, seu Messias, lindinho da vovó, que no final do mês a gente pagamos.

Messias tirou a caneta que estava equilibrada na orelha direita e anotando a despesa numa folha de papel, passou a receber o dinheiro dos demais que estavam na fila.

Na volta, caminhando pelo meio da rua Henriqueta sentiu-se obrigada a usar a calçada porque um caminhão vendendo gás de cozinha passava anunciando, tendo ao fundo a sinfonia Für Elise, do compositor alemão Beethoven,  a mercadoria pelo alto falante:

- É o gás, meu amigo, minha amiga e senhora dona de casa. Aproveite a promoção. Leve agora o seu gás e ganhe um brinde lindo.

Chateada Henriqueta chegou a sua casa. Quando se preparava para tomar o café alguém tocando, com insistência a campainha foi logo lá de fora gritando:

- Como é sua velha safada!!! Quando vai pagar os 182 reais que me deve?

Era Elisa Buffa que acarinhando a barbicha branca de um bode velho, parada defronte ao seu portão, incomodava-a mais outra vez.  

 

Outubro 31, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

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E nem me diga o quanto a insônia, sinal de séria doença cerebral, atormenta a vida das pessoas que, infelizmente têm o azar de a possuir.

Para os que a sofrem, é menos preocupante saber serem portadores do mal, do que em como ocupar as noites que passam acordados, quando todos a sua volta dormem tranquilos.

Uns preferem, tal qual os besouros sinistros, vivenciar os momentos intermináveis da ansiedade noturna, com murmúrios chorosos, não raro, carregadíssimos de ódio jamais incontido.

Os monólogos choramingosos com que, por horas e horas a fio, pretendem aliviar o sofrimento, tomam o lugar dos conhecidíssimos e populares remédios soníferos, possíveis de aquisição, depois de algumas consultas com qualquer especialista.

Entretanto ninguém desconhece que, em algumas farmácias da vida, os optantes por dormirem, antes com a ajuda dos tais soporíferos, adquirem-nos sem nem mesmo o receituário dos doutores médicos.

Os atormentadores, conhecidíssimos dos parentes e amigos, por terem seus cérebros doentes, não desconhecem que as precipitações desses seus estados de inquietação provém dos hábitos equivocados, geralmente aprendidos com parentes mais velhos.

E o que interromperia o ciclo vicioso, doentio, do uso dos estupefacientes com mais eficiência do que uma temporada nos estabelecimentos especialmente feitos para isso?

Não é possível fechar as fábricas de cigarros, de bebidas, trancafiar os traficantes todos de drogas, terminar com os bares, impedir o comércio dessas coisas; mas a salvação do pobrezinho sofredor, que não tem quase mais nenhuma outra alternativa além dos choramingos murmurativos, usados bobamente no alívio dos seus sofrimentos, estaria em passar, com eficiência, por uma temporada de sossego, nas entidades especializadas, sob os cuidados do pessoal treinado para isso.

É preferível, mais sensato, dizer aos inquietos, insones perturbadores, que busquem tratamento médico do que, afirmando serem eles vagabundos, mandá-los trabalhar.  

       

 

Outubro 12, 2016

Fernando Zocca

 

 

Aquele velho conceito de que se deve respeitar as pessoas do jeito que elas são, e que não seria muito legal, tentar mudá-las é muito relativo.

Desta forma como respeitaríamos alguém que subtrai para si, ou para outrem, a coisa alheia móvel, ou pratica atos libidinosos, diversos da conjunção carnal, com quem não teria idade pra isso, ou se se negasse a aceitá-los?

Portanto nem sempre podemos concordar com as pessoas do jeito que elas são, e precisamos sim, tentar modificá-las. Afinal as instituições escolares, da segurança, e da saúde pública não estão aí para isso mesmo?

Entretanto haveria a necessidade da estrita observância da dosagem equilibrada nas reações, na aplicação das penas, pela sociedade, naquelas ocorrências que transtornam infindavelmente, o ambiente do bairro.

Quem não garantiria a existência do exagero no ato de sacar uma espada enorme para a eliminação duma mosca?

Abrindo agora a nossa lente, buscando a visão mais panorâmica da sociedade, como aceitar e respeitar, a política que, a fim de preservar a coesão interna do partido político, prefere manter decisões altamente nocivas para a população toda?

Como pode uma sociedade consciente, sã, aceitar como boas, procedentes e favoráveis ao progresso, as razões de uma determinada classe social, duma categoria profissional, a fim de que não haja, na cidade, um curso de medicina?

Como não notar as frequentes condenações ao chefe do executivo, pelos tribunais superiores, que diante das queixas frequentes, sobre irregularidades nos atos licitatórios, denunciadas por participantes preteridos, ensinam pacientemente como a lei deveria ser cumprida?

Portanto aquele velho e surrado conceito de que as pessoas precisam ser respeitadas, e que não seria bacana, tentar mudá-las é bem duvidoso. Depende muito do que elas fazem. A árvore boa não produz frutos maus.

O progresso numa cidade não deve, e não pode favorecer somente aos integrantes do grupo no poder.

O ensino universitário, o direito à saúde, à segurança, ao trabalho, são garantias constitucionais, e ao governo, não fazendo nada mais do que a sua obrigação, convém assegurar que sejam exequíveis.  

Julho 30, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

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Quem quando moleque, tendo um parente considerado surdo, não se interessaria pelo surdíssimo Ludwig Van Beethoven, que dentre outras, escreveu a Sinfonia nº 5 em dó menor, op. 67; pelo pintor holandês Vincent Van Gogh, que pintou Os Girassóis; pelo compositor russo Pyotr Ilyitchc Tchaicowsky, que compôs Iolanda, e, por tabela, a mística também russa, Elena Petrovna Blavatski?

Qual garoto não curtiu a mimosa cachorrinha alvinegra, pintinhos amarelos, tartaruga, papagaio, patos, coelhos e um barulhento, incansável, casal de saguis?

O loro que tínhamos em casa vivia a destruir, com seu bico afiado, o poleiro, mesmo estando sempre saciado com as sementes de girassol, seu prato predileto.

O papagaio, depois de alguns anos, foi doado a alguém conhecido; a tartaruguinha, esquecida ao sol, numa bacia de alumínio com pouca água, foi encontrada morta; o mesmo fim teve um dos pintinhos amarelos, esmagado pelo pisão descuidado, num vir de afasto involuntário de alguém; os coelhos infectados com doença nos pés, logo enfermaram gravemente antes de morrerem; os três patos, levados ao vizinho corajoso, e voltarem decapitados, viraram refeição.

Quem não se interessaria pela história das meninas Alice, Lorina e Edith, filhas do deão Liddell, da Christh Church, Oxford, Inglaterra, que ao visitarem frequentemente uma coleguinha, eram fotografadas pelo irmão dela, o diácono, matemático e escritor inglês Charles Lutwidge Dodgson, que sob o pseudônimo de Lewis Carrol, escreveu em 1865, Alice no País das Maravilhas e, em 1871 Alice no País dos Espelhos, se a sua primeira professora, aquela do grupo primário, não se chamasse Alice?

E por que não conhecer as regras do Rugby, aquele tipo de “futebol americano”, onde a bola, em vez de esférica é oval, quando se sabia que Lewis Carrol, fizera em Rugby e Richmond, o curso de matemática, sendo ordenado diácono, em 1861?

Como não se espantar alguém com o Euclid and his Modern Rivals, obra daquele competentíssimo fotógrafo, escritor, ante o fato de que um dos zeladores do Grupo Escolar, que chegava diariamente pro trabalho, pedalando a sua bicicleta, chamar-se Euclides?

Diga-me querido leitor, como não participar de todas as aulas de teosofia, sendo inclusive diplomado no final do curso, sem nem ao menos saber que a idealizadora da filosofia, Elena Blavatski (foto), nascida a 12 de agosto de 1831, que escreveu Isis sem Véu, se não fosse pelo interesse legítimo em desvendar certos “mistérios”?

E como deixar de se sentir de certa forma, muito mal, diante da oposição entre essa filosofia, a ciência, o catolicismo e as demais teologias?

Como crer nos políticos antigos que não visam quase mais nada, durante a gestão, que não seja o bem próprio, o dos seus familiares e amigos, em detrimento dos interesses das coletividades, que os elegeram?

Como reeleger vereadores que negam veementemente não trabalhar contra os interesses da população, mesmo quando se recusaram a instaurar a Comissão Parlamentar de Inquérito que teria por objetivo investigar as causas dos aumentos, inexplicáveis e abusivos, nas contas de água dos consumidores da cidade?

Como não se sentir coautor dos crimes de lesa-pátria, praticados por gente eleita com o seu voto?

Por estas e outras questões propomos algumas mudanças na constituição da república: a primeira seria a limitação das reeleições; a segunda seria a mudança na regra que determina ser obrigatório o voto.

É claro que por causa disso não deixariam de acontecer os crimes de corrupção. Mas, pelo menos, o eleitor teria a certeza de que, em caso de “pisadas na bola”, feitas por aqueles candidatos chatíssimos, eles as fariam sem a sua participação.

E mesmo que os tais eleitos se destacassem por gestões transparentes, límpidas, profícuas, as possíveis supostas consciências dolorosas do arrependimento, não teriam tanto sentido, para todos os que não tivessem interesse nas suas eleições.

Pode crer.

Julho 04, 2016

Fernando Zocca

 

 

 

Nas instituições religiosas e filantrópicas o objetivo principal é a vivência dos Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em sendo as entidades formadas por pessoas diferentes, o rol das reações de cada uma delas varia também conforme a educação e as experiências na vida.

Ora se viver o Evangelho é ser igual a Jesus, agir como ele agia, sentir o que ele sentia, então quando alguém, diante de uma situação de estresse, reaciona de forma agressiva, conclui-se que não está preparado para a convivência com o grupo e que este também foi incapaz de transmitir-lhe os ensinamentos do mestre.

De fato, não podemos usar as regras do basquete, quando jogamos vôlei. Da mesma forma que nos treinamentos policiais e militares, a compaixão, a benevolência e a complacência podem ser danosas, ou até fatais para os envolvidos, nas questões religiosas as reações hostis, agressivas, estariam fora de lugar podendo inclusive comprometer a coesão do grupo.

Se no exército ou polícia o componente deve demonstrar bravura, macheza, sob pena de estar fora dos padrões, nas agremiações filantrópicas, a conversa, os diálogos e a mansidão é  que devem imperar.

E se o cidadão tem dificuldade para ouvir ele não está no lugar apropriado. O macho, numa reunião religiosa, ou filantrópica, estaria tão deslocado como o peixe fora d´água. Na prática religiosa a pessoa precisa, antes de tudo ser homem. Macho não.

Homem foi Jesus que deu a sua própria vida para que se salvassem os que nele cressem.

O estágio educacional em que se encontram as pessoas, afetas mais às reações emotivas do que racionais, é indicador de que não estariam ainda tão preparadas para o ministério filantrópico.

Na polícia e corporações militarem objetiva-se coibir a prática criminosa antes com o uso da força do que com os ensinamentos cristãos.

Já nas agremiações menos truculentas o ideal seria a prevalência dos sentimentos Crísticos onde a caridade, a compaixão e os bons entendimentos, pudessem destacar-se sobremaneira.

Se no exército, na polícia, ou mesmo em qualquer outra atividade da vida civil, os xingamentos, as faltas de respeito com os mais velhos e a exteriorização de preconceitos ensejariam repressões violentas, nas entidades assistenciais essas atitudes indicariam que o tal vivente do purgatório teria mais propensão a ir diretamente ao inferno do que ascender ao céu.

Na sala de aulas o aluno precisa ter uma bagagem de conhecimentos mínimos para que não considere os assuntos ali tratados como esquisitos e que não teriam “nada a ver”.

Se, na escola, o aluno não acompanha os ensinamentos, não é o mestre ou a pedagogia que precisam mudar. É o aluno que, carente, desde o princípio, não consegue compreender o considerado irrelevante e desnecessário, que deve mudar, aprimorar-se, evangelizar-se, socializar-se.

A pressa, a grosseria, a falta de concentração, a impaciência e a limitação do vocabulário são componentes evidentes daquelas personalidades que mais atrapalham do que ajudam no transcurso das reuniões.

De pouca utilidade teria o comportamento do membro diretor da entidade se trouxesse da sala de aulas do seu colégio, para os encontros onde se cuida da filantropia, as regras que aplica para as crianças.

Se o professor, entre os alunos, precisa impedir as conversas paralelas, simultâneas, sob pena de não poder ministrar seus ensinamentos, nas reuniões cujas finalidades são filantrópicas, a conversa, a troca simultânea das ideias, faz parte indispensável do entendimento dos assuntos ali tratados.

E se o meu mui digno leitor imagina que esse tipo de atividade isenta-se da influência dos vereadores, prefeito, deputado federal, estadual e presidente de partido muito se engana.

Pois há muitos que creem ser a longevidade de certos políticos nas suas cadeiras públicas mais devida a esse tipo de tráfico de influência do que praticamente da utilidade dos projetos por eles apresentados.

De que vale para o cidadão pagador de impostos o vereador que não conseguiu durante os quatro anos em que vivenciou o legislativo participar de um único debate, apresentar moções de aplausos, repúdio ou outra coisa qualquer que não fosse a publicação de foto sua na internet ou jornais ao lado dos buracos nas ruas e avenidas?

Vou avisando que não sou candidato a vereador e que pretendo não votar em ninguém nestas eleições.

 

Março 02, 2016

Fernando Zocca

 

 

Vereadores, representantes do Serviço Municipal de Água e Esgoto (SEMAE) e populares agrediram-se fisicamente ontem (01/03) durante a audiência publica realizada na câmara municipal de Piracicaba.

O ato público tinha como objetivo ouvir as explicações do presidente da autarquia municipal Vlamir Schiavuzzo sobre os aumentos abusivos nas contas de água.

Presidida pelo vereador Laércio Trevisan Jr., sessão foi realizada, desde o início, sob um clima tenso que a aparente calma do engenheiro Schiavuzzo não conseguiu dissipar.

Centenas de cidadãos reunidos no andar de cima, revoltados com as consideradas injustiças perpetradas, desde há muito tempo, pelo representante do PSDB na cidade, acompanhavam pelo telão, as ações que aconteciam no plenário da casa.

As perguntas escritas, feitas por vereadores, populares e jornalistas, eram encaminhadas à mesa, onde o presidente do SEMAE, da empresa terceirizada Águas do Mirante tentavam responder sem no entanto conseguir justificar o tremendo desequilíbrio causador de tanta revolta popular.

Vlamir Schiavuzzo que também é o presidente do PSDB em Piracicaba foi prefeito de Saltinho, de onde se transferiu para Piracicaba.

Há 11 anos no controle da empresa municipal, a administração do engenheiro Schiavuzzo é acusada, por milhares de cidadãos e vereadores oposicionistas, de gestão temerária cujo objetivo seria o de privatização da entidade por meio de sucateamento prévio.

O líder do PSDB na câmara municipal vereador Pedro Cruz, numa tentativa de reação em defesa dos motivos de tanta revolta afirmou que não poderia condenar as atitudes da diretoria do SEMAE por não ter contra ela os números.

Calou-se vergonhosamente o vereador quando lhe exibiram as contas de água com os números injustos e equivocados nelas estampados.

Os vereadores que defendem a politica do SEMAE, ao fazê-lo opõem-se contra os interesses da população.

José Aparecido Longatto, Márcia Pacheco, Madalena, Ary de Camargo Pedroso, João Manoel dos Santos, André Bandeira, Luizinho Arruda e outros, que são a base de apoio desta política danosa do PSDB em Piracicaba, com certeza desejarão (e muito) se reeleger, participando das eleições deste ano de 2016.  

 

Dezembro 04, 2015

Fernando Zocca

 

Os que usufruem de bom senso perceberão que o pedido de impeachment contra a presidente Dilma carece de razão.
Essa manifestação jurídica é prevista quando ocorrências delituosas são praticadas pelo chefe de governo. Entretanto inexiste qualquer ato exercido pela presidenta que possa ser considerado violação da lei.
Não é do desconhecimento dos administradores públicos que as decisões do chefe do executivo, que não afrontam as normas, carecem de reprimendas.
Quando, por exemplo, um prefeito de posse de uma determinada verba, deve optar entre empregá-la no asfaltamento de um bairro ou na conclusão de um viaduto, ao fazer a escolha não estará passível de repreensão legal porque é da sua competência decidir sobre o assunto.
O atraso - que pode ter sido involuntário - no repasse das verbas para os programas sociais não causou dano nenhum ao país. Antes pode mesmo ter sido aproveitado para uma composição estatística que também não demonstra nada mais do que a realidade.
Se a lei não proíbe, permitido pode ser.
Não existem fatos delituosos praticados pela presidenta da república. As caracterizações dos crimes são feitas pelas transformações que eles acarretam.
A quantidade imensa de dinheiro na conta de alguém leva a concluir que o proprietário fez uso de meios escusos para conseguí-lo, se o que ele recebe mensalmente, não possibilita o acúmulo durante certo período de tempo.
Existindo constatações de que a titularidade da coisa, suspeita de ter origem criminosa é mesmo do indigitado, e se não há dúvida nenhuma quanto à identidade do acusado, a pena precisa ser aplicada.
A oposição beligerante do deputado Eduardo Cunha visou comprometer a chefe do executivo nacional com as tais "pautas-bomba" e agora com o aceite desse pedido improcedente.
Essas atitudes irrazoáveis, atendendo aos clamores da oposição tucana, assemelham-se à do filho que, influenciado pelos reclamos dos irmãos, resolve incendiar a casa para punir os pais.
O comportamento do senhor Cunha maria vai com as outras é politico embasado na ficção. Não há vítima dos atos administrativos denominados "pedaladas fiscais". Por outro lado, se nas contas bancárias suíças, do senhor deputado, estiverem os dólares que deveriam estar nas contas do povo brasileiro a situação precisa ser corrigida.
A "repatriação" das fortunas e a condenação daquele que obteve para si, ou para outrem, os dólares alheios, é o que se espera da justiça.
Se à dignidade da câmara dos deputados foi acrescido o fato de ter na sua formação alguém comprovadamente delinquente, ela deve ser imediatamente restaurada, com a cassação do mandato.

 


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Outubro 04, 2015

Fernando Zocca

 

Se você fosse um jogador de futebol, de basquete ou de vôlei, como se sentiria se, depois do final duma partida, ainda no vestiário, seu técnico o escalasse para uma posição de destaque no próximo encontro e então, momentos antes do início daquele jogo, diante do time todo, dissesse que você seria substituído por outro?
Eu concordaria plenamente e discordaria de quem garantisse ser o tal cidadão daqueles que vivia aconselhando as crianças, sob sua responsabilidade, a asfixiarem o cachorro, atearem fogo na cama do enrustido, ou a atirarem pedras na porta marrom da garagem do vizinho.
Ainda que o técnico, ante o final do campeonato, quisesse fazer aquela média com o presidente, ou os conselheiros do clube, e com isso desejasse desmerecer sua condição de atleta bacana, eu, neste caso, simplesmente não daria nem um pio em forma de protesto.
Afinal, meu amigo, você joga no time do sujeito há quase uma vintena de anos e não pode se esquecer que quando chegou ele já estava ali comandando a massa.
É claro que desaforo tem limite. Não é porque o camarada não simpatiza com o seu gingado no campo; que acha poder escalar outro atacante para a sua posição em qualquer jogo, que ele, assim de forma tão esculhambativa, decide ao bel prazer o seu destino.
Mas, vem cá... Pensando bem... Se fosse comigo, eu já teria pedido o meu boné e partido pra outros esquadrões.
Entretando há quem considere os percalços dos momentos tumultuosos, da atual conjuntura político-econômica, deste nosso Brasil, assaz periclitante, desfavorecendo, desta forma, qualquer atitude atabalhoada.
Em reforço a essa tese de que não se pode mexer tanto assim no time, existe a consciência de que a pulação de galho, pelos macaquinhos safadinhos, na mataria, atrai o chumbo grosso dos caçadores.
Portanto, meu amigo, se você estava escalado pro jogo e na hora H, puseram outro no seu lugar, não se apoquente. Quem sabe na próxima partida você terá a oportunidade que tanto deseja.
Perceba que, em caso de novas preterições, a posição de gandula, não pode ser tão má assim.

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